Na noite da última segunda-feira (2), a Catedral Metropolitana sediou a Missa Arquidiocesana em intenção das vítimas falecidas na tragédia que a Zona da Mata vive, principalmente Juiz de Fora. Ao todo, 65 pessoas morreram na cidade sede da arquidiocese, devido às consequências das fortes chuvas da última semana.
Desde o início da celebração, Dom Gil Antônio Moreira, Administrador Apostólico, colocou os nomes dos falecidos para entregá-los nas mãos de Deus, assim como suas famílias, que buscam consolo. “Estamos rezando essa missa com muita confiança em Deus”, afirmou ele.
Na homilia, o Arcebispo explicou que a vivência do luto é parte da vida e que essa não se encerra aqui na terra. “Muitos se perguntam: ‘Por que aconteceu isso? Como se explica isso?’. É uma reação natural. A vida é maravilhosa, mas é um mistério. A gente não sabe o que vai acontecer mais tarde. Não sabemos o futuro. A tragédia é coisa da natureza, que é imperfeita; perfeito é só Deus. A natureza é uma criatura, tem suas maravilhas, mas, de vez em quando, a gente vê o resultado da fragilidade que é a criatura”.
Ele ainda recordou suas visitas a alguns velórios, onde viu muita gente chorando amargamente. “Chorar não é pecado. O choro é sinal do amor. Às vezes, um silêncio também é. Isso nós vimos no Evangelho de hoje. Diz o Evangelho que Jesus chorou. Portanto, Jesus também chora e nos ensina o valor das lágrimas. As lágrimas são resultado de uma dor profunda. Trazemos para este altar todas as lágrimas destes dias, de Juiz de Fora, de Matias Barbosa, de Ubá. Queremos colocar no cristal do amor de Cristo todas as lágrimas, como oferta que fazemos para que nosso Senhor as receba”, declarou Dom Gil.
Além disso, as leituras indicaram a força da vida sobre a morte. “A morte é forte, é terrível. Sobretudo quando ela vem desse jeito que veio para tanta gente. Mas ela não é a última palavra, nem é o mais forte. A palavra de Deus nos indica que essa vida é passageira e a morte não consegue destruir tudo. Jesus vence a morte”, realçou ele.
Antes do término da Santa Missa, foi falado do trabalho que a arquidiocese tem feito para auxiliar as vítimas, quanto com doações materiais, quanto com apoio espiritual. Nesse sentido, uma equipe de profissionais de saúde do Programa Força Nacional do SUS, do Ministério da Saúde, presentes em Juiz de Fora desde o início da tragédia, e que participavam da celebração, foi convidada a dar uma palavra ao povo.
Entre psicólogos, médicos, enfermeiros, comunicadores e antropólogos, Mário Brito e Layla Gomes foram escolhidos para representar o grupo que veio ao município para apoiar o poder local a se reorganizar, bem como a comunidade local. “Queria falar dos sinais comuns neste momento, quando a comunidade vivencia um evento dessa magnitude. Dom Gil foi muito assertivo ao nomear vários desses sinais como: a tristeza, a ansiedade, a angustia, essa sensação de desesperança que às vezes poderá nos acometer nesse momento… ou essa sensação de medo. É muito comum que as pessoas também apresentem esses sintomas. […] A gente orienta que busquem apoio. Primeiramente entre vocês na comunidade. Uma colega nossa diz que esse é o momento mais importante para a gente colocar em exercício a engenharia do cuidado – olhar para o outro, dar uma palavra de conforto ao outro”, esclareceu Mário Brito.
Antes da benção final, Dom Gil agradeceu o trabalho dos profissionais e de todos os voluntários que atuam neste tempo. Além disso, convidou os familiares dos falecidos para uma benção especial.