Mais de 80 bispos participam de curso no Rio de Janeiro

Começou na noite dessa segunda-feira (22), no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, no Rio de Janeiro, a 33ª edição do Curso para Bispos organizada pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. O Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, participa do evento. Este ano os estudos se concentram em torno do tema “Antropologia integral e a crise da cultura atual: reflexões, consequências e encaminhamentos pastorais”.

Na abertura do curso, o Cardeal Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro, saudando os mais de 80 bispos inscritos, vindos das várias regiões do Brasil, ressaltou que “a importância de tratar do tema da Antropologia nos tempos atuais nos remete à necessidade de um aprofundamento sobre quem é o homem, para, somente então, nos debruçarmos sobre as crises que nos cercam em tantos setores da sociedade.”

A solenidade que iniciou o evento contou também com uma palavra do organizador do curso, Dom Joel Portella, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, que agradeceu a numerosa adesão dos bispos, e de uma partilha do bispo emérito Dom Karl Josef Romer, que organizou, a pedido do Cardeal Dom Eugênio Sales, o primeiro Curso para os Bispos, em 1990. Foi apresentado também o site oficial do encontro, onde podem ser consultadas as informações desta e das edições passadas.

Primeiro dia de atividades

Na manhã desta terça-feira (23), os bispos iniciaram o dia com a Santa Missa, presidida pelo Cardeal José Tolentino Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Em sua homilia, Dom José Tolentino falou da necessidade de que o homem tenha um ponto de centralidade, a partir do qual possa conduzir os eixos dos vários âmbitos da vida. “A Igreja é muito desafiada pelo Papa Francisco a partir claramente do centro que é Cristo”, destacou o Cardeal. “E se nós nos tornarmos todos mais cristológicos, com maior capacidade de partir de Jesus em cada dia, a Igreja vai transparecer verdadeiramente como seu Sacramento, como seu sinal, como sua presentificação na história de cada um dos nossos irmãos e na grande história.”

Abrindo o ciclo de conferências da 33ª edição do Curso para os Bispos do Brasil, o Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação apresentou a conferência “Mudança de época: crise e oportunidade para o Evangelho”. O Cardeal iniciou a primeira das suas duas conferências chamando atenção para a diferença entre tecnologia e tecnocracia. Enquanto aquela seria um exercício humano da técnica guiado ainda pelo conhecimento científico, esta seria o poder que a tecnologia hoje exerce sobre o ser humano e onde conhecimento científico não é só o motor externo do desenvolvimento técnico, mas torna-se uma função intrínseca da própria tecnologia.

A partir dessas definições, Dom José Tolentino desenvolveu uma intensa reflexão acerca da metamorfose progressiva da condição humana que, no mundo contemporâneo, a partir da evolução científica, se mistura com as máquinas e com os mecanismos da tecnologia da informação. “No horizonte do transhumanismo”, destacou, “pela primeira vez na história da humanidade, a biologia passa a interagir intimamente com a tecnologia, propondo-se como um corretor da biografia humana. O transhumanismo pretende ser uma versão melhorada do corpo humano introduzindo ajudas que já não são externas, mas internas. O ser humano renuncia a ser o seu próprio corpo limitando-se a ter um corpo.”

Diante do surgimento de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, e do uso imoral que delas pode ser feito, o Cardeal recordou o antídoto da “promoção do pensamento crítico” indicado pelo Papa Francisco. “O sentido ‘crítico’ é constitutivo da fé cristã”, recordou o prelado. “Na verdade, a crise reside no cromossoma do Cristianismo. Foi – já há dois mil anos – não apenas um espectador, mas a causa do declínio do mundo antigo: a primeira grande mudança de época que o próprio Cristianismo começou. A partir desse momento, a crise nunca mais deixou de acompanhá-lo, desencadeando uma sucessão de outonos e primaveras. A fé pode entrar em crise, certamente. A era da secularização grita isso sem muita cerimônia. Mas também a fé cristã deve constituir uma causa de crise, e questionar e transformar continuamente os sistemas sociais e culturais onde vive. Se não provoca crise, isto é, se não leva ao discernimento evangélico da realidade, desacelera, e deixa de testemunhar a fala do que está sentado sobre o trono: «Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21:5).”

Se já não vivemos mais numa era de fé homogênea, destacou o Cardeal, também já não estamos mais no tempo em que o ateísmo parecia reclamar uma espécie de superioridade cultural. Nesse mundo de possibilidades a redescobrir, será missão da Igreja “privilegiar o exercício do diálogo.”

*Com informações de Eduardo Silva – Arquidiocese do Rio de Janeiro
**Fotos: Bruno Carvalho

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