Encontro no Seminário Santo Antônio reflete sobre a ética da inteligência artificial

A relação entre tecnologia, ética e humanidade será tema de reflexão no encontro “Filosofia entre páginas: provocações”, promovido pela UniAcademia, no Campus do Seminário Santo Antônio, nesta terça-feira, 6 de maio, das 10h40 às 12h. A atividade contará com a apresentação do livro “A ética da inteligência artificial”, do filósofo italiano Luciano Floridi, conduzida pelo Diácono Jordano Paulo Magalhães Fuzatto.

Segundo o Diácono Jordano, a escolha da obra partiu da relevância do autor no debate contemporâneo sobre inteligência artificial e seus impactos na sociedade. “O livro de Luciano Floridi é, hoje, uma das leituras mais lúcidas sobre o que a IA está fazendo com o nosso modo de viver. Floridi não é um técnico nem um entusiasta — é um filósofo da informação, e isso faz toda a diferença”, destaca.

Para ele, o grande diferencial da obra está justamente em deslocar o debate da tecnologia em si para as implicações humanas e sociais provocadas por ela. “Ele consegue mostrar que a discussão sobre inteligência artificial não é, em primeiro lugar, uma discussão sobre máquinas, mas sobre nós mesmos: sobre que tipo de mundo estamos desenhando ao desenhar essas tecnologias”, explica.

O encontro propõe uma reflexão filosófica sobre os avanços tecnológicos atuais, especialmente diante da velocidade com que a inteligência artificial tem transformado diferentes áreas da vida cotidiana. O diácono esclarece que a filosofia tem um papel essencial nesse processo, por provocar questionamentos mais profundos sobre o uso dessas ferramentas.

“A filosofia faz uma pergunta que a engenharia, sozinha, não consegue fazer: para quê? Saber como uma tecnologia funciona é tarefa do técnico. Saber se ela deve ser usada, em que medida, com quais limites e a serviço de que fins — isso exige reflexão filosófica”, afirma.

Diácono Jordano também destaca a importância da fé e dos valores humanos no debate sobre inteligência artificial. Segundo ele, a discussão inevitavelmente conduz à pergunta sobre o que significa ser humano. “A IA imita capacidades nossas — fala, raciocínio, criatividade, decisão. Diante disso, somos forçados a perguntar o que, em nós, não pode ser imitado”, explica.

Nesse sentido, ele recorda que a tradição cristã oferece uma compreensão profunda sobre a dignidade da pessoa humana. “A tradição cristã tem uma resposta antiga e densa para essa pergunta: o ser humano é imagem de Deus, criado para a comunhão, dotado de uma vocação que nenhum sistema técnico pode replicar. A fé não se opõe à tecnologia — mas oferece critérios para que ela permaneça a serviço da pessoa, e não o contrário”, pontua.

Embora o tema envolva conceitos filosóficos e tecnológicos, Jordano ressalta que o encontro será acessível também para quem não possui conhecimento prévio na área. “A apresentação foi pensada para uma turma de graduação em Filosofia, mas quem chegar sem familiaridade prévia com o tema vai conseguir acompanhar e levar reflexões para casa”, ressalta.

A proposta do momento, segundo ele, não é oferecer respostas prontas, mas abrir espaço para o diálogo e para o pensamento crítico: “A inteligência artificial é um tema que mexe com muita gente — uns com entusiasmo, outros com receio — e nem sempre temos espaço para conversar sobre isso com calma. A ideia é justamente essa: oferecer um momento de pausa, ler com cuidado um autor que tem refletido seriamente sobre o assunto, e deixar que cada um leve as perguntas que mais o tocarem”.

Por fim, o diácono ressalta a importância de iniciativas como essa dentro do ambiente acadêmico e pastoral, especialmente diante dos desafios contemporâneos. “A Igreja sempre se preocupou em ler os sinais dos tempos à luz do Evangelho, como nos lembrou o Concílio Vaticano II. A inteligência artificial é, sem dúvida, um desses sinais. Promover esse tipo de diálogo no ambiente acadêmico e pastoral é formar pastores e fiéis capazes de habitar este mundo técnico com lucidez, sem fugir dele e sem se render a ele”, frisa.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pela plataforma Sympla (clique aqui).

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