Quinta-feira Santa na Arquidiocese Centenária

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Na Quinta-feira Santa, a Mãe Igreja nos convocou para solene ação de graças pelo grande, embora imerecido, privilégio que temos de sermos escolhidos, ungidos e enviados para construir, entre as pessoas, o Reino de Deus. Em nossa Igreja arquidiocesana estamos vivenciando um tempo novo, um verdadeiro Ano da Graça do Senhor, o Ano Eucarístico, o ano jubilar, recordando a centenária fundação da então Diocese, naquele longínquo 1º de fevereiro de 1924.

Depois de celebrarmos dois sínodos arquidiocesanos, tendo o primeiro o lema bíblico “Ide, fazei discípulos meus” (Mt 28, 19) e o segundo, “Proclamai o evangelho pelas ruas e sobre os telhados” (Mt 10, 27), unindo-nos em ambos com o tema motivador “Arquidiocese de Juiz de Fora, uma Igreja sempre em missão”, chegamos ao décimo quinto ano em que estamos tentando caminhar juntos, com alguns percalços, mas  sobretudo com muitas vitórias, frutos da boa vontade de cada um de nossos presbíteros, diáconos, agentes de pastoral e povo de Deus em geral.

O Evangelho escolhido pela Igreja para aquela riquíssima e agradável celebração da Missa do Santo Crisma é, todos os anos, o mesmo: o capítulo 4, versículos de 16 a 21, de São Lucas, que apresenta Jesus em sua terra natal, anunciando a que veio. Ele é o único, verdadeiro e eterno sacerdote. É o ungido do Pai, o Cristo Redentor. Escolhido para dar a Boa-Nova aos pobres, para libertar os cativos e abrir os olhos aos cegos, a libertar os que vivem oprimidos, Ele também anuncia que veio para proclamar um ano da Graça do Senhor. Um ano jubilar, carregado de alegrias e vitórias. Os anos jubilares, para os hebreus, aconteciam de cinquenta em cinquenta anos, quando tudo se renovava. Todos recobravam o ânimo, exerciam o perdão e reativavam as amizades. Eram e são celebrados depois da contagem de sete vezes sete anos, somando, assim, 49 anos, sendo o cinquentenário um ano diferente, um ano de graça.

No relato de Lucas, Jesus anuncia um outro tipo de Jubileu. É o jubileu de sua presença salvífica, de sua missão salvadora, um tempo novo, onde a presença de Deus vivo entre seu povo a tudo santifica e impulsiona para a perene construção de um mundo renovado, cuja única lei seja o amor concreto entre as pessoas, superando as injustiças e, sobretudo, destruindo o pecado. O Ano da Graça do Senhor tem efeitos ilimitados, pois nem o pecado nem a morte podem cerceá-lo. Ele se conclui na Vida Eterna, na Páscoa definitiva que todos os discípulos de Cristo experimentam e experimentarão.

Também nós, em nossa Igreja juiz-forana, com suas 91 paróquias, em véspera de mais uma a ser instalada, dia 28 de abril, em Santo Antônio do Alto Rio Grande, e ainda outra quase-paróquia, a ser criada dia 20 de abril, em Santa Maria Eterna de Humaitá, estamos em Ano Jubilar. E o Ano Eucarístico Arquidiocesano teve lugar muito especial na festa da instituição do Sacerdócio Cristão, do mandamento do Amor, do serviço do Lava-Pés, afinal, da instituição da Sagrada Eucaristia.

O lema que escolhemos para este ano, “Fazei de nós um só corpo e um só espírito” (cf. Ef 4, 4), nos faz prosseguir no ideal sinodal, pois só seremos fiéis a Cristo, o Ungido de Deus Pai, se de fato nos abrirmos a esta unidade amorosa, onde um não quer destruir o outro, mas auxiliá-lo com verdadeiro irmão, estabelecendo um clima de autêntica fraternidade, como nos recordou de forma excelente a Campanha da Fraternidade deste ano, com seu tema “Fraternidade e Amizade Social”, e seu bonito lema, Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23, 28), que é palavra de Jesus.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Veja Também