Vaticano: selos de Natal desenhados por detento de Milão

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O Vaticano colocará à venda, na próxima sexta-feira (9), uma série de selos de Natal assinada por Marcello D’Agata, detento no cárcere de Milano Opera. A iniciativa nasceu no âmbito do projeto “Filatelia nos Cárceres” que o jornalista Danilo Bogoni acompanha há anos na prisão milanesa.

“Quando eu era criança, desenhava sempre toda vez que tinha um papel branco nas mãos”, escreve Marcello sobre sua paixão por lápis e cores. “Naturalmente, eram somente rabiscos, mas eu gostava, pois naquelas folhas eu dava forma e cor às minhas emoções, sobretudo aos meus sonhos. Depois, o destino, que talvez eu poderia ter evitado se tivesse tido mais força interior, mais instrução e também mais condições para entender que as escolhas erradas se pagam. Desde então, eu parei de desenhar, colorir os meus sonhos e o futuro. Há quase vinte e cinco anos estou fechado em ambientes que impedem as cores de animar minha vida”.

O projeto “Filatelia nos Cárceres”

Não se trata de uma metáfora. Marcello D’Agata está na prisão Milano Opera. “Isso, pelo menos, até alguns anos atrás. Desde que a Diretoria da Casa de Reclusão permitiu que um grupo restrito participasse de um curso de design, a fonte de inspiração e as habilidades inativas voltaram à vida”.

A atenção do Papa aos encarcerados

“Os últimos entre os últimos”, lê-se na nota do Departamento Filatélico e Numismático do Vaticano, “estão desde sempre no coração do Papa Francisco e sobre sua situação muitas vezes o Pontífice se pronunciou: os que estão nos cárceres estão descontando uma pena pelo erro cometido. Não nos esqueçamos de que para que a pena seja fecunda, deve ter um horizonte de esperança, caso contrário permanece fechada in si mesma e acaba sendo somente um instrumento de tortura. Não é fecunda”.

60 mil exemplares

Os selos, de 1 euro e 10 centavos e 1 euro e quinze centavos, são impressos em até sessenta mil exemplares. Há também a versão do livreto, incluindo duas séries.

“Do desenho à pintura, o passo foi breve. Apaixonei-me imediatamente pela pintura e procurei também melhorar no âmbito pessoal. O amor pela arte despertou uma parte de mim que eu não conhecida, pois estava escondida na escuridão que roubou minha vida”, conclui Marcello.

*Fonte: Site do Vatican News

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