Peregrino da fidelidade: a vida sacerdotal de Pe. Augusto como resposta ao chamado

Começamos o mês vocacional, falando sobre um dos mais antigos padres de nossa arquidiocese

No Mês Vocacional, a Igreja no Brasil celebra, a cada semana, uma vocação específica — sacerdotal, matrimonial, religiosa e leiga — reconhecendo nelas diferentes formas de resposta ao chamado de Deus. Inspirados pelo tema de 2025, “Peregrinos porque chamados”, destacamos a vida e a missão do Pe. Augusto Antônio da Silva, sacerdote com 60 anos de ordenação, cuja trajetória nos ajuda a compreender que toda vocação é um caminho: um passo após o outro, guiado pela fé, sustentado pela escuta e vivido na fidelidade.

Natural de Brás Pires (MG), Padre Augusto nasceu em 26 de novembro de 1935. Aos 14 anos, ingressou no Seminário Menor Sagrado Coração de Jesus, em Miguel Burnier, um distrito de Ouro Preto (MG), iniciando uma jornada marcada pela fidelidade. Em 1965, foi ordenado padre na Igreja Mater Dei, em Roma, e desde então dedicou sua vida ao serviço da Igreja, passando por diversas cidades e paróquias — incluindo Juiz de Fora, onde marcou presença nas comunidades de São Mateus, Santa Teresinha, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora Auxiliadora.

Hoje, aos 87 anos, Pe. Augusto vive no Lar Sacerdotal da Arquidiocese de Juiz de Fora. Com serenidade, recorda sua trajetória sem triunfalismo, mas com a gratidão de quem, ao longo de seis décadas, entendeu que o ministério não se mede por feitos extraordinários, mas por uma constância silenciosa e fiel. “Eu sou um padre comum, mas sempre correspondi àquilo que é minha obrigação: ser padre, ser orientador, rezar, atender as pessoas e ser um instrumento de Deus”, resume.

Sua fala simples é carregada de sabedoria espiritual: “Para servir a Deus, você tem que se dispor. Se você começa a limitar, acabou tudo”, disse o sacerdote. Para ele, o padre não é um “senhor”, mas um “servidor”, alguém que se faz ponte para que outros alcancem Deus.

Padre Augusto também destaca que o presbítero precisa, sobretudo, saber ouvir. “As pessoas têm muita necessidade de alguém que ouça com humildade. O padre está ali não para julgar, mas para ouvir, refletir, rezar com a pessoa”, reforça. Segundo ele, essa escuta atenta e humilde é a forma mais concreta de representar Cristo no meio do povo. “Se eu não valorizo meu sacerdócio, os outros não me procuram. E valorizar não é querer aparecer, é ser disponível”, completa.

Sua própria vocação nasceu do testemunho silencioso e da fé de sua família, especialmente de sua mãe. “A maior graça que ela achava que teve na vida foi ter um filho padre. E isso valorizou muito aquele ato”, conta. É nesse ponto que sua história se entrelaça com a de tantas famílias cristãs, que, ao educarem filhos na fé, participam diretamente da construção de outras vocações.

Neste mês vocacional, a vida do Pe. Augusto nos recorda que toda vocação floresce no terreno fértil da escuta, da disponibilidade e da fidelidade. Ao olhar para sua trajetória, compreendemos que a vocação sacerdotal não é feita apenas de grandes feitos visíveis, mas de uma presença constante, discreta e firme que sustenta e conduz. Pe. Augusto é um desses homens que, ao longo de décadas, foi presença de Deus onde esteve — fosse no altar, no confessionário, numa conversa simples no portão da igreja ou no silêncio orante de um quarto.

Sua vocação é também testemunho de que a resposta ao chamado não acontece de forma isolada. Como ele mesmo reconhece, foi o ambiente familiar que fortaleceu sua caminhada. A fé da mãe, a simplicidade da vida, o apoio da comunidade — tudo isso o ajudou a dizer “sim” e a sustentá-lo ao longo dos anos. Assim, sua história nos lembra que a vocação sacerdotal nasce muitas vezes no seio de uma família vocacionada, que educa na fé, que reza, que acompanha, e que oferece com alegria aquilo que tem de mais precioso: um filho para o serviço de Deus.

Padre Augusto, com seus 60 anos de sacerdócio, nos ajuda a entender que, mais do que “fazer coisas”, o chamado é para “ser” — ser instrumento, ser consolo, ser luz. Um padre que se entende como servidor e se dispõe a ouvir. Um padre que se define não por cargos ou títulos, mas por ter sido fiel. E essa fidelidade silenciosa, que permanece mesmo quando os aplausos cessam, talvez seja a maior prova de uma vocação bem vivida. Por isso, sua vida é, ao mesmo tempo, memória e profecia: um legado que inspira, e um convite para que outros também se deixem tocar por essa graça.

É possível conhecer mais sobre a história deste padre assistindo uma entrevista sua ao Café Vocacional da WebTV A Voz Católica em 2019: clique aqui e confira.

Notícias

Instagram

This error message is only visible to WordPress admins
There has been a problem with your Instagram Feed.

Facebook

Veja Também

Veja Também