Papa: “Viagem aos Emirados Árabes foi uma ‘surpresa’ de Deus”

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Em seu quinto encontro do ano com os fiéis na audiência geral, nesta quarta-feira (6), o Papa recebeu sete mil pessoas na Sala Paulo VI e, com elas, compartilhou os momentos principais da viagem que acabou de realizar aos Emirados Árabes Unidos.

Uma visita breve, mas muito importante que, em continuidade com o encontro de 2017 em Al-Azhar, no Egito, “escreveu uma nova página na história do diálogo entre cristianismo e islamismo e no compromisso de promover a paz no mundo a partir da fraternidade humana”.

Foi a primeira vez que um Papa foi à Península Arábica, o que aconteceu justamente 800 anos depois da visita de São Francisco de Assis ao Sultão al-Malik al-Kamil.

“Muitas vezes pensei em São Francisco durante esta viagem: ele ajudou-me a conservar no coração o Evangelho, o amor de Jesus Cristo, enquanto eu vivia os vários momentos da visita; no meu coração estava o Evangelho de Cristo, a oração ao Pai por todos os seus filhos, especialmente pelos mais pobres, pelas vítimas da injustiça, da guerra, da miséria…; a oração para que o diálogo entre Cristianismo e Islamismo seja um fator decisivo para a paz no mundo de hoje”.

Depois de agradecer todas as autoridades do país, Dom Paul Hinder, Vigário Apostólico da Arábia do Sul, a comunidade católica em geral, o Príncipe Herdeiro e o Conselho Muçulmano de Anciãos, Francisco definiu como ponto culminante da viagem o encontro inter-religioso no Memorial do Fundador dos Emirados Árabes Unidos, Xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan.

Em seguida, Francisco revelou ter conhecido o sacerdote mais idoso do país que, aos 92 anos, na cadeira de rodas e cego, continua seu trabalho, sempre com o sorriso no rosto. O histórico Documento sobre a Fraternidade Humana assinado em Abu Dhabi por ele e pelo Grande Imã de Al-Azhar também foi lembrado pelo Papa:

“Afirmamos juntos a vocação comum de todos os homens e mulheres a serem irmãos como filhos e filhas de Deus, condenamos todas as formas de violência, especialmente aquela revestida de motivos religiosos, e nos comprometemos a difundir valores autênticos e a paz no mundo”.

O Pontífice ressaltou que numa época como a nossa, em que há uma forte tentação de ver um choque entre civilizações cristãs e islâmicas, e também de considerar as religiões como fontes de conflito, ambos quiseram dar este sinal claro e decisivo:

“É possível encontrar-se, respeitar-se e dialogar entre si, e que, apesar da diversidade de culturas e tradições, o mundo cristão e o mundo islâmico valorizam e protegem valores comuns: vida, família, sentido religioso, honra para os idosos, educação dos jovens e outros”.

Outro momento significativo desta viagem apostólica foram os dois encontros com a comunidade católica local, formada por trabalhadores de vários países da Ásia, na Catedral de São José, e para a Eucaristia, no estádio de Abu Dhabi, quando rezou-se de modo especial pela paz e pela justiça, com especial intenção para o Oriente Médio e o Iêmen. “Queridos irmãos e irmãs, esta Viagem fez parte das ‘surpresas’ de Deus”, afirmou.

Veja um trecho da catequese do Santo Padre:

*Fonte: Site do Vatican News

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