Congresso de Educação Católica: palestra sobre Inquisição e visita à Catedral marcam 3º dia de atividades

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Esse domingo (3), terceiro dia do Congresso Internacional de Educação Católica da Arquidiocese de Juiz de Fora, marcou o fim da primeira parte do evento, voltada para os historiadores. Durante a manhã, os participantes assistiram a nova palestra de Dom Vincenzo Zani e à primeira fala de Dom José Francisco Falcão de Barros, além de mesa-redonda envolvendo ambos. À tarde, a programação incluiu uma visita guiada à Catedral Metropolitana e Santa Missa.

Durante a primeira conferência do dia, o Secretário da Congregação para Educação Católica de Roma abordou os “Aspectos históricos da educação católica e perspectivas para o mundo atual”. Tendo o tema nada menos do que vinte séculos de história, Dom Vincenzo Zani se concentrou nos últimos cem anos, tempo de muitas contradições, filosofias e desafios.

Uma das questões abordadas pelo religioso foram as redes sociais. “A rede social é um instrumento extraordinário, com uma potencialidade enorme para resolver tantos problemas. Porém, para usar bem esses meios é necessária uma formação qualificada. Porque os garotos que não têm essa formação crítica, de como usar esses meios de comunicação, correm o risco gravíssimo de entrarem numa bolha e ficarem isolados apenas naquilo que eles pensam, com amigos que pensam a mesma coisa. Esse é um desafio para todas as escolas e também para a educação católica”.

Em seguida, o Bispo Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil, Dom José Francisco Falcão, doutor e mestre em Direito Canônico, fez uma “Revisão historiográfica sobre o ensino da Inquisição”. A abordagem, segundo ele, foi feita com base na documentação que a Igreja Católica disponibiliza para todos, fruto de um simpósio que aconteceu de 29 a 31 de outubro de 1998. “O Papa [João Paulo II] pediu que se fizesse uma revisão histórica desse período doloroso da História da Igreja. [Vou] Mostrar, à luz do resultado da pesquisa, de documentos apresentados por pesquisadores sérios e imparciais, o que foi a Inquisição, como ela teve origem, como ela se desdobrou, os fatos realmente acontecidos, para que se fizesse a purificação da memória. Ou seja, o Papa, em nome de toda a Igreja, pediu perdão pelos erros cometidos por alguns cristãos no decorrer da História, sobretudo o uso de violência para coagir as pessoas à prática da fé católica”, contou.

O professor de Ensino Religioso do Instituto Nossa Senhora da Piedade do Rio de Janeiro, Gustavo Araújo de Melo, ressaltou a importante troca de experiências durante o Congresso. “Principalmente de acordo com quem está palestrando, a gente está tendo uma visão da parte da Igreja, que é importante para começarmos a pensar sobre o nosso futuro e a melhor forma de ensinar. A troca de experiências entre as pessoas que estão participando acrescenta muito e vai ajudar no nosso trabalho pastoral nas escolas”.

Visita à Catedral

Dentro da extensa – e intensa – programação do Congresso Internacional, a tarde de domingo (3) foi considerada mais amena. Os participantes, muitos deles oriundos de outros estados, tiveram a oportunidade de fazer uma visita guiada à Catedral de Juiz de Fora.

Conduzidos pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, e pelo coordenador das obras de restauro do templo, Marcos Monteiro, os visitantes conheceram um pouco mais sobre a história da igreja, datada do século XIX, sua estrutura, recuperação da antiga pintura e outras mudanças. “Nós queremos apresentar a Catedral como casa comum de todos nós, a casa de Deus, a casa do povo de Deus, e mostrar aquilo que nós estamos fazendo todos juntos aqui, o povo da Arquidiocese, no restauro e embelezamento da nossa Catedral”, ressaltou Dom Gil.

Em entrevista, Dom Vincenzo Zani disse se sentir muito bem em Juiz de Fora, onde vê a vitalidade da Igreja, inclusive por conta da preparação para o 2º Sínodo Arquidiocesano. O italiano também mostrou simpatia ao restauro que está sendo feito na Igreja Matriz da Arquidiocese. “É um símbolo externo daquilo que está acontecendo internamente, entre o povo. As pinturas que são feitas numa igreja não são só para embelezar puro e simples, mas para também comunicar catequeticamente aquilo que a Igreja quer transmitir”.

Após a visita, todos participaram de Santa Missa em ação de graças pela primeira parte do Congresso e pelos trabalhos da segunda etapa. A celebração, presidida por Dom Zani, foi concelebrada por Dom Gil e Dom José Francisco Falcão de Barros, além do vigário geral da Arquidiocese, Monsenhor Luiz Carlos de Paula; o vigário episcopal para Educação, Comunicação e Cultura, Padre Antônio Camilo de Paiva; do administrador da Catedral, Padre José de Anchieta Moura Lima; e dos padres Luiz Henrique, da Arquidiocese de Goiânia (GO); Carlos Eduardo, da Diocese de Osasco (SP); e Júlio Rezende, da Diocese de Oliveira (MG).

Avaliação

Ao final da primeira parte do Congresso, o Arcebispo de Juiz de Fora avaliou positivamente o evento. “Nós tivemos cerca de 300 participantes. Muitos vieram comentar da sua satisfação imensa de tudo aquilo que ouviram, de tudo aquilo que aprenderam nessa primeira fase. Eu também avalio como muito positiva: as palestras foram de altíssimo nível; colocações que enriquecem muito nossos educadores e os membros da Associação Católica de Historiadores. Quero agradecer a Deus porque foi um sucesso maior do que eu esperava”, finalizou.

Nesta segunda (4) e terça-feira (5), o Congresso Internacional de Educação segue com palestras mais voltadas para educadores, gestores, pais e alunos de escolas católicas. Em ambos os dias, a programação da noite, a partir das 19h, será aberta ao público, com entrada gratuita.

Clique aqui e confira mais fotos do 3º dia do Congresso.

*Colaboração: Monalisa Lima

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