Angelus: o Advento é tempo de graça para purificar a fé

0

O Advento nos diz que não basta acreditar em Deus: é preciso todos os dias purificar a nossa fé. Estas foram as palavras do Papa Francisco ao rezar com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro a oração do Angelus, nesse domingo (15). Em sua alocução, o Pontífice comentou as leituras do terceiro domingo do Advento, conhecido como domingo “da alegria”.

Alegria e dúvida

De um lado, o profeta Isaías faz um convite à alegria: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus […] ele que vem para vos salvar”. E então tudo se transforma: o deserto floresce, o consolo e a alegria tomam conta dos perdidos de coração, o coxo, o cego e o mudo são curados.

Já no Evangelho, João Batista vive um momento de dúvida: ‘És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?’. Jesus então realiza prodígios: “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”.

Novo nascimento

Esta descrição nos mostra que a salvação envolve todo o homem e o regenera, explicou o Papa. Mas este novo nascimento sempre pressupõe uma morte a nós e ao pecado que está em nós. Por isso devemos nos converter e converter, sobretudo, a ideia que temos de Deus. “O Advento, tempo de graça, nos diz que não basta acreditar em Deus: é preciso todos os dias purificar a nossa fé.”

Fábula

Trata-se de se preparar para acolher não um personagem de uma fábula, mas o Deus que nos interpela, nos envolve e diante do qual se impõe uma escolha.

O Menino que está no presépio, disse ainda Francisco, tem o rosto dos nossos irmãos e irmãs mais necessitados, dos pobres que “são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós”.

“Que a Virgem Maria nos ajude para que, enquanto nos aproximamos do Natal, não nos deixemos distrair pelas coisas exteriores, mas façamos espaço no coração Àquele que já veio e que quer vir mais uma vez a curar as nossas doenças e a nos dar a sua alegria.”

A tradição se repete: a bênção dos “bambinelli” na Praça São Pedro

Ao final da oração mariana, se repetiu uma tradição no terceiro Domingo do Advento, que este ano completa 50 anos: a bênção dos “bambinelli”, as imagens do Menino Jesus que serão colocadas no presépio.

Dirigindo-se às crianças, o Papa disse: “Levantem as imagens! Eu as abençoo de coração. O Presépio é como um Evangelho vivo. […] Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.”

Antes de o Papa abençoar as imagens, as crianças e suas famílias participaram de uma programação, que incluiu a Missa celebrada na Basílica Vaticana pelo cardeal Angelo Comastri, vigário do Pontífice para a Cidade do Vaticano.

Esta tradição nasceu em 1969 com o Papa Paulo VI, numa iniciativa dos centros paroquiais romanos, que, depois, se espalhou para muitos países. No dia 21 de dezembro daquele ano, a alocução de São Paulo VI foi inteiramente dedicada ao presépio: “Este reaviva a memória do grande acontecimento, o nascimento de Jesus, o Salvador, o Filho de Deus feito homem; e se torna um cenário evangélico, uma lição de espírito cristão”.

*Fonte: Site do Vatican News

Conteúdo Relacionado
X