Papa aos corais: canto e música, instrumentos de evangelização

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Mais de oito mil cantores, músicos e especialistas de música sacra e liturgia de todo o mundo estão reunidos no Vaticano, entre os dias 23 e 25 de novembro, no III Encontro internacional de Corais, por ocasião da Festa de Santa Cecília.

Entre os momentos fortes do programa, o encontro com o Papa Francisco, que foi recebido com festa e cânticos no final da manhã de sábado (24) na Sala Paulo VI, que ficou pequena para acolher todos os presentes.

“A presença de vocês nesta Sala permitiu ressonar músicas e cânticos que de algum modo ultrapassaram os muros: vocês despertaram o Vaticano!”, disse Francisco brincando, ao iniciar seu pronunciamento, no qual ressaltou a importância da música, “tema tratado com interesse” no recente Sínodo dos Bispos e presente no n.47 do Documento Final.

Instrumento de Evangelização

“A música e o canto de vocês são um verdadeiro instrumento de evangelização, na medida em que vocês se tornam testemunhas da profundidade da Palavra de Deus que toca o coração das pessoas e permite uma celebração dos Sacramentos, em particular da Santa Eucaristia, que faz perceber a beleza do paraíso”.

“Nunca parem neste compromisso tão importante para a vida de nossas comunidades”, foi a exortação de Francisco, pois com o canto “vocês dão voz às emoções que estão no profundo do coração de cada um”.

A Igreja – observou o Papa – é chamada a estar próxima das pessoas nos momentos de alegria e de tristeza, para oferecer a elas “a companhia da fé”. Neste sentido, “a música e o canto permitem tornar estes momentos únicos na vida das pessoas, porque permanecem como uma recordação preciosa que marcou suas existências”.

Universalidade da Igreja e suas tradições

O Santo Padre recorda que o Concílio Vaticano II, com a reforma litúrgica, reiterou que “a tradição musical da Igreja constitui um patrimônio de inestimável valor”, ressaltando “as tantas tradições de nossas comunidades espalhadas por todo o mundo, que fazem emergir as formas mais radicadas na cultura popular e que se tornam também uma verdadeira oração”.

A presença de corais de tantos países – sublinha o Papa – revela a universalidade da Igreja e suas diversas tradições. Através da música e cânticos da tradição musical de cada povo, se dá voz “também à oração e deste modo se forma um verdadeiro coral internacional, onde o louvor e a glória do seu povo se elevam uníssonos ao Pai”.

Eucaristia

O canto e a música de vocês, especialmente na celebração da Eucaristia, deixam evidente que “somos um só Corpo e cantamos a uma só voz a nossa única fé”. Ainda que falemos línguas diferentes, “todos podem compreender a música que cantamos, a fé que professamos e a esperança que nos espera”.

Tentação do protagonismo

O Papa recorda que há uma preparação e um estudo para “fazer do canto uma melodia que favoreça a oração e a celebração litúrgica”, mas se deve evitar “cair na tentação de um protagonismo que ofusque seu compromisso e humilhe a participação ativa do povo em oração”:

“Sejam animadores do canto de toda a assembleia e não a substituam, privando o povo de Deus de cantar com vocês e de dar testemunho de uma oração eclesial e comunitária. Vocês que compreenderam mais a fundo a importância do canto e da música, não desvalorizem as outras expressões da espiritualidade popular: as festas patronais, as procissões, as danças e os cantos religiosos do nosso povo são também um verdadeiro patrimônio da religiosidade que merece ser valorizado e apoiado porque é sempre uma ação do Espírito Santo no coração da Igreja”.

Que a música – disse ao concluir – seja um instrumento de unidade para tornar eficaz o Evangelho no mundo de hoje, por meio da beleza que ainda fascina e torna possível acreditar, confiando-se ao amor do Pai.

Concerto, Missa e Angelus

Outro momento forte foi o grande concerto, no sábado, na Sala Paulo VI, com a absoluta particularidade de ter na sala os cantores subdivididos em quatro vozes, formando um único e grande coral polifônico, junto com o Coral da Diocese de Roma e um grande coral no palco de 600 vozes e 70 elementos de orquestra dirigidos por Mons. Marco Frisina.

O encontro foi concluído no domingo (25), com a Santa Missa no Altar da Confissão na Basílica de São Pedro, presidida pelo arcebispo Rino Fisichella e animada por oito mil vozes. Ao final, os participantes encontraram com Papa Francisco na Praça São Pedro para o Angelus.

*Fonte: Site do Vatican News

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