Na manhã do último domingo, 8 de março, Dom Marco Aurélio Gubiotti presidiu sua primeira Missa após a posse canônica como Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora. A celebração foi marcada por reflexões sobre esperança, fé e solidariedade, especialmente diante do contexto vivido pela cidade após o período de fortes chuvas.
Durante entrevista concedida após a celebração à WebTV A Voz Católica, o Arcebispo relacionou a liturgia do dia com a realidade enfrentada pela população. Ao recordar o episódio do povo de Israel no deserto, que sofria pela falta de água, ele destacou que situações de dificuldade também podem provocar desânimo e incertezas.
“Nós vimos hoje, na Palavra de Deus, essa situação de um certo desespero que o povo ficou no deserto por falta d’água. O problema nosso aqui foi excesso, mas também pode causar um desespero, pode fazer a gente não ver mais nada à frente, não ter mais esperança. E a Palavra de Deus vem ser luz, vem ser fonte. E quando a gente acolhe essa Palavra, o nosso coração se torna fonte também, que o nosso coração nunca, jamais, perca a esperança da presença de Deus”, afirmou.
Dom Marco Aurélio também ressaltou a importância dos gestos de solidariedade que surgiram em meio às dificuldades enfrentadas por muitas famílias. Segundo ele, a mobilização da sociedade é um sinal concreto da presença de Deus junto aos que sofrem.
“Que a gente possa reconhecer naquelas pessoas que estão manifestando solidariedade também um sinal do carinho e da presença do Senhor na vida daqueles que estão desabrigados, inclusive dos queridos irmãos que perderam algum ente querido. O Senhor é a nossa força, o Senhor é a nossa esperança”, completou.
Reflexão quaresmal
Na homilia, Dom Marco Aurélio recordou que o tempo da Quaresma é um caminho espiritual de preparação para a Páscoa. Para ele, trata-se de um percurso que convida os cristãos a uma transformação interior, passando “do pecado para a graça e da morte para a vida”.
Ao comentar a primeira leitura, que narra a experiência do povo de Israel no deserto, o Arcebispo destacou que a liberdade exige responsabilidade e maturidade. Ele explicou que, diante das adversidades da caminhada, o povo murmurou contra Deus e contra Moisés por causa da falta de água. A resposta divina, porém, foi providenciar água a partir da rocha.
Para o Pastor Arquidiocesano, o sentido do milagre não está apenas no extraordinário, mas na capacidade de reconhecer, com fé, a ação de Deus nos acontecimentos da vida. “Para quem não tem fé, a coisa mais extraordinária não tem significado algum relativo ao amor de Deus. Para quem tem fé, um bonito amanhecer é sinal do carinho e do amor que Deus tem por nós”, refletiu.
A sede que o coração humano carrega
Refletindo sobre o Evangelho do encontro de Jesus com a mulher samaritana, o Arcebispo convidou os fiéis a se perguntarem qual é a “sede” que carregam no coração. Segundo ele, enquanto o povo do deserto buscava apenas uma solução imediata para sua necessidade, Jesus apresenta uma água que sacia de forma mais profunda: a água viva, que representa o amor e a graça de Deus.
Dom Marco Aurélio destacou ainda o gesto de acolhimento de Jesus à mulher samaritana, que vivia em situação de discriminação social. Para o Arcebispo, a atitude de Cristo revela que o preconceito e a exclusão são incompatíveis com o Evangelho. “Não existe atitude menos cristã, mais antievangélica, do que a discriminação e o preconceito”, afirmou.
Ao final da reflexão, ele recordou que, após encontrar Jesus, a mulher samaritana abandona o cântaro que leva ao poço e corre para anunciar aos outros o encontro com o Messias. Segundo Dom Marco Aurélio, esse gesto simboliza a transformação provocada pela fé. “Aquele que se encontra com Cristo passa também a ser fonte, levando a outros a experiência do amor de Deus”, concluiu.
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