Segundo dia do Congresso de Educação Católica traz falas de Dom Vincenzo Zani e Dom Gil

0

O segundo dia do Congresso Internacional de Educação Católica foi de intensos trabalhos. O evento, iniciado na noite de sexta-feira (1º), teve continuidade com quatro palestras, divididas entre manhã e tarde, com destaque para a primeira fala de Dom Vincenzo Zani, Secretário da Congregação para Educação Católica de Roma.

O dia começou com uma Santa Missa em memória dos fiéis falecidos. Em seguida, a primeira conferência do sábado (2) foi ministrada pelo Professor Luis Eduardo Duarte Novais, doutorando e mestre em Educação pela PUC-SP. Ele dissertou sobre “Os quatro nãos da história”. Durante a palestra, o professor abordou o que é necessário para tornar os alunos mais santos e lembrou a importância de os professores usarem sua essência em todos os lugares, incluindo nas escolas não católicas em que trabalham.

“Ao longo da história da humanidade, nós identificamos quatro momentos em que as sociedades disseram ‘não’ ao projeto de Deus. Primeiro, um não à Igreja Católica; depois, à pessoa de Jesus Cristo; mais adiante o não ao próprio Deus e, agora, contemporaneamente, o não à pessoa humana. O ser humano nega-se a si mesmo enquanto imagem e semelhança de Deus, ferindo a sua identidade original. Nós queremos mostrar como estes ‘nãos’ dados em momentos diferentes da nossa história repercutem até hoje e, infelizmente, como a própria escola católica vai de alguma forma se influenciando por estes mesmos ‘nãos’”, disse o Prof. Luis Eduardo.

Logo após, o Professor Luiz Raphael Tonon, pós-graduado em Docência Superior pelo Centro Universitário Claretiano, falou sobre a “História da Igreja no Brasil”. Ao abordar o tema, que segundo ele é bastante complexo, o palestrante deu algumas pistas, caminhos e pontos de partida para pesquisa, indicando bibliografias e arquivos que podem servir para o estudo. “A história da Igreja no Brasil é um tema bastante denso e pouco explorado, tanto no meio historiográfico como no eclesiástico. Neste âmbito de escolas católicas fala-se pouco. É uma temática acostumada à pouca bibliografia que nós temos”, revelou.

Parte da tarde

Após o almoço, os participantes do Congresso de Educação Católica assistiram à primeira conferência de Dom Vincenzo Zani, na qual foi tratado “Como ensinar História em nossas escolas católicas ou públicas diante das ideologias morais e políticas do mundo de hoje”. Por não conhecer especificamente a situação brasileira, o Secretário da Congregação para Educação Católica de Roma levou aos presentes um quadro geral da problemática no mundo. “É muito importante os professores do Brasil conhecerem também a situação mundial. A partir dos séculos XVII, XVIII e XIX, o modo de ensinar História mudou muito no mundo inteiro, e devemos ter essa visão de mudança, de como ensinar História a partir desses séculos. Pela mudança que houve sociológica e filosófica, ensinar História hoje é um grande desafio para todos os professores”.

Dom Vincenzo ainda pontuou que não deveria haver diferença no ensino da disciplina entre escolas cristãs e não-confessionais. “História é história, é objetiva. Não deve ser vista de um ponto de vista cristão ou laico. Deveria ser ensinada a verdade, não puxar para um lado ou para o outro”.

Durante sua fala, o religioso falou sobre as mudanças provocadas pelos novos meios de comunicação e os desafios de se elaborar a “consciência de uma comunidade”. “A História, como disciplina e método de ensino, não é de modo algum imune ao advento da digitalização. A educação é chamada a se transformar e poderá, por sua vez, transformar o mundo, se colocar como base do seu planejamento o princípio da fraternidade universal e da solidariedade. Hoje, mais do que nunca, é urgentemente necessária uma mudança: uma educação capaz de cumprir com paciência e dialogar de maneira construtiva, que faça a unidade prevalecer sobre o conflito”.

O arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, Mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, foi o último palestrante do dia. O pastor falou sobre a “Doutrina Social da Igreja”, apresentando os principais documentos e ensinamentos sobre o tema. “A Doutrina Social da Igreja quer nos posicionar diante dos grandes problemas sociais. A Igreja tem uma palavra; não dela, mas de Cristo. Ela traduz para a época atual aquilo que Cristo viveu e ensinou a respeito da pobreza e das injustiças sociais. Essa doutrina quer ser um serviço aos católicos e a todas as pessoas de boa vontade”, afirmou.

Durante sua fala, Dom Gil também afirmou que “a caridade é a via mestra da Doutrina Social da Igreja”, cujas reflexões e opções são inspiradas em Cristo. “A Doutrina Social da Igreja pode despertar dificuldades, mas ela tem um princípio que a salva: é a voz de Deus, é a voz de Cristo no mundo de hoje para ajudar os Seus filhos a enfrentar os grandes problemas da atualidade sem se deixar levar por correntes que não têm os princípios do Santo Evangelho”, finalizou.

Uma apresentação cultural-sacra do Coral e Orquestra Pró-Música/UFJF encerrou o dia de atividades. A programação do 1º Congresso Internacional de Educação Católica segue neste domingo (3), a partir das 8h, com nova fala de Dom Vincenzo Zani, no Auditório Mater Ecclesiae, no prédio da Cúria Metropolitana. Para o dia, ainda estão previstas conferência com Dom José Francisco Falcão de Barros, mesa-redonda e uma visita guiada à Catedral Metropolitana.

Conteúdo Relacionado
X