Do Ano da Esperança à expectativa de novos tempos

"Uno-me ao povo de Deus com profunda gratidão e na certeza de que Deus é infinitamente bom e nos enche continuamente da esperança que não decepciona./Foto: Pixabay

O ano de 2025, que está para encerrar, foi marcado, na Igreja, pela virtude da Esperança. No ambiente do Natal anterior, o Papa Francisco abria as Portas Santas, em Roma, dando início ao Ano Jubilar da Encarnação do Verbo, com o lema Spes non confundit (A esperança não decepciona), tirado da carta de São Paulo aos Romano 5,5. O Papa, nos primeiros meses do ano, percebeu seu organismo enfraquecido, com várias internações hospitalares, vindo a falecer no dia 21 de abril, Segunda-feira da Páscoa. No dia anterior, embora combalido, comparecera à Praça de São Pedro, quando ofereceu sua última bênção urbi et orbi, renovando a esperança no coração de cada fiel e do mundo inteiro.

Foram fortes os dias de luto e da mística da Igreja para eleger o novo sucessor de Pedro. Nos costumeiros frenesis da mídia para tentar adivinhar nomes, foi eleito, no dia 8 de maio, num conclave marcado pela rapidez e pela viva oração, um quase desconhecido cardeal, bispo com apenas 10 anos de episcopado, Robert Prevost, 69 anos de idade, nacionalidade norte americana, agostiniano com experiência missionária no Peru.

Diferente do anterior, os cardeais eleitores optaram por escolher, com quase unanimidade, um padre curial, Prefeito do Dicastério para os Bispos, mas com eloquente experiência pastoral entre o povo. Entrou em exercício de seu ofício, no dia 25 de maio, e iniciou logo seu trabalho apostólico, com muita propriedade e visível espírito de fé, na centralidade de Cristo.

Ao encerrar o corrente ano, fez sua primeira viagem apostólica, indo à Turquia e ao Líbano, para celebrar a importante efeméride dos 1.700 anos do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, celebrado no ano de 325, em Nicéia (atual Iznik), básico para a doutrina cristã, seja para católicos, ortodoxos e protestantes, a respeito da natureza humana e divina de Cristo. O encontro fraternal com o simpático Patriarca Ecumênico, Bartolomeu de Constantinopla, foi emocionante e promissor, recordando o que se passou em 1967 entre o Patriarca Atenágoras e Paulo VI, que na ocasião afirmou: “A história nos separou, mas a caridade nos reaproximou”. Foram belas também as atuais palavras de Leão XIV, quando comentou que Cristo continua nos unindo numa só fé, num só batismo e num só amor, indicando que voltar à unidade inicial não pode ser um sonho esquecido, e também que o diálogo inter-religioso com o islã e outros grupos não cristãos é um caminho na construção da paz e da unidade.

Para nossa Igreja particular, o ano caminhou na expectativa de novos tempos, pois tendo chegado à idade de 75 anos, indicada pelo Cânon 401 do CDC, livremente e de coração tranquilo, em minha visita pessoal a Leão XIV, no dia 1º de julho, confiei ao Sucessor de Pedro o governo pastoral de nossa amada Arquidiocese de Juiz de Fora. Na ocasião, pedi a ele que, a partir de 9 de outubro, data de meu natalício, não fosse prolongado o período de minha sucessão, dado a problemas de saúde que venho enfrentando ultimamente. Quando Sua Santidade nomear meu sucessor, que receberei com a alegria da fé e vivo amor à Igreja, terei a satisfação do dever cumprido, dentro dos meus muitos limites pessoais, mas com a consciência de que entreguei tudo de mim, para a vida da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo tido imensa colaboração de muitos padres, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, leigos e leigas em geral.

Por fim, me uno, com alegria e paz, a todo o Povo Santo de Deus que peregrina rumo à casa do Pai, com profunda gratidão e na certeza de que Deus é infinitamente bom e nos enche continuamente da esperança que não decepciona. Em profunda união com o coração bondoso do Papa Leão e recordando o saudoso Papa Francisco, lhe peço que não se esqueça de rezar por mim e pelo novo Pastor, meu irmão, que, a seu tempo, Deus nos dará.

Desejo a você que lê este texto e a todos os seus um feliz e santo Natal, na expectativa de um abençoadíssimo ano de 2026, com tempos vindouros sob a proteção de Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, que nunca faltou com sua amorosa presença em nosso itinerário de peregrinos de esperança.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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