“Jesus vem sempre dar luz, esperança e paz à humanidade”, diz Papa

Imagem: VaticanVA

O Papa Leão XIV concluiu, neste domingo, 15, a série de visitas pastorais a algumas paróquias da Diocese de Roma. Iniciada há um mês, a agenda contemplou Ostia Lido, Castro Pretorio, Alessandrino, Torrevecchia e, por fim, Ponte Mammolo, onde o Pontífice esteve no fim da tarde.

O Santo Padre chegou na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, localizada na periferia de Roma, pouco antes das 16h do horário local. Lá, foi calorosamente recebido por crianças, jovens e famílias no pátio do oratório.

No encontro com as crianças e jovens, Leão XIV ressaltou o fato de tratar-se de uma paróquia dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. “O que o coração representa?”, perguntou, acrescentando em seguida: “o amor, a caridade, a expressão tão grande do Deus infinito — e de Deus, o que é infinito é o seu amor, a sua graça, a sua misericórdia”.

Após a saudação aos jovens e demais reunidos no oratório, antes da Missa, o Papa encontrou os anciãos e pessoas com deficiência. Ele falou sobre a alegria de sermos irmãos, mencionou o tempo da Quaresma e a necessidade de encontrar portas abertas que acolham a todos e agradeceu a todos, frisando que uma paróquia que representa o Coração de Jesus é um lugar abençoado por Deus.

Cristo, luz da humanidade

O ápice da visita foi a celebração da Eucaristia. Na homilia da Missa, o Pontífice frisou que, no mundo contemporâneo, muitas pessoas sofrem por causa de conflitos violentos, provocados pela pretensão absurda de resolver os problemas e as divergências com a guerra. Alguns chegam a envolver o nome de Deus nessas escolhas de morte, ressaltou, mas Deus não pode ser recrutado pelas trevas.

“Ele vem, ao contrário, sempre, para doar luz, esperança e paz à humanidade, e é a paz que devem buscar aqueles que O invocam”, pontuou o Santo Padre. “Para além de qualquer abismo em que o homem possa cair, por causa de seus pecados, Cristo vem trazer uma luz mais forte, capaz de libertá-lo da cegueira do mal, para que comece uma vida nova”, complementou.

Testemunhas da luz

Refletindo sobre o Evangelho deste domingo (Jo 9,1-41), Leão XIV afirmou que o encontro entre Jesus e o cego pode ser comparado à cena de um parto, graças ao qual este, como uma criança que vem à luz, descobre um mundo novo, vendo a si mesmo, aos outros e a vida com os olhos de Deus.

Jesus olha para o cego com amor — não como um ser inferior ou uma presença incômoda, mas como uma pessoa querida e necessitada de ajuda. Assim, indicou o Papa, o encontro entre eles torna-se uma ocasião para que a obra de Deus se manifeste em todos.

Por meio do milagre, Jesus revela seu poder divino e o homem, quase refazendo os gestos da criação, volta a mostrar plenamente sua beleza e dignidade de criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Recuperando a visão, ele torna-se testemunha da luz.

Alerta contra a cegueira

O Santo Padre observou em seguida que quase parece, absurdamente, que quem está perto do até então cego queira anular o que aconteceu. Não só isso: no interrogatório a que ele é submetido, quem é julgado é sobretudo Jesus, acusado de ter violado, para curá-lo, o dia de sábado.

Naqueles homens, revela-se outra cegueira, diferente e ainda mais grave: a de não ver, bem diante de si, o rosto de Deus. Eles trocam a possibilidade de um encontro salvífico pela segurança estéril que lhes dá a observância legalista de uma disciplina formal, sinalizou Leão XIV.

Diante disso, o Papa alertou contra a cegueira que pode alcançar os homens nos dias de hoje. Jesus pede um estilo de vida diferente, compreendido pela primeira comunidade cristã, na qual os irmãos, perseverantes na oração, compartilhavam tudo com alegria e simplicidade de coração.

“Caríssimos, são estes os frutos que somos chamados a produzir como filhos da luz; e a vossa paróquia, há cerca de noventa anos, vive com fidelidade esta missão, com especial cuidado pelas situações de pobreza, de marginalização e de emergência, com atenção à presença, no seu território, da Casa de Reclusão de Rebibbia, e com tantos outros sinais de sensibilidade e de solidariedade”, declarou o Pontífice.

Ele destacou ainda como a comunidade local ajuda várias pessoas vindas de outras países a se integrarem. O Santo Padre concluiu a homilia com uma palavra de encorajamento ao serviço nas várias realidades do território dando testemunho da caridade de Cristo, luz do mundo.

Despedida

Após a Missa, Leão XIV se encontrou com o conselho pastoral paroquial. Antes de retornar ao Vaticano, fez uma saudação final, no patamar da igreja, dirigida a toda multidão do lado de fora:

“Ser membro desta paróquia é um verdadeiro testemunho do amor de Deus aqui em Roma. Estou feliz por estar aqui com vocês, espero que não passem mais 40 anos antes de outra visita do Papa”.

*Fonte: Canção Nova

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