Pe. Frei Flávio Henrique, pmPN – Carta Aberta aos Legisladores Federais, Estaduais e Municipais

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Excelentíssimos Senhores Legisladores das Egrégias Casas Legislativas: Federal (Senado e Câmara), Estaduais e Municipais, da República Federativa do Brasil.

Por dever de consciência e cidadania, devo me manifestar. Considerando o bem da comunidade humana e meu minúsculo papel como comunicador e formador de opinião, resolvi fazê-lo através desta Carta Aberta.

Antes do consenso, o bom senso. Antes de ser padre, fui batizado cristão e educado no Temor a Deus. Mas, antes mesmo de ser batizado cristão, nasci de forma natural, como qualquer homem ou mulher de qualquer cor, credo, raça, idioma e nação. Portanto, antes de ser cristão, sou cidadão! Cidadão com direitos e deveres civis para contribuir no processo democrático, quer como eleitor, quer como formador de opinião pelo trabalho que exerço de modo público, no púlpito ou nos meios de comunicação.

Valho-me desta Carta Aberta para reclamar dos agentes políticos o dever de representatividade com BOM SENSO. Onde está o bom senso da IDEOLOGIA de GÊNERO? Insisto: digo-o como pessoa humana, como cidadão, NÃO COMO CRISTÃO.

Acaso cada um dos (as) senhores (as) legisladores (as), independente do SEXO e independente da “opção sexual”, não nasceu como todas as pessoas nascem? Fruto do relacionamento sexual entre um homem e uma mulher? Poderia alguém ter sido concebido fora desse ESQUEMA IMUTÁVEL da natureza?

Permitam-me ecoar o óbvio, para que o julgamento de valores não seja ridicularizado.

Quando a matemática junta DOIS IGUAIS, 1 com 1, forma sempre dois, invariavelmente. Não acontece um TERCEIRO jamais. Esse é o pragmatismo da lógica, que, querendo ou não, regula a natureza.

Quando a natureza junta DOIS DIFERENTES, homem e mulher, macho e fêmea, forma, variavelmente, um terceiro (ou dois terceiros ou três terceiros ou quatro terceiros e assim por diante, até o limite da gestação).
E outro modo, CIENTIFICAMENTE falando, não há de fazer acontecer esses terceiros sem a obrigatória união de 2 diferentes entre si.

E isto não é credo religioso, não! É regra da natureza. Mais que uma regra estável e permanente, é uma regra imutável, gostem ou não os indivíduos que permanecem livres para viver ou não segundo tal regra. É assim desde sempre e será assim para sempre. Independente de progresso científico e tecnológico e independente das regras institucionais e legais (morais ou não), nada será alterado nesta regra perpétua da NATUREZA (onde está o senso ecológico e naturalista nesta hora???).

Perdoem-me os legisladores a incômoda franqueza que devolve a eles a insignificância da regra civil diante da regra natural e, ao mesmo tempo, impõe-lhes a nobilíssima importância de legislar para o bem comum da maioria (ou não é este o princípio da democracia?), e não das particularidades de grupos minoritários (não seria este o princípio de qualquer modelo totalitário?).

Logo, fato é: a regra mutável de uma lei civil, ainda que global, jamais terá poder de mudar a regra imutável de uma lei natural tão inflexível quanto a condição de existência do ser humano: um ser humano só passa a existir se outros dois seres humanos diferentes entre si sexualmente, fornecerem seus gametas (um masculino e outro feminino).

Portanto, vale frisar para ‘acordar’ o BOM SENSO da apatia moral idealizada pelo esforço de consenso da IDEOLOGIA de GÊNERO: para que exista um terceiro (uma nova vida, cujos direitos constitucionais já estão pré garantidos pela Carta Magna) é condição sine qua non (sem a qual não existe) que haja um GAMETA MASCULINO e um GAMETA FEMININO.

Como aprovar uma IDEOLOGIA de GÊNERO, que imporá uma quase indução ideológica às crianças que sequer tem desenvolvimento físico, mental e emocional para bem compreender aqueles desejos que elas não estão, pela estrutura da natureza, habilitadas para usar ou que sequer foram ainda exatamente despertados nelas?

Isto é uma violência sem precedentes contra a natureza em desenvolvimento da criança, precoce ainda para as funções sexuais. Tanto é verdade isto que os pequenos organismos das crianças, sequer estão capacitados para gerar e desenvolver a primeira fase de uma vida humana, que segue sendo fruto de uma relação sexual natural entre um indivíduo masculino e um indivíduo feminino. Ou é mentira o que eu digo?

E, mais uma vez, não se trata aqui de preceito religioso. É puro BOM SENSO pautado nos fatos que regem a vida de todos os adultos, os quais também um dia já foram crianças.

