Inspirado nos discípulos de Emaús, clero da Arquidiocese realiza retiro anual

Entre os dias 2 e 6 de fevereiro, a primeira turma do clero da Arquidiocese de Juiz de Fora participa de seu retiro anual, realizado no Centro de Formação de Liderança Cristã (Ceflã). O encontro, que acontece tradicionalmente todos os anos, é um tempo de recolhimento, oração, silêncio e reflexão, voltado ao fortalecimento espiritual dos presbíteros.

Devido ao grande número de padres, o retiro é organizado em duas etapas, sendo a segunda realizada no mês de julho. Nesta primeira turma, cerca de 45 padres participam da experiência, que neste ano é conduzida por Dom Júlio Endi Akamine, Arcebispo de Belém, no Pará (PA).  Segundo o Administrador Apostólico de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, a escolha do pregador se deu por sua reconhecida espiritualidade e capacidade de conduzir os presbíteros a uma vivência profunda da fé, favorecendo a renovação interior dos sacerdotes.

Dom Gil ressaltou também que o retiro vai além de um momento pessoal do clero, alcançando toda a comunidade. “O retiro do clero não é só do clero, é de toda a Igreja. Os padres estão o ano inteiro servindo nas paróquias, na pastoral, na liturgia e na administração. Quando vêm para o retiro, vêm para fazer uma experiência íntima e profunda com Jesus. É um momento de abastecimento espiritual, para que depois voltem alimentados para exercer o seu ministério”, destacou.

Conduzindo o retiro, Dom Júlio explicou que o itinerário espiritual proposto parte do episódio dos discípulos de Emaús, após a ressurreição de Jesus. A partir deste relato bíblico, o pregador percorre diversos textos do Antigo Testamento, como as narrativas de Abraão, Jó, Jonas, Jeremias, o livro de Eclesiastes, os Salmos e o Cântico dos Cânticos.

“O objetivo não é transmitir novidades teológicas, mas permitir que esses textos tão conhecidos aqueçam novamente o coração. Assim como os discípulos disseram: ‘Não ardia o nosso coração quando Ele nos explicava as Escrituras?’, o retiro busca justamente reacender essa experiência interior”, explicou Dom Júlio.

Para o Arcebispo, o retiro é marcado por dois pilares fundamentais: silêncio e oração. “Antes de falar aos outros, precisamos aprender a ouvir. O silêncio interior e exterior nos coloca diante de Deus, num espaço habitado pela oração, onde somos chamados a escutar aquilo que o Senhor deseja nos dizer”, concluiu Dom Júlio.

Entre os participantes, o sentimento é de gratidão e profundidade espiritual. Para o Pe. Paulo César Rodrigues Junior, Administrador Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade em Descoberto (MG), o retiro é um tempo essencial de encontro com Deus e com os irmãos. “São dias de aprofundamento espiritual e também de convivência fraterna, algo muito necessário para nós. O tema do retiro, inspirado no caminho dos discípulos de Emaús, nos ajuda a pedir ao Senhor que permaneça conosco em meio aos desafios da vida sacerdotal”, afirmou.

Segundo o sacerdote, “o retiro reforça a certeza de que a vocação é uma resposta diária, marcada pela fidelidade, pela oração e pelo encontro constante com Deus, especialmente diante das dificuldades do ministério”.

Já o Pe. Welington Nascimento, Pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, em Juiz de Fora, destacou o caráter de silêncio e discernimento vivido neste período, especialmente em um momento de transições na Arquidiocese. “O retiro é um tempo propício para nos prepararmos para a Quaresma e a Páscoa, mas também para compreender as mudanças e novidades que estamos vivendo na nossa Igreja. Rezamos não apenas por nós, mas por todo o povo de Deus que caminha conosco nas paróquias”, disse.

Para Dom Gil, o retiro toca o núcleo da identidade sacerdotal. “O padre não vale apenas por aquilo que ele faz, ele vale muito mais por aquilo que ele é. E para ser, ele precisa ter uma intimidade muito grande e profunda com Jesus. É isso que acontece no retiro”, afirmou, ressaltando que a eficácia do ministério nasce a partir da vida interior e da relação pessoal com Deus.

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