Mensagem do Papa ao Congresso da Vida Religiosa da América Latina e Caribe

Foto: Canção Nova/ Daniel Mafra
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“Inculturar a fé e evangelizar a cultura”, ser alegres e ter senso de humor, “o melhor testemunho que podemos oferecer ao santo povo fiel de Deus”: essas foram algumas das indicações que o Papa Francisco deu aos participantes do Congresso da Vida Religiosa da América Latina e do Caribe, que se realiza de modo virtual de 13 a 15 de agosto.

“Quanto bem poderia nos fazer descobrir que a unidade não é uniformidade, mas pluriforme harmonia”. Em uma mensagem em vídeo, o Papa começa recordando quão importante é o desafio que a inculturação da fé apresenta para a vida consagrada, em uma “pluriforme harmonia” que assume as diferenças, valoriza as particularidades, “em um espírito de uma saudável e aberta interculturalidade”, sem esquecer que “quem faz a harmonia é o Espírito Santo”.

Uma presença – acrescenta – necessária para o desenvolvimento de uma teologia inculturada, “adequada à realidade local, que possa ser veículo de evangelização. Não esqueçamos que uma fé que não se incultura não é autêntica.” Neste sentido, o convite para entrar na vida do povo fiel, entrar “com respeito em seus costumes, em suas tradições, procurando levar em frente a missão de inculturar a fé e de evangelizar a cultura”.

“É um binômio – ressaltou o Pontífice -: inculturar a fé e evangelizar a cultura, valorizando o que o Espírito Santo semeou nos povos, que também é um dom para nós”.

E quando esta inculturação não acontece – alerta – “a vida cristã e, mais ainda a vida consagrada, acaba nas posturas gnósticas mais aberrantes e mais ridículas”, como se pode observar, por exemplo, no “uso indevido da liturgia. O importante é a ideologia e não a realidade dos povos, e isso não é Evangelho.”

Por outro lado, “a vida consagrada é especialista em comunhão; a vida consagrada é itinerante e promotora de fraternidade”, disse Francisco, que chama a atenção para o risco da “tentação da ‘sobrevivência’”, ou seja, fazer as contas sobre o número de religiosos ou religiosas da Congregação.

Neste sentido, o conselho para “renunciar ao critério dos números, ao critério da eficácia, que poderia converter vocês em discípulos temerosos, fechados no passado e abandonados à nostalgia. Esta nostalgia que no fundo são os cantos das sereias da vida religiosa.”

A estratégia e a decisão mais sensatas – portanto – seriam “aproveitar a oportunidade de percorrer com o Senhor os caminhos da esperança, reconhecendo que o fruto está sob a guia exclusiva do Espírito Santo.” E isso se faz, respeitando o santo povo fiel de Deus, evangelizando, dando testemunho, “e o resto deixar ao Espírito Santo”.

O Santo Padre recorda então a importância da alegria, “expressão mais alta da vida em Cristo”, que constitui “o melhor testemunho que podemos oferecer ao santo povo fiel de Deus, a quem somos chamados a servir e acompanhar em sua peregrinação até o encontro com o Pai. Alegria, alegria em múltiplas formas; paz, gozo, senso de humor. Por favor, peçam esta graça!”.

Francisco recorda às religiosas e religiosos que dedicou um capítulo da Exortação sobre a Santidade ao “senso de humor”, e recomenda a sua leitura: “É tão triste – disse ele – ver homens e mulheres consagrados que não tem senso de humor, que levam tudo a sério”.

“Mas, por favor! Estar com Jesus é estar alegre, é ter também a capacidade que dá a santidade deste senso de humor. Leiam este capítulo na minha Exortação sobre a Santidade.”

Antes de pedir que não esquecessem de rezar por ele, “pois preciso muito”, o Papa Francisco fez votos de um bom encontro virtual, pedindo a bênção de Deus e a proteção da Virgem Santa: “Que o Espírito Santo lhes conceda a luz da sua graça, para que possam ser sempre homens e mulheres de encontro, de fraternidade.”

Confira o vídeo do Papa:

 

Fonte: Site Vatican News

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