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A espiritualidade quaresmal e a oração do Rosário

Dentro da espiritualidade da Quaresma, que é uma caminhada mística com Cristo em direção à Páscoa, aconteceu dia 21 de fevereiro passado, a sétima peregrinação dos grupos de Terço dos Homens, vindos das mais variadas partes do Brasil, ao Santuário de Aparecida-SP. Os responsáveis pelas inscrições feitas no serviço de acolhimento da Basílica informaram o comparecimento de 43 mil peregrinos. O ponto alto destas romarias é sempre a Missa, pois é na Celebração Eucarística que se dá o mais perfeito encontro pessoal e comunitário com Cristo. Desta vez, a liturgia do primeiro sábado depois de Cinzas proporcionou reflexão sobre a oração do Rosário na espiritualidade quaresmal, tema desenvolvido, sobretudo na homilia.

Assim como a Quaresma, a oração do Rosário é também um itinerário de contemplação dos mistérios da Salvação.

A primeira leitura, do Profeta Isaías (Is 58,9-14) destacava dois pontos: o compromisso com os pobres e pequenos, e a fiel observância do Dia do Senhor. O fiel é chamado a unir caridade e louvor, a luta pacífica pela justiça e a adoração ao Deus Altíssimo, o combate ao mal estabelecido na sociedade e a participação viva nas celebrações do Povo de Deus caminhante. Na oração do Terço mariano, estas duas vertentes devem se encontrar, sobretudo quando se contemplam os mistérios dolorosos, como se procura fazer de forma ainda mais intensa na Quaresma. Lembrar-se-á que Cristo continua sofrendo nos doentes, nos prisioneiros, nos excluídos, nos que vivem em extrema pobreza, nos que sofrem perseguição, nos que são martirizados fisicamente como, por exemplo, os que estão sendo mortos impiedosamente no oriente por terroristas travestidos de religião, e os que são martirizados moralmente com maledicência, difamação e calúnia.

No trecho do evangelho lido naquele sábado (Lc 5, 27-32) encontra-se Jesus que convive com pecadores, escolhendo um deles para o grupo dos doze apóstolos, que foi o convertido Mateus, também chamado de Levi. O mesmo Jesus, interrogado pelos intrigantes fariseus e mestres da Lei, responde amorosamente: “Não sãos os sadios que precisam de médicos, mas os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores para a conversão” (Lc 5, 31-32).

Nos mistérios da vida de Cristo, contemplados à luz da fidelidade de Maria, durante a oração do Terço, os cristãos são convidados a vencer o desafio do pecado, doença da alma, tema fortemente presente na caminhada quaresmal, itinerário de conversão em preparação para a Páscoa.

A Campanha da Fraternidade no Brasil é proposta como instrumento de auxilio à vivência quaresmal, o que pode se verificar também na oração do Terço dos Homens, onde tem se formado verdadeiras comunidades de irmãos. No presente ano, o lema Eu vim para servir vem em consonância com as inúmeras iniciativas dos homens do terço que, em muitas partes, tem sido força de solidariedade junto aos mais pobres, pois quem se põe na presença de Deus para a oração, necessariamente é levado à prática do amor ao próximo.

No Santuário de Aparecida os peregrinos rezaram o Terço utilizando a mesma forma que os homens fazem em suas comunidades semanalmente, ou seja, meditando os mistérios da vida de Cristo, intercalando as dezenas com cantos, com leituras bíblicas ou textos do magistério da Igreja e com testemunhos. No Santuário, a prece foi enriquecida com encenações. Além disso, puderam ouvir palestras com temas bíblico-catequéticos, e confraternizar com os inúmeros grupos vindos de todo o país, muitos deles antes desconhecidos entre si.

Tudo concorreu para a integração feliz entre a vivência da espiritualidade quaresmal e a oração do Terço, pois este precioso modo da religiosidade popular revela-se como verdadeiro itinerário pascal.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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