Um grupo de alunos do Colégio Militar do Rio de Janeiro (RJ) decidiu abrir mão do recreio durante a Quaresma para rezar o terço diariamente. “Para nós, alunos, o recreio é algo muito importante”, disse a aluna do nono ano Rafaela Rocha, 14 anos. “Então, por que que na Quaresma, que é quando Jesus passa os 40 dias no deserto, a gente não pode passar esse deserto com Ele em um tempo que é tão importante para gente, que é o recreio?”
“Quaresma é isso, tempo de penitência. Então, a gente abriu mão de algo que é muito importante para a gente para estar com Jesus”, acrescentou Rafaela.
A iniciativa partiu dos próprios estudantes. O aluno do nono ano Pedro Correia, de 14 anos, contou à ACI Digital que, conversando com uma amiga, propôs de rezar o terço e ela aceitou. No primeiro dia, disse, foram quatro pessoas. Então, pensaram em rezar durante toda a Quaresma. “No propósito, todos os recreios, todo mundo ia rezar o santo terço” e “cada mistério, alguém puxava o terço”, disse.
Foi então que apresentaram a ideia ao capelão do colégio, padre Marcelo Cruz, que lhes apoiou. “Quando eu contei para o padre, ele me disse para começarmos a chamá-lo para rezar com a gente”, lembrou Pedro. Com o tempo, “as pessoas começaram a reparar a gente vindo para a capela, começaram a perguntar e contamos que estávamos rezando todo dia e começou a surgir mais gente”. O grupo passou a contar com cerca de 20 pessoas. Na oração de ontem (26), 28 alunos participaram.
Padre Marcelo Cruz disse à ACI digital que, para ele, “foi uma alegria” quando viu a iniciativa dos alunos de rezar o terço, “buscando isso por si mesmos”. “A única coisa que tive que fazer, de fato, foi ajudar a graça de Deus”, dando “o suporte que eles precisavam”, disse.
O capelão contou que seu acompanhamento tem sido “rezando junto e procurando também saber se [os alunos] já tinham feito catequese, crisma”. “Porque aí vem a possibilidade de fazer esse apostolado também”, disse.
Fazer a diferença no meio secular
Para o padre Marcelo Cruz, essa experiência da oração diária do terço como propósito quaresmal vivido dentro do colégio permitiu que os alunos percebessem “que eles podem fazer uma diferença no meio secular”. O sacerdote destacou que os estudantes estão no meio militar, todos de uniformes, o que “dá certa igualdade” entre eles. “Mas, eles têm algo diferente, que pode ser dado pelo testemunho deles”.
“Eu acho que, sendo muito jovens, eles perceberam que podem fazer esse apostolado no meio da Igreja, no meio do mundo”, disse o padre. Para ele, “tem um peso maior” o fato de o colégio ser militar e não uma escola confessional. “É um ambiente diferenciado”, disse.
Segundo o padre, mesmo diante de dificuldades, os alunos foram se esforçando para conseguir concretizar o propósito. Ele citou “até mesmo a barreira do recreio”, porque “eles têm um pátio aqui atrás que é para eles, para o recreio” e “não podem vir para a área da capela, a não ser para rezar”. “Mas, eles pediram autorização também e foi dada. Então, eles foram atravessando as barreiras para estarmos aqui”.
Conversão
Para Rafaela e Pedro, viver esse propósito quaresmal também foi ocasião de conversão.
Rafaela contou que costumava rezar todos os dias, fazer o Ofício da Imaculada, mas “tinha parado”. “Estava muito afastada e estava sentindo um fardo muito grande, querendo viver sozinha, sem a ajuda de Deus”, disse. Foi no terço diário que encontrou forças para retomar sua vida espiritual. “Às vezes, tinha dia que eu estava desanimada, mas os outros acabavam me levantando: ‘vamos rezar o terço, vamos lá’”, contou.
Pedro também encontrou nos outros alunos a força para seguir com o propósito quaresmal, mesmo quando estava desanimado. “Eu via um amigo meu chamando para o terço, com o terço na mão, e sentia a responsabilidade de não o deixar sozinho”, disse. Além disso, contou o estudante, “na mesma semana que comecei o terço, comecei a servir na paróquia, a frequentar os eventos da Igreja que eu não ia”. “Isso começou a me ajudar muito a, como posso dizer, voltar para o caminho do céu”.
“Então”, disse Pedro, “eu estava muito desligado e diria que a Quaresma foi importantíssima para minha conversão, para eu voltar para o caminho”.
Seguir rezando juntos
Os estudantes disseram que a experiência foi positiva e, por isso, não pretendem encerrá-la com o fim da Quaresma. “A gente está pensando, quando acabar a Quaresma, de começar a fazer a consagração a Nossa Senhora”, contou Pedro, ressaltando que ainda vai conversar com o padre para ver a possibilidade de “fazer na capela”.
Pedro também disse que os alunos vão “continuar se reunindo”. “Não vou dizer que vamos rezar todos os dias, porque, às vezes, a pessoa que comer alguma coisa ou fazer algo importante no recreio. Mas, vamos continuar juntos na caminhada de fé, com certeza”, completou.
Às vésperas da Semana Santa, Pedro e Rafaela incentivam outros jovens a buscar a vida de fé a oração. “Nunca é tarde para voltar, para voltar para os braços de Deus”, disse Rafaela. “Mesmo com tudo que vem acontecendo por aí, Jesus continua sendo o Caminho, a Verdade e a Vida”, completou Pedro.
Fonte: ACI Digital