No próximo dia 1º de março, o Seminário Arquidiocesano Santo Antônio completa 100 anos de fundação, consolidando-se como uma das instituições mais significativas da história da Arquidiocese de Juiz de Fora. Ao longo de um século, a casa formativa tornou-se referência na formação de presbíteros e no fortalecimento da missão evangelizadora da Igreja, mas sua origem está profundamente ligada ao sonho, à coragem e à visão pastoral de seu fundador, Dom Justino José de Sant’Ana. As comemorações do centenário trazem como tema “Seminário Santo Antônio: há um século aprendendo e ensinando na escola do Evangelho”, síntese da missão que atravessa toda a trajetória da instituição.
A história do Seminário se confunde com o nascimento da própria Diocese de Juiz de Fora. Em 1924, por meio da Bula Pontifícia Ad Sacrosancti Apostolatus Officium, do Papa Pio XI, foi criada a nova Diocese, tendo Dom Justino José de Sant’Ana como seu primeiro bispo. Desde os primeiros passos de seu ministério episcopal, Dom Justino manifestava uma preocupação central: garantir a formação de um clero próprio, capaz de responder às necessidades pastorais de uma Igreja jovem e em expansão. Até então, os vocacionados da região precisavam buscar formação em outras dioceses, especialmente em Mariana (MG), o que dificultava o acompanhamento e limitava o crescimento local.
A ausência de uma casa formativa própria não desanimou o bispo. Pelo contrário, tornou-se combustível para uma decisão ousada e simbólica. Sem recursos financeiros suficientes, Dom Justino optou por abrir mão da construção do palácio episcopal, vendendo o terreno que lhe havia sido doado e destinando o valor arrecadado para a aquisição de um espaço que pudesse acolher os futuros sacerdotes. O gesto, mais do que administrativo, expressava uma escolha pastoral clara: investir nas vocações era investir no futuro da Igreja.

A instalação oficial do Seminário Santo Antônio ocorreu em 1º de março de 1926, em um prédio cedido pela família Nogueira da Gama, localizado na parte alta da Rua Halfeld, em Juiz de Fora. O edifício, amplo e cercado por jardins, foi adaptado para abrigar dormitórios, salas de estudo, refeitório e uma capela improvisada. As celebrações litúrgicas aconteciam na Igreja de São Sebastião, situada em frente ao prédio. Naquele início, o Seminário contava com apenas cinco alunos do curso maior e dezoito do seminário menor, número modesto, mas carregado de esperança e expectativas.
Com o crescimento das vocações e a necessidade de melhores condições estruturais, a Diocese adquiriu, pouco tempo depois, uma antiga chácara no final da Avenida Barão do Rio Branco, região elevada e cercada por área verde. O local, que viria a se tornar a sede definitiva do Seminário, exigiu um intenso trabalho de adaptação e construção. Sob a orientação de engenheiros e arquitetos, foram realizadas obras de terraplanagem, reformas e ampliações, sempre marcadas por limitações financeiras, mas também por grande empenho coletivo.
Os primeiros anos da nova casa formativa foram marcados por entusiasmo, mas não sem dificuldades. Mudanças frequentes na equipe de formadores, instabilidades administrativas e a ausência temporária de Dom Justino, que esteve fora do país em visita Ad limina a Roma, fragilizaram a gestão do Seminário. Em 1930, diante de uma crise mais profunda, o Seminário Maior chegou a ser fechado, e os alunos de Filosofia e Teologia foram novamente enviados para Mariana, permanecendo na sede de Juiz de Fora apenas os estudantes do Seminário Menor.
Apesar do golpe duro, a história não foi interrompida. Nos anos seguintes, com a reorganização da administração e o retorno gradual da estabilidade, o Seminário voltou a se fortalecer. Em 1934, a sagração do altar de mármore da capela marcou simbolicamente uma nova fase, reafirmando a centralidade da vida espiritual no processo formativo. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, novas obras ampliaram os prédios, melhoraram as instalações e permitiram acolher um número cada vez maior de vocacionados.
Os frutos começaram a se tornar visíveis não apenas no aumento das ordenações sacerdotais, mas também na qualidade da formação oferecida. Muitos ex-alunos do Seminário Santo Antônio tornaram-se referências na vida pastoral da Diocese e da Igreja no Brasil, alguns deles chegando ao episcopado. Assim, a instituição consolidava-se como um verdadeiro celeiro de lideranças eclesiais, contribuindo decisivamente para a expansão e organização da Igreja local.
A trajetória inicial do Seminário revela, sobretudo, uma história de fé e perseverança. Entre avanços e crises, obras e limitações, o que sustentou a caminhada foi a convicção de que a formação sacerdotal é um pilar essencial da vida e da missão da Igreja. O sonho de Dom Justino, nascido em um contexto de escassez e incertezas, transformou-se em uma realidade sólida, que atravessou gerações e se mantém viva até hoje.
Cem anos depois de sua fundação, o Seminário Santo Antônio permanece como símbolo de uma Igreja que acredita na formação, aposta nas vocações e reconhece, no cuidado com seus futuros pastores, um investimento que ultrapassa o tempo e projeta esperança para o futuro, mantendo-se fiel ao ideal de “aprender e ensinar na escola do Evangelho”.
As celebrações do centenário do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio acontecem entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março, com uma programação especial que inclui tríduo celebrativo, aula inaugural dos cursos de Filosofia e Teologia, ordenação presbiteral e Solene Celebração Eucarística em ação de graças pelos cem anos da instituição. Para conferir a programação completa, acesse o perfil oficial do Seminário (@seminariosantoantoniojf).
*Com informações do Livro “100 anos da Diocese de Juiz de Fora”