Agosto é um mês especial para a Igreja: nele, somos convidados a refletir sobre os diferentes chamados de Deus. Ao longo de quatro semanas, celebramos a vocação sacerdotal, a vida familiar, a vida consagrada e, para concluir, a vocação leiga. Essa última é lembrada no último domingo do mês e recorda a todos os cristãos que seguir Jesus não é apenas tarefa de alguns, mas missão de todos os batizados.
No trabalho, na família, na comunidade e em cada gesto do cotidiano, os leigos são chamados a serem sal da terra e luz do mundo. Dentro desta vocação, de maneira particular, a Igreja dedica esta data aos catequistas: homens e mulheres que, com generosidade, dedicam tempo e coração para transmitir a fé e formar discípulos de Cristo.
Na Catedral Metropolitana de Juiz de Fora, uma das responsáveis por esse serviço é Luzia Helena Vale Fonseca, de 49 anos, catequista há 18 anos e Coordenadora da Catequese da Catedral desde 2018. Seu testemunho mostra como a vocação leiga nasce do simples, mas se torna grande quando sustentada pela fé.

Um chamado que veio da infância
Natural do interior, Luzia cresceu em um ambiente de oração cultivado pela própria mãe. Ela recorda que, sem a possibilidade de participar de celebrações frequentes como acontece hoje nas cidades, sua mãe encontrava formas criativas e cheias de carinho para apresentar Jesus à família.
“Ela nos mostrava que não podíamos viver sem Jesus. Às vezes reunia apenas os filhos, às vezes também os vizinhos, mas havia sempre o terço, a oração em família, a palavra de incentivo. Isso ficou gravado em mim”, conta.
Depois de adulta e já casada, quando sua filha mais nova tinha quatro anos, Luzia sentiu o desejo de assumir a missão catequética. Desde então, nunca mais deixou a sala de catequese. “Ao ver outras pessoas ensinando, entendi que era o meu lugar, que era aquilo que Deus queria de mim”, diz.
Para ela, a missão catequética está profundamente ligada à memória de sua mãe, que foi sua primeira inspiração na fé. “Estar na catequese é estar perto da minha mãe, que já faleceu. Ela é minha maior inspiração. A catequese me deixa perto dela, e por isso não consigo sair daqui”, partilha.
Catequese que alcança famílias
Hoje, coordenando um grupo de 53 catequistas, Luzia acompanha de perto a caminhada de 21 turmas, que vão da preparação para a Primeira Eucaristia até a Crisma de jovens e adultos. Para ela, a catequese não é apenas para as crianças: é um espaço onde famílias inteiras encontram a fé.
“Enquanto os filhos estão na catequese, muitos pais também se preparam para os sacramentos. Este ano, teremos 12 batismos de adultos, 65 primeiras Eucaristias e, no início do próximo ano, 165 Crismas. É um momento de muita alegria, porque percebemos que a fé se espalha pela família toda”, explica.

Acolher como Jesus
Entre as muitas histórias marcantes ao longo desses 18 anos, Luzia destaca uma experiência recente: a primeira Eucaristia de um catequizando autista.
“A comunidade ficou emocionada ao ver aquela criança consciente do que estava vivendo. Eu mesma me emocionei ao acompanhá-lo de volta ao banco, vendo colegas e amigos chorando de alegria. Foi uma prova concreta de que Jesus acolhe a todos, sem distinção. E a catequese precisa refletir isso: ser inclusiva, aberta e cheia de amor”, relembra.
Pedagoga, Luzia trouxe para a catequese sua experiência com inclusão, sempre reforçando que cada criança precisa ser olhada em sua particularidade. “Catequizar é como brincar: tem que ser suave, não pode ser algo impositivo. É acolher como Jesus acolhia”, pontua.
Uma missão em rede
A catequista faz questão de ressaltar que sua vocação só se realiza plenamente em comunhão. Ela cita a dedicação dos catequistas e a presença constante do Pároco, Padre João Paulo Teixeira Dias.
“
Eu brinco que os catequistas são meus anjos da guarda, e o Padre João Paulo é o nosso anjo maior. Ele participa, acolhe, orienta, está sempre presente para nos ouvir e nos apoiar. Ninguém caminha sozinho: a catequese é uma rede, sustentada pela união e pelo amor”, destaca.
Desafios e esperanças
Assim como toda vocação, a missão catequética também enfrenta desafios. Para Luzia, o maior deles é lidar com as diferentes realidades humanas em um mundo que muitas vezes relativiza os valores da fé.
“Cada pessoa tem sua história, suas dificuldades e limitações. É preciso paciência, discernimento e muito amor. Mas o desafio é também o que dá sentido: ver vidas sendo transformadas pelo encontro com Cristo compensa qualquer esforço”, afirma.
Vocação que transforma
Encerrando o Mês Vocacional, o testemunho de Luzia mostra como a missão dos catequistas é essencial na vida da Igreja. Ao transmitir a fé com simplicidade, acolhimento e amor, eles não apenas formam crianças e jovens, mas tocam famílias inteiras, ajudando-as a redescobrir o valor de viver com Cristo.
Como resume a própria catequista: “Quem catequiza uma criança, catequiza uma família. O que diferencia a catequese é o amor. E é esse amor que sustenta a nossa missão”.
Em vista do Dia do Catequista, no próximo domingo, acontece o Jubileu dos Catequistas da Arquidiocese. O encontro será no em Santos Dumont (MG). A tarde de programação especial terá início às 13h com acolhida na Paróquia São Sebastião, seguida de caminhada jubilar até o Santuário Arquidiocesano São Miguel e Almas.