E é importante que saibam os legisladores, dos mais cultos aos mais humildes: a IDEOLOGIA de GÊNERO, camuflada sob o falso argumento de preservar da discriminação as variadas opções sexuais dos indivíduos, é sim, uma ideologia que, uma vez introduzida no sistema educacional, destruirá o direito natural de uma criança descobrir-se a si mesma – como a natureza a fez – no tempo oportuno da maturidade atingida. Ou mesmo para optar de modo contrário à regra natural, se assim o desejar, quando tiver condições físicas, mentais e espirituais de decidir isso por si mesma, na fase adulta. Jamais, entretanto, isso lhes seja violentamente imposto por um consenso social sem bom senso, visto que, enquanto crianças, elas permanecem reféns dos limites patentes de seu processo de desenvolvimento.

Pergunto-me: onde está o BOM SENSO – que quer formar consenso – mas, que não é capaz de enxergar algo tão primariamente óbvio?

Antecipo-me aos eventuais contra-argumentos desonestos que costumam surgir para confundir o raciocínio lógico: essa missiva NÃO é um protesto discriminatório ou homofóbico. Sequer me valho de argumento pautado na crença religiosa.

E, a despeito de minha condição como religioso convicto por votos professos como padre e monge, como estou falando a partir do meu lugar de cidadania, eu reafirmo: não parto da minha crença, mas da pura e simples lógica racional. A natureza nos precede, nos constitui e nos impõe um dever de escutá-la.

E deste lugar comum ao BOM SENSO indicado pelo inequívoco da natureza, comum a todos nós, brasileiros, que me permito dizer: que cada adulto use suas genitálias como julgar e escolher, isto não me diz respeito. Não é da minha conta. Nem da conta dos cidadãos comuns. Embora não seja também meu conselho.

Mas outra coisa bem diferente é, com o patrocínio dos nossos representantes democraticamente eleitos, que aqueles que fazem escolhas sexuais distintas de suas condições genéticas e biológicas, venham impor tal comportamento aos nossos filhos. Inclusive aos filhos dos legisladores. Se há quem deseja fazer como queira com sua identidade sexual, criando gêneros alternativos, ou que queiram viver de modo independente sua sexualidade, que o façam como bem o entenderem, mas, entre quatro paredes privadas, longe dos olhos de quem não quer saber da intimidade alheia. Repito: eu não daria tal conselho. Mas não se publique a permissividade adulta diante dos olhos ainda cândidos de nossas pequeninas crianças.

Que não sejam as quatro paredes das salas de aula no ensino fundamental, sobretudo, o lugar usado para propaganda ideológica de uma escolha restrita e individual, não coletiva. Afinal, é disto que se trata a tal IDEOLOGIA DO GÊNERO: uma propaganda ideológica, não um serviço educacional. Não é responsável nem sadio incitar as crianças a uma opção precoce que é muito mais ideológica do que psicológica, fisiológica ou espiritual.

Vou terminar fazendo dois apelos.

O primeiro apelo à consciência dos legisladores que creem em Deus e têm Temor ao Altíssimo:

– Senhores Legisladores – não submetam seus filhos e filhas e os filhos e filhas da sua cidade, do seu estado e do seu país, a essa ditadura da IDEOLOGIA DO GÊNERO, que imporá à mente ainda frágil das crianças um princípio contrário à moral de sua crença e ao seu Temor pessoal a Deus.

O segundo apelo à consciência dos legisladores que NÃO creem em Deus ou que preferem não afirmá-lo, para respeitar a regra democrática do estado republicano, laico:

– Senhores Legisladores – não submetam seus filhos e filhas e os filhos e filhas da sua cidade, do seu estado e do seu país, a essa ditadura da IDEOLOGIA DO GÊNERO, que imporá à mente frágil das crianças uma opção precoce que violenta o direito natural delas de, por primeiro, amadurecerem progressivamente o desenvolvimento físico, psicológico e espiritual, para, quando adultas, escolherem se seguirão suas vidas sexuais concordando com a potência da regra genética que as criou (necessariamente resultante da união de dois sexos diferentes) ou se optarão caminhos diferentes por aquele livre arbítrio que cada qual tem o direito de gozar quando adulto, sem a tutela da família, do estado ou da religião, quando assim se deseja (e que se respeite também o desejo livre dos cidadãos que queiram ser tutelados pela família, respeitando o estado e suas crenças religiosas e filosóficas, se assim o desejam).

Por fim, seja devido às razões da força peremptória da natureza com suas regras imutáveis ou devido à razão de respeito e temor à autoria do Divino Criador, todos os legisladores devem ter diante de si ao menos um desses critérios do juízo universal da própria sociedade, que é implacável quando percebe que fora enganada. E jamais se esqueçam de que, além do mais, terão de prestar contas aos eleitores e à história por seus atos públicos.

Frei Flávius
Antes de ser cristão, cidadão!
Por ser cidadão, com direito constitucional de ser cristão!

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