No último domingo, 5 de abril, a Igreja celebrou a Páscoa do Senhor, a maior e mais importante solenidade do calendário litúrgico cristão, que recorda a vitória de Cristo sobre a morte e o pecado por meio de sua ressurreição. Na Catedral Metropolitana, a programação reuniu grande número de fiéis ao longo de todo o dia, com sete celebrações eucarísticas.
Às 9h30 aconteceu a tradicional e solene procissão do triunfo em honra de Nossa Senhora, que saiu da gruta dedicada a Nossa Senhora Aparecida em direção à Catedral, celebrando a alegria da ressurreição do Senhor. Em seguida, o Arcebispo Metropolitano, Dom Marco Aurélio Gubiotti, presidiu a Missa solene.
Durante a homilia, Dom Marco Aurélio destacou que a Páscoa é a meta de toda a caminhada espiritual vivida pelos cristãos desde o início da Quaresma, na Quarta-feira de Cinzas. Segundo ele, todo o percurso quaresmal tem uma direção e um sentido: conduzir os fiéis à celebração do mistério central da fé cristã, a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
O Arcebispo ressaltou que a Páscoa não deve ser entendida apenas como uma recordação de acontecimentos passados, mas como um memorial, ou seja, uma realidade que se torna presente e que deve ser vivida concretamente pelos cristãos. “Não é uma mera lembrança, mas a experiência desse mistério para nos tornarmos testemunhas qualificadas”, afirmou.
Refletindo sobre o Evangelho proclamado na celebração, que narra a ida de Maria Madalena ao túmulo de Jesus ainda de madrugada, o Pastor Arquidiocesano chamou atenção para o caminho de fé vivido pelos primeiros discípulos diante do túmulo vazio. Maria vai ao túmulo por amor e devoção, esperando apenas prestar homenagem a Jesus, mas se depara com a pedra retirada e o túmulo vazio. Ao avisar os apóstolos, Pedro e o discípulo amado correm até o local e encontram as faixas de linho no chão e o pano que cobria a cabeça de Jesus dobrado à parte.
Segundo Dom Marco Aurélio, esses sinais mostram que não houve roubo do corpo de Jesus, como Maria inicialmente pensou, mas apontam para a ressurreição. No entanto, é o discípulo amado quem dá o passo da fé primeiro. Mesmo vendo a mesma coisa que Pedro, ele acredita. Para o Arcebispo, esse detalhe revela uma importante: a fé nasce do amor e da proximidade com Cristo. “Quem ama se empenha mais. É essa fé qualificada pelo amor que faz o discípulo dar o passo”, explicou.
A partir dessa reflexão, destacou que o Evangelho apresenta um verdadeiro caminho de fé: Maria Madalena encontra o túmulo vazio, Pedro vê os sinais e o discípulo amado acredita mesmo antes de ver Jesus ressuscitado. Esse caminho prepara aquilo que o próprio Cristo dirá a Tomé: “Felizes aqueles que creram sem ter visto”. Segundo o Arcebispo, essa bem-aventurança é dirigida a todos os cristãos, que, mesmo sem terem visto, acreditam na ressurreição.
Outro ponto destacado na homilia foi o querigma, palavra que significa o primeiro anúncio da fé cristã. Ele explicou que o querigma é o anúncio fundamental e permanente da Igreja: Cristo morreu na cruz para a salvação da humanidade, ressuscitou ao terceiro dia e permanece vivo no meio de nós. Esse anúncio, segundo ele, não é apenas o início da vida cristã, mas deve ser constantemente retomado e vivido pelos fiéis.
O Arcebispo também recordou a primeira leitura do dia, que apresenta Pedro já convertido e anunciando Jesus Cristo após a ressurreição. Para Dom Marco, a ressurreição transforma os discípulos, que deixam o medo e passam a viver a dimensão testemunhal da fé.
Ao final da homilia, o Pastor Arquidiocesano convidou os fiéis a refletirem sobre o próprio testemunho cristão no cotidiano. Ele ressaltou que a vivência da fé não termina na Sexta-feira Santa, quando se recorda a morte de Cristo, mas se completa na alegria da ressurreição, que deve ser anunciada e testemunhada. “Só é cristão de verdade quem não tem medo, preguiça ou vergonha de testemunhá-Lo”, afirmou.
Dom Marco Aurélio ainda destacou que o primeiro lugar de testemunho é a própria casa, a família, e depois a comunidade e todos os ambientes da sociedade, como escola, universidade e trabalho. Segundo ele, a fé deve germinar e dar frutos na vida concreta e nas relações do dia a dia.
A celebração da Páscoa na Catedral também foi marcada pela recordação do batismo de um adulto durante a Vigília Pascal, celebrado na noite anterior. Para o Arcebispo, o aumento do número de adultos que procuram o batismo é um sinal de vitalidade da Igreja e do compromisso dos cristãos em testemunhar a fé.