A Santa Sé divulgou nesta quinta-feira, 5, o novo Estatuto da Fundação João Paulo II para o Sahel. O texto foi aprovado pelo Papa Leão XIV durante uma audiência com o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, e alinha o status canônico ao quadro normativo vigente para as Pessoas Jurídicas instrumentais da Cúria Romana e à normativa sobre o patrimônio da Sé Apostólica.
O organismo foi fundado em 1984 por vontade do então Papa João Paulo II com o objetivo de aliviar o sofrimento dos povos do Sahel, região africana que corresponde a um “cinturão” entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. As palavras do Pontífice polonês proferidas em 10 de maio de 1980 em Ouagadougou, em Alto Volta (atual Burkina Faso), acenderam a centelha que favoreceu o nascimento da fundação.
Diante da falta de água, de alimentos e do avanço da desertificação, São João Paulo II lançou ao mundo inteiro um apelo solene à ação, tornando-se “a voz daqueles que não têm voz: a voz dos inocentes que morreram por não terem água e pão; a voz dos pais e das mães que viram seus filhos morrerem sem entender”.
A Fundação João Paulo II para o Sahel foi constituída em 22 de fevereiro de 1984. O estatuto estabelece que a fundação é uma entidade jurídica instrumental do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, regulada pelo direito canônico e civil Vaticano aplicável às pessoas jurídicas com sede na Cidade do Vaticano. A sede legal é no Vaticano, enquanto a sede operacional é em Ouagadougou.
Apoio a países
Em nota, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral expressou satisfação pela publicação do novo Estatuto, “resultado de um longo e compartilhado processo de reforma institucional da fundação”. O processo foi acompanhado pelo bispo de San, no Mali, e membro do Conselho de Administração da Fundação, Dom Florent Hassa Koné, nomeado como delegado pontifício em dezembro de 2024.
O texto sublinha que este caminho foi levado a cabo pelo dicastério em colaboração com a Secretaria de Estado, a Secretaria para a Economia e o Governatorato. Com o novo Estatuto, “a fundação aproxima-se ainda mais da Igreja local, acompanhando com flexibilidade os processos para um progresso mais rápido e sustentável e respondendo de forma específica aos muitos desafios que o território enfrenta”, afirma a nota.
Nove países fazem parte da fundação: Burkina Faso, Cabo Verde, Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali, Mauritânia, Níger, Senegal e Chade. O objetivo principal é promover a formação de pessoas que se dedicam ao serviço do seu país e dos seus semelhantes, sem discriminação, em um espírito de desenvolvimento humano integral e solidário, para combater a desertificação e as suas causas e para prestar assistência às vítimas da seca nos países do Sahel.
Neste contexto, a fundação dá, portanto, prioridade à formação de facilitadores e especialistas locais, bem como ao financiamento de projetos nas áreas de desenvolvimento técnico, sociossanitário, socioagrícola, socioeconômico, desenvolvimento integral e meio ambiente. Por sua vez, o Papa coloca à disposição da Fundação os rendimentos das coletas organizadas em todo o mundo católico em benefício do Sahel.
*Fonte: Canção Nova