Fé, procissão e compromisso com os que sofrem marcam segunda-feira santa em Juiz de Fora

Procissão do depósito da imagem de Nossa Senhora das Dores

A Semana Santa em Juiz de Fora segue sendo vivida com intensidade pelos fiéis, que participam das celebrações que recordam os últimos passos de Jesus antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Na última segunda-feira, 30 de março, a programação da Segunda-feira Santa foi marcada pela Santa Missa na Catedral Metropolitana de Juiz de Fora, seguida de procissão com a imagem de Nossa Senhora das Dores até a Igreja São Sebastião, no Centro.

A celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Marco Aurélio Gubiotti, e concelebrada pelo Pároco da Catedral, Padre João Paulo Teixeira Dias. Em sua homilia, Dom Marco conduziu os fiéis a uma profunda reflexão sobre o mistério da cruz à luz dos chamados Cânticos do Servo do Senhor, presentes no livro do profeta Isaías e proclamados na liturgia ao longo da Semana Santa.

O Pastor Arquidiocesano explicou que a morte de Jesus na cruz foi, para o povo da época, motivo de escândalo e incompreensão, pois a cruz era sinal de maldição e vergonha. No entanto, é justamente na cruz que se revela o amor de Deus e a salvação da humanidade. Segundo ele, os primeiros cristãos compreenderam o sentido da morte de Cristo ao reconhecerem que Jesus realizava aquilo que havia sido anunciado séculos antes pelo profeta Isaías, na figura do Servo do Senhor: aquele que não levanta a voz, que não apaga o pavio que ainda fumega, mas que traz esperança, justiça e libertação.

Dom Marco Aurélio destacou que Cristo é aquele que reacende a esperança no coração da humanidade e que a sua entrega na cruz transforma o sofrimento em caminho de salvação. Por isso, a Semana Santa é um tempo privilegiado para que os cristãos contemplem esse mistério e renovem a fé.

Ao comentar o Evangelho proclamado na celebração, que narra o gesto de Maria ao ungir os pés de Jesus com um perfume de grande valor, o Arcebispo também chamou a atenção para o verdadeiro significado da frase de Jesus: “Pobres sempre tereis entre vós”. Ele explicou que essa expressão não é uma justificativa para a indiferença, mas um apelo à responsabilidade permanente dos cristãos para com os mais necessitados.

“O modo de honrarmos Jesus hoje, já que não temos mais a sua presença física, é cuidar dos irmãos que sofrem, dos pobres, dos necessitados. Ele se identificou com eles”, destacou o Arcebispo, lembrando ainda a solidariedade recebida pela cidade recentemente e reforçando que essa experiência também aumenta a responsabilidade dos cristãos de serem presença e esperança na vida de quem sofre.

Após a Missa, os fiéis seguiram em procissão com a imagem de Nossa Senhora das Dores, saindo da Catedral em direção à Igreja São Sebastião. O percurso, marcado pelo silêncio, pela oração e pela meditação das dores de Maria, recorda o sofrimento da Mãe diante da Paixão do Filho e ajuda os fiéis a entrarem, de forma mais profunda, no mistério celebrado durante a Semana Santa.

A imagem foi acolhida na Igreja São Sebastião, onde permanece para a veneração dos fiéis até a noite de terça-feira. O capelão da igreja, Pe. Wieslaw Kaminski, SVD, destacou o significado desse momento para a comunidade. Segundo ele, a presença da imagem de Nossa Senhora das Dores recorda aos fiéis a dimensão materna de Maria e sua união com o sofrimento de Cristo.

A Igreja São Sebastião permanece aberta durante esta terça-feira (31) para que os fiéis possam se aproximar, fazer sua oração e meditar sobre as dores de Maria e o mistério da Paixão do Senhor. A noite, após a Missa das 19h, a imagem segue novamente em procissão para a Catedral, onde acontece o tradicional Sermão do Encontro, quando as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos se encontram, recordando o encontro de Jesus com sua Mãe no caminho do Calvário.

Ao final das celebrações, Dom Marco reforçou o convite para que os fiéis continuem participando intensamente da programação da Semana Santa. Segundo ele, cada celebração, procissão e momento de oração ajuda os cristãos a se prepararem para celebrar, com fé e esperança, o mistério central da fé cristã: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

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