Entre os dias 1º e 8 de março de 2026, a Arquidiocese de Juiz de Fora promove uma semana missionária voltada às famílias atingidas pelas fortes chuvas que castigaram a cidade nas últimas semanas. A iniciativa une presença, oração e solidariedade, com o objetivo de levar conforto espiritual àqueles que, além das perdas materiais, enfrentam o sofrimento emocional e a incerteza diante da reconstrução.
Inspirada na Palavra de Deus — “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40) — a missão busca reconhecer Cristo presente em cada família atingida. A Missa de envio dos missionários aconteceu no último domingo, 1º de março, às 10h, na Catedral Metropolitana, e foi presidida pelo Administrador Apostólico, Dom Gil Antônio Moreira.
Uma resposta que nasceu da urgência
A iniciativa partiu de um grupo de leigos que já acompanhava, de perto, as ações solidárias realizadas pela Igreja, especialmente na arrecadação e distribuição de donativos. Entre os idealizadores está Letícia Cristina Pereira, que explicou como surgiu o desejo de ampliar essa atuação.
“Percebemos que a Igreja já estava muito presente na linha de frente, ajudando com doações, comida, roupa, tudo o que é concreto e material — e isso é muito importante. Mas sentimos que talvez pudéssemos contribuir também com algo que ainda não tivesse sido feito: estar nos locais para escutar, rezar com as pessoas, levar objetos de devoção”, contou.
Segundo ela, muitas famílias perderam tudo, inclusive seus objetos religiosos. Por isso, os missionários passaram a organizar a distribuição de terços, exemplares do Novo Testamento e Bíblias, como sinal de recomeço na vida de fé e esperança.
A proposta surgiu de maneira espontânea. Como se trata de uma situação emergencial, a organização aconteceu praticamente de um dia para o outro. “Pensamos que, se esperássemos muito para estruturar, talvez os abrigos até se desmobilizassem e perderíamos essa oportunidade. Então decidimos agir com urgência”, explicou.
Organização e presença nos abrigos
Para garantir a cobertura dos locais, a missão foi estruturada com dois a três coordenadores responsáveis por cada abrigo. Esses coordenadores organizaram grupos de missionários, vindos de diferentes pastorais, movimentos e comunidades, que assumiram o compromisso de visitar os abrigos ao longo de toda a semana.
As visitas incluem momentos de escuta, oração do Terço Mariano e do Terço da Misericórdia, louvor e partilha da Palavra de Deus. Em alguns abrigos, por questões organizacionais, não foi possível a entrada dos grupos – o que não foi o suficiente para desanimar os missionários que rezaram em frente ao local. Em outros, porém, as portas foram abertas e as famílias acolheram a presença dos missionários.
A missão será concluída no dia 8 de março, data dedicada à Nossa Senhora das Lágrimas. Para Letícia, a escolha do período não foi por acaso. A iniciativa nasceu também do desejo do Apostolado de Nossa Senhora das Lágrimas, que tradicionalmente realiza um encontro nessa data. Neste ano, diante das circunstâncias, incluindo as consequências das chuvas e a própria transição episcopal, o grupo compreendeu que o chamado era outro. “A gente entendeu que, na verdade, Nossa Senhora queria ir ao encontro das pessoas”, afirmou Letícia.
Uma missão verdadeiramente arquidiocesana
Diversos movimentos e comunidades se uniram à proposta, entre eles a Comunidade Exaltai, Comunidade Resgate, Jovens Missionários Continentais, o grupo de oração feminino “Os Moldes de Maria”, o Apostolado de Nossa Senhora das Lágrimas, o Opus Dei de Juiz de Fora, membros da Comunidade Shalom, o grupo jovem Renac, a Pastoral da Criança e os Vicentinos, entre outros.
“Chamamos de Missão Arquidiocesana porque não é um grupo específico, são muitos grupos reunidos com o mesmo objetivo”, ressaltou a idealizadora.
Durante a Missa de envio, Dom Gil destacou o testemunho dos missionários e reforçou a importância do consolo espiritual neste momento de dor. “Estes irmãos são uma legião que se propôs não levar apenas o material, mas também o consolo espiritual, a Palavra de Deus, visitando as pessoas que estão sofrendo. Deus vai inspirar o que vocês deverão falar, em seus corações, para que possam levar o socorro da fé e o consolo”, afirmou.
Ao final, concedeu a bênção especial aos missionários: “Deus inspire cada um deles para que possam dizer a palavra certa, no momento certo e à pessoa certa. Que alimentem e levantem da indigência e do sofrimento aqueles que foram atingidos por esta tragédia”, clamou.