Na última sexta-feira (5), um dia antes da cerimônia de posse, o novo Arcebispo de Juiz de Fora, Dom Marco Aurélio Gubiotti, recebeu a imprensa para sua primeira coletiva com os veículos de comunicação de Juiz de Fora e região.
Com a presença de diversos veículos de portais, TVs e Rádios da região, o Arcebispo afirmou que sua primeira palavra dirigida à imprensa era de valorização do trabalho dos mesmos. “Quero dizer que, a partir deste momento, estarei sempre à disposição colaborando com o trabalho de vocês. Podem contar com a minha disponibilidade para apresentar, esclarecer aquilo que for necessário”, completou ele.
Junto dele, o agora Arcebispo Emérito da arquidiocese, Dom Gil Antônio Moreira, também esteve presente para apresentar oficialmente o novo Arcebispo. Ele fez questão de agradecer pela parceria dos meios de comunicação durante estes 17 anos, além de afirmar estar como São Paulo em 2 Timóteo 4,7-8.
“Tenho a sensação de São Paulo: combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Fidelidade à Igreja, às vezes essa fidelidade custa porque às vezes é incompreendida, às vezes traz sofrimentos, isso é uma coisa que é natural. A gente vê o sofrimento da vida de padre um, de bispo é outro. Eu tenho essa sensação que eu procurei cumprir com fidelidade aquilo que a Igreja esperava de mim. Ofereço a Nosso Senhor esses sacrifícios e peço perdão às pessoas que por acaso não tiveram aquilo que esperavam de mim. Peço às pessoas que rezem para mim agora na minha emeritude”, disse em entrevista.
Na ocasião os veículos de comunicação puderam conhecer Dom Marco e fazer perguntas sobre os mais variados temas como: o trabalho da Igreja para ajudar às vítimas da maior tragédia de Juiz de Fora; os números de católicos no Brasil; uma nova abertura para o Sagrado; a missão sacerdotal; seu trabalho no Regional Leste 2; suas expectativas em relação a nova missão e suas primeiras impressões; entre outros.
Sobre o apoio da Igreja aqueles que estão sofrendo devido as chuvas ele comentou: “O primeiro passo concreto que nós precisamos dar é o passo da proximidade para saber o que esse povo está precisando, o que eles estão sofrendo. Porque é muito fácil a gente comprar meia dúzia de galões de água e achar que nós ajudamos[…] E eu vejo que eu não vou inovar, porque o Dom Gil não tem feito outra coisa, mas esse é nosso papel. Eu fiquei muito gratificado de saber que tem um grupo que está se preocupando com as pessoas não só com a carência material… ajudar espiritualmente quem está sofrendo porque essa é uma carência tão importante quanto moradia, alimentação, vestuário”.
Com muita didática e profundidade em suas colocações, Dom Marco foi explicando aos presentes como avalia o cenário atual onde se insere a espiritualidade, a Igreja e toda sua missão. Ao tratar sobre a objetivo maior do sacerdócio, que é a promoção da santificação do povo de Deus através dos sacramentos, o Arcebispo contextualizou aos presentes um dos grandes desafios dos padres e da Igreja.
“Nós vimos o resultado do último censo no aspecto religioso. Embora o Cristianismo tenha se difundido com a ação inovadora de evangelização de São Paulo, é importante recordar que ele nasceu nas grandes cidades. Paulo fundava comunidades missionárias nas periferias urbanas, suscitava lideranças e as incumbia: ‘Agora vocês têm que disseminar o Evangelho de Jesus para todos os cantos’. Hoje, a Igreja tem enfrentado muita dificuldade para evangelizar nos grandes centros urbanos. Precisamos tomar consciência disso e enfrentar essa realidade, porque corremos o risco de agir como Jonas, que justificava sua preguiça de anunciar a Palavra de Deus dizendo que Nínive era uma terra de pagãos sanguinários”, pontou.
“Graças a Deus, nossos padres não estão à toa; eles estão extremamente ocupados e sobrecarregados, assistindo os fiéis que lhes foram confiados. Mas como vamos encontrar tempo e força interior para fazer aquilo que é prioritário? Porque a missão é sempre prioridade. Penso que esse é um grande desafio. Eu sinto esse sentimento. Sentia isso lá e tenho certeza de que esse também é o sentimento daqui”, completou ele.
No encerramento do seu primeiro encontro com a imprensa, Dom Marco Aurélio finalizou estar com o coração cheio de esperança, frisou a confiança em Deus, também na disponibilidade e generosidade de todas as lideranças que o ajudarão neste tempo.