A Conferência Episcopal Argentina (CEA) celebrou ontem (21) uma missa em homenagem ao papa Francisco, um ano depois da morte dele.
A missa, que faz parte da 128ª assembleia plenária da CEA, foi celebrada pelo arcebispo de Mendoza, Marcelo Colombo, presidente da Conferência Episcopal Argentina, e concelebrada por cerca de 60 bispos e sacerdotes do clero local, diante de uma multidão que compareceu à basílica e santuário Nacional de Nossa Senhora de Luján, na província de Buenos Aires, Argentina. Francisco tinha especial devoção por Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina.
O chefe de gabinete da presencia da Argentina, Manuel Adorni; o ministro do Interior do país, Diego Santilli, e outros funcionários do Governo Nacional; o governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof; o prefeito de Luján, Leonardo Boto; e outros representantes do governo estiveram presentes. O presidente da Argentina, Javier Milei, enviou suas saudações de Israel, onde rezou no Santo Sepulcro em memória do papa argentino.

Em sua homilia, Colombo expressou “gratidão a Deus pela vida e pelo ministério do papa Francisco”.
“Francisco demonstrou rapidamente, com ousadia evangélica, seu ministério pastoral em favor de toda a humanidade, especialmente daqueles que se encontram nas periferias existenciais”, disse o arcebispo.
“Ir à periferia de modo concreto”, diz Colombo, “permite viver em primeira mão o sofrimento e as dificuldades de um povo, mas também permite conhecer as alianças que estão sendo formadas, para apoiá-las e incentivá-las”. Ele fez um apelo para que os que vivem nas periferias “se tornem protagonistas da mudança social”.
Um ano depois da morte de Francisco, “somos tocados por sua presença viva como testemunha, profeta e pastor destes tempos para a Igreja e a humanidade”, disse o arcebispo.
“Como gostaríamos de ouvir isso hoje!”
“É muito comum ouvirmos entre o nosso povo, a respeito de Francisco, que sentimos saudades dele”, disse Colombo. “Longe de ser uma nostalgia paralisante ou uma negação desta etapa eclesial inestimável liderada pelo papa Leão XIV, reconhecemos que Francisco, em nome de Cristo, entrou em nossas vidas para ficar”.
“Como gostaríamos de ouvi-lo hoje, nestes tempos difíceis, e deixar-nos desafiar repetidamente por suas palavras, que sempre nos convidaram a lutar por um nós melhor”, disse o arcebispo.
“Com seu amor apaixonado pelo povo de Deus e sua percepção das necessidades atuais, seguindo o exemplo da doação de Jesus, Francisco propôs que assumamos os desafios pastorais que surgem, em particular, com a situação dos excluídos e marginalizados, assim como o papel de liderança dos movimentos sociais como articuladores da solidariedade profética dos pobres”, disse ele.
“Nossa jornada continua, sonhando e trabalhando juntos para que os trabalhadores tenham direitos, todas as famílias tenham abrigo, todos os agricultores tenham terra, todas as crianças tenham educação, todos os jovens tenham um futuro, todos os idosos tenham uma aposentadoria digna, todas as mulheres tenham direitos iguais, todos os povos tenham soberania, todos os povos indígenas tenham território, todos os migrantes sejam acolhidos, todos os grupos étnicos sejam respeitados, todas as religiões tenham liberdade, todas as regiões tenham paz e todos os ecossistemas sejam protegidos”, disse Colombo. “Haverá avanços e retrocessos, haverá erros e acertos, mas não tenham dúvidas: é o caminho certo”.
O arcebispo disse que Francisco “se dedicou até o fim de seus dias à sublime causa da paz, especialmente em seus repetidos apelos à construção de uma sociedade mais justa por meio da interação comprometida dos diferentes setores e líderes, e ao diálogo ecumênico e inter-religioso como instrumento a serviço da fraternidade humana”.
Colombo falou sobre a necessidade de diálogo porque, como disse Francisco, “o diálogo persistente e corajoso não é notícia como as divergências e os conflitos, mas ajuda discretamente o mundo a viver melhor, muito mais do que podemos perceber”, e, pelo contrário, a falta de diálogo implica que “ninguém, nos diferentes setores, se preocupa com o bem comum, mas sim em obter os benefícios que o poder concede ou, na melhor das hipóteses, em impor sua maneira de pensar”.
“Lamentamos profundamente não o termos tratado bem, termos sido mesquinhos como sociedade e até mesmo como Igreja, ao não acolhermos suas propostas bem-intencionadas, ao desconfiarmos dele e ao negarmos nosso apoio a tantas iniciativas em favor do nosso povo”, disse o arcebispo.
“Precisamos aprender de uma vez por todas e parar de nos punir com indiferença, desinteresse, agressão constante na linguagem e gestos violentos”, disse ele.
“Nesta noite, na casa de nossa Mãe, a Virgem de Luján, como não nos sentirmos protegidos sob o seu olhar enquanto celebramos o sacrifício de Jesus e a vida de Francisco, sua fiel testemunha”, concluiu o arcebispo. “Que ela nos proteja e obtenha a proteção de seu Filho para nós e para o nosso país, para o mundo e suas multidões de pobres que Francisco soube amar como um pai universal, em nome de um Deus de amor e misericórdia”.
Depois da homilia, um grupo de bispos representando cada região pastoral, padres e leigos, dirigiu-se ao retrato de Francisco e colocou ali velas acesas com a luz do Círio Pascal.
Antes do término da missa, representantes de diferentes denominações religiosas da comunidade local, junto com o arcebispo de Mercedes-Luján, Jorge Eduardo Scheinig, rezaram uma oração juntos.
Em seguida, Scheinig anunciou que o papa Leão XIV havia doado uma batina que pertenceu a Francisco, e que ela seria exposta na basílica, numa vitrine que se tornaria “um recanto de oração”, disse Scheinig ao abençoá-la, e que está inclinada porque “está voltada para a Virgem”, disse ele.
Na bênção, três mulheres trouxeram uma oferenda floral de rosas brancas, a flor que Francisco apreciava, pois lhe lembrava santa Teresinha do Menino Jesus.
Fonte: ACI Digital