Dando continuidade à programação da Semana Santa em Juiz de Fora, na última terça-feira, 31 de março, foi celebrada a Missa das 19h na Capela Senhor dos Passos, na Santa Casa de Misericórdia, presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Marco Aurélio Gubiotti. No mesmo horário, também houve Missa na Igreja São Sebastião, no Centro, celebrada pelo pároco da Catedral Metropolitana, Padre João Paulo Teixeira Dias.
Devido às previsões de chuva, a tradicional Procissão do Encontro, que reúne as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, precisou ser cancelada. No entanto, os fiéis puderam se reunir na Catedral Metropolitana para participar do Sermão do Encontro. A reflexão foi conduzida pelo Padre João Carlos Ventura, pároco da Paróquia Nosso Senhor dos Passos, em Rio Preto (MG), que abordou o tema “A ternura da maternidade divina em Maria, Mãe do povo fiel”, conduzindo os presentes a uma profunda contemplação sobre a presença e a fidelidade de Maria ao longo da missão de Jesus.
Durante o sermão, o sacerdote recordou o caminho quaresmal vivido pelos fiéis nas semanas anteriores, destacando que a Igreja, ao longo da Quaresma, conduz os cristãos por um itinerário de fé que prepara para a Páscoa. Segundo ele, esse caminho é marcado por encontros com Cristo que transformam a vida, como os encontros com a samaritana, com o cego de nascença e com Marta e Maria diante da morte de Lázaro, todos sinais de que Jesus é a fonte da vida, da luz e da esperança. A partir desse percurso, o padre convidou os fiéis a contemplarem o encontro entre Jesus e Maria no caminho do Calvário, um encontro que, embora não descrito detalhadamente pelos evangelhos, é profundamente meditado pela tradição da Igreja e revela a profundidade do amor e da dor vividos por Mãe e Filho.
Em sua reflexão, Padre João Carlos destacou que Maria, desde a Anunciação, viveu uma entrega total à vontade de Deus, confiando mesmo sem compreender totalmente os caminhos que lhe seriam apresentados. Essa confiança, explicou o sacerdote, acompanha toda a vida de Maria, que permanece fiel até o momento da cruz. Ao contemplar o encontro com o Filho no caminho do Calvário, a Igreja reconhece a presença firme da Mãe que não abandona, que permanece, que sofre junto e que ama até o fim, tornando-se, aos pés da cruz, Mãe de toda a humanidade e Mãe do povo fiel.
Um dos pontos centrais da reflexão foi a ideia de que o encontro entre Jesus e Maria aconteceu, sobretudo, pelo olhar. Segundo o sacerdote, em meio à dor, ao sofrimento e ao peso da cruz, Jesus encontra o olhar de sua Mãe e, ali, encontra também a força para continuar até o Calvário, na certeza de que a vontade do Pai estava sendo cumprida. Esse olhar, explicou o padre, revela a ternura da maternidade divina de Maria, que continua a acompanhar e cuidar de todos os seus filhos, especialmente nos momentos de dor e sofrimento.
Em entrevista, o Arcebispo Metropolitano, Dom Marco Aurélio Gubiotti, destacou que a meditação desse encontro ajuda os fiéis a encontrarem sentido para os sofrimentos da vida. “Esse encontro nos ajuda a dar um sentido novo para as dores, os sofrimentos, aquelas experiências difíceis que nós passamos em nossa vida, e que muitas vezes faz a gente sentir-se abandonado por Deus. Não, não estamos abandonados. O amor de Deus se manifestou na paixão de Jesus. Nossa Senhora, ainda sem compreender, não deixou de confiar nesse amor”, afirmou.
Padre João Carlos Ventura também ressaltou que o encontro entre o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores ensina sobre o sofrimento, mas também sobre o amor vivido com fidelidade. “Ao contemplar a imagem da Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, a gente percebe o sofrimento vivido naquele momento de ir até o Calvário. Mas também ali o amor que fora demonstrado, provado por Jesus e pela Mãe, fiel ao projeto salvífico do Pai”, explicou.
O sacerdote ainda destacou que essa espiritualidade do encontro deve ser levada para a vida cotidiana, especialmente nos momentos de dor, angústia e dificuldade. “Precisa trocar uma chave, somente a chave da fé e do otimismo. Se tivermos o olhar da fé, a fé de Maria, a fé do próprio Senhor Jesus, com otimismo, ou seja, com esperança, com expectativa, os encontros serão sempre abençoados”, concluiu.