Na manhã da Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, o Administrador Apostólico da Arquidiocese de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, o Vigário Episcopal para a Comunicação, Pe. Antônio Camilo de Paiva, e o Diretor-Presidente da Fundação Maria Mãe, Diácono Hélio Rodrigues de Oliveira, se reuniram em uma coletiva de imprensa para lançar oficialmente a Campanha da Fraternidade 2026. Neste ano, a iniciativa traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema, retirado do Evangelho de João (1,14), “Ele veio morar entre nós”.
Ao acolher os jornalistas, Dom Gil destacou a importância da imprensa como ponte entre a Igreja e a sociedade. “É sempre uma alegria receber a imprensa, porque ela nos ajuda a transmitir ao povo aquilo que a Igreja tem como mensagem”, afirmou. Segundo ele, a Campanha da Fraternidade, realizada desde 1964, é um instrumento de conscientização que convida à conversão não apenas pessoal, mas também comunitária e social.
O Administrador Apostólico explicou que a escolha do tempo quaresmal para a campanha não é aleatória. “A Quaresma é tempo de conversão, de mudança de vida. E a Igreja também propõe uma conversão social”, disse. Inspirada na Doutrina Social da Igreja, que remonta ao pontificado do Papa Leão XIII, a campanha busca identificar lacunas sociais e promover reflexão e transformação à luz do método “ver, julgar e agir” — hoje ampliado com o “celebrar”.
Dom Gil reforçou que a Campanha da Fraternidade não tem caráter partidário. “A Igreja não tem partido, não tem candidato, mas tem princípios”, afirmou. Segundo ele, a atuação da Igreja no campo social se dá pela conscientização e pelo diálogo com toda a sociedade, independentemente de crença religiosa. “Não é uma propaganda interna, mas uma palavra para o mundo”, pontuou.
Ao apresentar o tema deste ano, o Arcebispo recordou que a questão da moradia é recorrente e ainda não solucionada no Brasil. Ele chamou atenção para o aumento das pessoas em situação de rua, realidade também perceptível em Juiz de Fora. “Não é apenas um problema local, mas nacional. Quanto maior a cidade, maior o desafio”, observou. O objetivo, segundo ele, é provocar uma reflexão que possa inclusive inspirar políticas públicas capazes de enfrentar o problema.
Em sua fala, Pe. Antônio Camilo reforçou que a fraternidade é elemento essencial da identidade cristã. Citando passagens bíblicas, destacou que não é possível amar a Deus sem amar o próximo. “Está no DNA do cristão estar atento aos pobres”, afirmou. Para ele, a Campanha da Fraternidade é um diálogo da Igreja com a contemporaneidade e um processo de inclusão dos menos favorecidos na agenda nacional.
O sacerdote recordou que, ao longo das décadas, a campanha já abordou temas como acessibilidade, comunicação, juventude, encarcerados, fome e meio ambiente, muitas vezes antecipando debates que depois ganharam repercussão social e política. “A Igreja está presente em todos os rincões do Brasil e conhece de perto essas realidades”, ressaltou.
Ao tratar especificamente da moradia, Pe. Antônio ampliou a reflexão para além da estrutura física da casa. “Quando falamos de moradia, não estamos falando apenas de tijolo e concreto, mas de afeto, de acolhimento, de fraternidade”, disse. Ele alertou que há famílias que possuem casa, mas carecem de convivência fraterna e cuidado mútuo.
Durante a coletiva, também foram apresentados dados que evidenciam a gravidade do cenário habitacional no país: milhões de brasileiros vivem de aluguel em condições precárias; outros tantos residem em áreas de risco, sem acesso adequado a saneamento básico, saúde e educação; e cerca de 300 mil pessoas estão em situação de rua. Para a Igreja, esses números reforçam a urgência de uma resposta solidária e estruturante.
O cartaz da campanha deste ano também foi explicado. “A imagem retrata Cristo identificado com uma pessoa em situação de rua, recordando a passagem do juízo final no Evangelho de São Mateus. A obra original foi criada por um artista canadense, inspirada na visão de um homem deitado em um banco de praça, como sinal de que o próprio Cristo se faz presente nos mais vulneráveis”, esclareceu Pe. Camilo.
Encerrando a coletiva, os representantes da Arquidiocese reforçaram que a Campanha da Fraternidade 2026 é um convite à humanização. Ao propor reflexão, mudança de critérios e atitudes concretas, a Igreja deseja despertar na sociedade um compromisso efetivo com a dignidade humana, especialmente daqueles que vivem sem moradia ou em condições precárias, reafirmando que o cuidado com os mais necessitados é parte essencial da fé cristã e da construção de uma sociedade mais justa.
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