A Igreja deu início ao tempo da Quaresma na última quarta-feira, 18 de fevereiro, com a celebração da Quarta-feira de Cinzas em todo o mundo. Em sintonia com a Igreja universal, na Arquidiocese de Juiz de Fora o momento foi marcado pela Missa das 19h, na Catedral Metropolitana, presidida pelo Administrador Apostólico, Dom Gil Antônio Moreira, e concelebrada pelo Pároco, Pe. João Paulo Teixeira Dias, reunindo diáconos, seminaristas, a equipe pontifical de cerimonial e um grande número de fiéis, que lotaram a igreja-mãe da Arquidiocese.
Ao longo de todo o dia, outras Missas também foram celebradas e registraram expressiva participação. Para Dom Gil, a forte presença do povo de Deus evidencia o desejo sincero de conversão e de renovação espiritual. “É o momento em que damos o primeiro passo para dentro da Quaresma”, afirmou.
Um caminho de conversão e misericórdia
Em sua homilia, o Administrador Apostólico destacou como palavra central da liturgia o refrão do Salmo 50: “Misericórdia, Senhor, porque eu pequei”. Recordando o arrependimento do rei Davi após ser advertido pelo profeta Natã, Dom Gil ressaltou que a Quaresma é marcada pela atitude de humildade diante de Deus.
“Quando recebemos as cinzas sobre a cabeça, estamos dizendo a Deus: eu sou pó, eu sou nada, mas confio na vossa misericórdia”, explicou. Ele recordou que as cinzas são feitas a partir dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior — sinal de que a alegria da festa pascal passa necessariamente pela penitência e pela conversão.
Ao refletir sobre o Evangelho proclamado, Dom Gil sublinhou o ensinamento de Jesus sobre a prática sincera do jejum, da oração e da esmola. “Quem não é humilde, não se converte”, afirmou, alertando contra atitudes realizadas apenas para aparência. Segundo ele, a verdadeira mudança acontece no silêncio do coração, longe da busca por reconhecimento humano.
O Pastor Arquidiocesano também incentivou os fiéis a buscarem o sacramento da confissão durante o tempo quaresmal. Relembrando exemplos de santos e a beleza do perdão sacramental, destacou que a confissão é caminho de recomeço. “Depois da absolvição, começa-se uma vida nova. É a condição para celebrar bem a Páscoa”, disse.
Campanha da Fraternidade e compromisso social
Durante a celebração, foi lançado oficialmente o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, dedicado à questão da moradia, inspirado na passagem do Evangelho de São João: “E o Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14).
Dom Gil enfatizou que a Campanha não substitui a Quaresma, mas é um auxílio para ampliar o olhar cristão também às realidades sociais. Ele chamou atenção para o crescimento do número de pessoas em situação de rua no Brasil e destacou que a caridade individual, embora necessária, não resolve integralmente o problema.
“Isso não é ideologia, é Evangelho”, afirmou, explicando que a fé cristã exige não apenas gestos pessoais de solidariedade, mas também a cobrança legítima de políticas públicas eficazes. Segundo ele, é dever dos cristãos acompanhar e cobrar das autoridades o uso correto dos recursos públicos em favor dos mais pobres.
Uma celebração marcada pela gratidão
A ocasião foi marcada ainda por um momento de emoção e gratidão. Dom Gil informou que esta foi sua última Missa ordinária na Catedral como Administrador Apostólico, antes da celebração de ordenação presbiteral prevista para o próximo dia 28. Ao final da celebração, ele foi homenageado pela equipe pontifical de cerimonial e pelo pároco da Catedral.

Em nome dos cerimoniários, foi recordada a chegada de Dom Gil à Arquidiocese, há 17 anos, destacando seu pastoreio próximo, sua dedicação aos mais necessitados e sua condução firme nas grandes celebrações, como Semana Santa, Corpus Christi e festa de Santo Antônio. Também foi mencionada sua atuação durante o período da pandemia, quando as celebrações precisaram ocorrer a portas fechadas, mas sem perder o zelo litúrgico e pastoral. A equipe agradeceu ainda a confiança depositada e a amizade cultivada ao longo dos anos.
O Pároco, Pe. João Paulo Teixeira Dias, também dirigiu palavras de reconhecimento ao Administrador Apostólico. Recordando sua própria ordenação presbiteral, realizada pelas mãos de Dom Gil no altar da Catedral, agradeceu pela confiança e pelo aprendizado ao longo da caminhada. Inspirando-se no lema episcopal — “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” —, o sacerdote destacou que a missão vivida nesses 17 anos deixou marcas profundas na vida da Arquidiocese. “Esta oração e esta fé que nos unem permanecerão sempre em nossa existência”, afirmou.
Em suas palavras finais, Dom Gil agradeceu as manifestações de carinho e pediu que os fiéis continuem rezando por ele nesta nova etapa de sua missão. Ele também reforçou o convite para a posse canônica de seu sucessor, Dom Marco Aurélio Gubiotti, a ser realizada no dia 7 de março, às 15h, na Catedral Metropolitana.