Se os primeiros anos do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio foram marcados pela coragem de sonhar e pela perseverança em meio às dificuldades, as décadas seguintes revelaram um processo contínuo de amadurecimento institucional. O que começou como uma pequena casa formativa voltada exclusivamente para a formação do clero local, aos poucos se transformou em um verdadeiro centro de evangelização, formação acadêmica e serviço à Igreja, acompanhando as mudanças da sociedade e as novas diretrizes pastorais.
A partir do final da década de 1960, o Seminário passou por uma de suas mais significativas reestruturações. Em 1969, foi criado o curso de Filosofia e, em 1971, o curso de Teologia, permitindo que os seminaristas realizassem toda a formação superior dentro da própria Arquidiocese de Juiz de Fora. A iniciativa marcou a retomada definitiva do Seminário como casa de formação maior, consolidando sua autonomia acadêmica e fortalecendo o vínculo entre estudo, vida comunitária e prática pastoral.
Com a ampliação da oferta formativa, o Seminário Santo Antônio passou a acolher também seminaristas de outras dioceses e membros de congregações religiosas, que buscavam na instituição uma formação reconhecida e de qualidade. Esse período inaugurou uma nova fase, caracterizada pela diversidade de experiências e pela ampliação do horizonte missionário, transformando o espaço em um ponto de encontro entre diferentes realidades eclesiais.

As transformações não se limitaram ao campo acadêmico. Inspirado pelas orientações do Concílio Vaticano II e pela necessidade de uma Igreja cada vez mais próxima do povo, o Seminário abriu suas portas para a formação do laicato. Em 1982, foi criada a Escola de Teologia e Pastoral, que passou a oferecer formação sistemática para leigos e agentes de pastoral, fortalecendo a participação do povo de Deus na missão evangelizadora da Arquidiocese.
Nesse mesmo movimento de abertura, o Seminário também assumiu papel fundamental na formação de diáconos permanentes, por meio da Escola de Formação para Diáconos Santo Estevão. Ao longo dos anos, dezenas de diáconos foram preparados na instituição, ampliando os serviços pastorais nas paróquias e consolidando o Seminário como espaço formativo não apenas para presbíteros, mas para diversos ministérios da Igreja. A estrutura física acompanhou essa expansão. Um dos marcos desse período foi a construção da atual capela do Seminário, inaugurada em 1994. Com arquitetura simbólica e catequética, o espaço tornou-se centro da vida espiritual da casa, possibilitando a participação dos fiéis em celebrações e fortalecendo a integração entre Seminário e comunidade. Outras obras, como a modernização da biblioteca, a criação de auditório e melhorias nos espaços de convivência, também contribuíram para adequar a instituição às novas demandas formativas.
No campo acadêmico, parcerias com instituições de ensino superior fortaleceram ainda mais a qualidade dos cursos. Convênios com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e, posteriormente, com o Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (atual UniAcademia), garantiram reconhecimento e excelência aos cursos de Filosofia e Teologia, atraindo não apenas seminaristas, mas também religiosos, leigos e até estudantes de outras denominações cristãs.
Ao longo das últimas décadas, diferentes reitores e equipes formativas imprimiram suas marcas na condução do Seminário, sempre mantendo como eixo central a formação integral – humana, espiritual, intelectual e pastoral. Cada gestão contribuiu para consolidar a identidade da instituição como espaço de diálogo, escuta, discernimento vocacional e compromisso com a realidade social e eclesial.
Assim, o Seminário Santo Antônio deixou de ser apenas um lugar de preparação interna para o sacerdócio e passou a se afirmar como um centro formativo aberto, integrado à vida da Arquidiocese e atento aos sinais dos tempos. A instituição que nasceu do sonho de um bispo e da generosidade de uma Igreja em construção, tornou-se, ao longo do século, um espaço de formação plural, missão compartilhada e serviço permanente à evangelização.
Dessa forma, a história do Seminário revela não apenas uma trajetória de crescimento estrutural, mas sobretudo um processo contínuo de atualização de sua missão: formar discípulos e pastores capazes de aprender, ensinar e testemunhar o Evangelho em um mundo em constante transformação.
Para bem celebrar o Centenário do Seminário Santo Antônio, o jubileu festivo acontecerá entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março, reunindo comunidade acadêmica, ex-alunos, formadores, clero e fiéis em momentos de fé, memória e ação de graças. A festividade tem como tema “Seminário Santo Antônio: há um século aprendendo e ensinando na escola do Evangelho”, expressão que sintetiza a missão da instituição ao longo de sua história. Confira a programação completa no Instagram do Seminário (@seminariostoantoniojf).
*Com informações retiradas do Livro “100 anos da Diocese de Juiz de Fora”