Amizade entre os Povos: mensagem do Papa frisa partilha e proximidade

Foto: Chris Liverani via Unsplash

“Uma paixão pelo ser humano” é o tema da 43ª edição do Encontro para a Amizade entre os Povos que acontece de 20 a 25 de agosto em Rimini, na Itália. O Papa Francisco enviou uma mensagem ao evento, pedindo que comunidade cristã alimente a amizade social não dando “lições da sacada”, mas descendo “para as ruas sustentada por uma esperança confiável”.

O texto é assinado pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, e enviado ao bispo de Rimini, Dom Francesco Lambiasi. Francisco destaca o tema deste evento, uma temática que se transforma em um apelo aos cristãos hoje: no clima de “todos contra todos” é preciso redescobrir o caminho da atenção, do amor pelos outros, da proximidade, da busca pelo bem, como condição para ser plenamente nós mesmos.

“A fragilidade dos tempos em que vivemos é acreditar que não há possibilidade de resgate, de uma mão que te levanta, de um abraço que te salva, perdoa, te eleva, te inunda de um amor infinito, paciente e indulgente que te coloca novamente nos trilhos”, afirma o Papa. Este é “também o aspecto mais doloroso da experiência de muitos que viveram a solidão durante a pandemia ou que tiveram que abandonar tudo para fugir da violência da guerra”.

O exemplo do Bom Samaritano

A parábola do Bom Samaritano é hoje mais do que nunca uma palavra-chave, em sintonia com o tema do Encontro de Rimini. Nela se encarna a paixão incondicional por todo irmão e irmã que se encontra ao longo do caminho. Na descrição do Papa, não é “apenas generosidade”, mas reconhecer o próprio Cristo em cada irmão abandonado ou excluído.

Quem crê, explica o Papa, é chamado a ter o mesmo olhar, a mesma paixão de Cristo, que amou a todos sem exclusão: um “amor gratuito, sem medida e sem cálculos”. Francisco questiona como é possível olhar para quem está ao redor como um bem a ser respeitado em um mundo que hoje coloca “todos contra todos” e onde prevalecem “egoísmo e interesses partidários”. Mas também indicou o caminho.

“O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou programas de promoção e assistência, não um excesso de ativismo, mas antes de tudo uma atenção dada ao outro considerando-o como uma única coisa consigo. Essa atenção do amor é o início de uma verdadeira preocupação com sua pessoa” e do desejo de buscar seu bem. “Recuperar essa consciência é decisivo.” O outro, o encontro com o outro, segundo o Papa Francisco, é “a condição para nos tornarmos plenamente nós mesmos e dar frutos”.

A amizade social, fruto do doar-se aos outros

Doar-se aos outros constitui a amizade social que o Papa recomenda em sua mensagem. Trata-se da fraternidade aberta a todos, “um abraço que abate os muros e vai ao encontro do outro consciente de quanto cada pessoa concreta vale, em qualquer situação que se encontre. Um amor pelo outro pelo que ele é: uma criatura de Deus, feita à sua imagem e semelhança. Portanto, dotada de uma dignidade intangível, da qual ninguém pode dispor ou, pior, abusar”.

É essa amizade social que os fiéis são convidados a alimentar com seu testemunho. É essa amizade social que o Papa convida os participantes do encontro a promover. Encurtar as distâncias, inclinar-se para tocar a carne sofrida de Cristo no povo.

“Quanta necessidade os homens e mulheres do nosso tempo têm de encontrar pessoas que não dão lições da sacada, mas descem para as ruas a fim de partilhar a fadiga cotidiana da vida, sustentados por uma esperança confiável!”

Aos participantes do Encontro, Francisco pede que eles compreendam esse apelo, “continuando a colaborar com toda a Igreja no caminho da amizade entre os povos, ampliando no mundo a paixão pelo ser humano”.

O Encontro para a Amizade entre os Povos é promovido pelo movimento católico “Comunhão e Libertação”.

Fonte: Site Canção Nova

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