Na madrugada silenciosa, quando ainda parecia que a dor da cruz ecoava no coração dos discípulos, o amor se colocou a caminho. As mulheres foram ao sepulcro, não movidas por certezas, mas por um amor fiel, que não abandona nem mesmo diante da morte. E ali, no lugar onde tudo parecia terminado, Deus revelou que o fim nunca tem a última palavra.
A pedra removida não é apenas um sinal externo, mas o anúncio de que nada pode impedir o amor de Deus de ir ao encontro da humanidade. A ressurreição não começa com respostas prontas, mas com um coração que busca, que corre, que se deixa surpreender. Como Maria Madalena e os discípulos, também nós somos chamados a percorrer esse caminho: sair de nós mesmos, deixar o medo e ir ao encontro d’Aquele que vive.
A Páscoa é o triunfo de um amor que não se fecha na dor, mas que a atravessa. Cristo não foge da cruz, mas a transforma em passagem, em Páscoa. E, ao ressuscitar, inaugura uma nova forma de presença: Ele vai à nossa frente, nos precede, nos espera na vida cotidiana, nos encontros simples, nos recomeços silenciosos.
“Não tenhais medo”. Esta palavra ecoa como um convite a confiar. O Ressuscitado nos encontra no caminho, chama-nos pelo nome e reacende em nós a esperança. A Páscoa nos recorda que o amor verdadeiro sempre vai ao encontro, mesmo quando tudo parece perdido, e que, em Cristo, toda noite pode ser iluminada por uma aurora nova.
Celebrar a Páscoa é permitir que esse amor nos alcance e nos transforme. É deixar que o túmulo vazio fale mais alto que nossas dúvidas. É viver como quem já encontrou o Ressuscitado: com o coração cheio de esperança, os passos apressados pela alegria e a vida inteira aberta ao encontro.
Cristo vive. E porque vive, o amor venceu!
Abençoada Páscoa!
*Escrito por Pe. Leonardo Mello