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Purgatório: Misericórdia de Deus

Que é o purgatório? O catecismo da Igreja Católica ensina que o Purgatório é um estado existencial entre a vida terrena e a felicidade eterna no céu, com o fim de plena purificação. Na verdade, para se encontrar com Deus é necessário que estejamos totalmente puros e não penetre no céu nenhuma sobra das manchas de pecado. No céu não há pecado. Não pode haver. Seria um contra-senso. Mas Cristo já não nos purificou com sua morte na cruz? Certamente. Totalmente. Porém a salvação deve ser acolhida, reconhecida, vivenciada. Mesmo depois de nosso batismo, que nos lava de todos os pecados, podemos ainda cair outra vez em pecados e é necessário um contínuo ato de purificação já aqui na terra, na luta contra o mysterium iniquitates, conforme nos ensina São Paulo (cf. 2 Tes 2,7). Ao momento da morte, muitos se condenam porque se recusaram a aceitar a misericórdia de Deus, fecharam-se à graça, negaram-se a reconhecer o ato salvífico de Cristo que deu a sua vida por nós, estão, portanto e infelizmente no inferno. Outros morrem na plena graça divina e já se encontram em perfeita posse de Deus e nem necessitam mais de qualquer purificação; estão no céu. Porém, há aqueles que mesmo tendo procurado o caminho do bem aqui na terra, mesmo tendo reconhecido o Cristo Salvador, morreram com pecados que precisam ser eliminados antes de entrarem para a perpétua presença diante de Deus. É o caso, por exemplo, dos que morreram improvisamente e não tiveram nem tempo de pedir perdão. Deus é misericordioso para com estes e não vai condená-los ao castigo eterno.

O Purgatório é bíblico? A palavra ‘purgatório’ não se encontra na Bíblia, mas o conceito sim e abundantemente, tanto do Antigo Testamento, como do Novo. Também outras tantas palavras legítimas e santas não estão explicitamente na Bíblia, como, por exemplo, a palavra “Santíssima Trindade”, nem mesmo a própria palavra “bíblia” não se encontra em nenhuma parte da Sagrada Escritura. O livro dos Macabeus indica que já mesmo antes do nascimento de Cristo, os judeus acreditavam no valor da oração pelos mortos em estado de purificação, como no seguinte texto: “Em seguida fez uma coleta, enviando-a a Jerusalém cerca de dez mil dracmas de prata, para que se oferecesse em sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque , se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido em vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era isto um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (2º. Mac. 12, 42-46). No evangelho de São Mateus, capítulo 5, afirma Jesus: “Entrem em acordo, sem demora, com o seu adversário, enquanto ainda estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao ministro e te seja posto em prisão. Em verdade eu te digo, dali não sairás antes de ter pago o último centavo” (cf. Mt 5,25-26). Também São Paulo afirma à comunidade de Corinto: Ninguém pode pôr fundamento diverso do que foi posto: Jesus Cristo...O dia do julgamento demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo o provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir , o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira pelo fogo ( I Cor 3, 11-15).
Em São Mateus, encontramos ainda a seguinte passagem: Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem, será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século, nem no século vindouro (Mt 12,32). Vemos assim que há pecados que podem ser perdoados no século vindouro, ou seja, depois da morte. No livro do Apocalipse lemos que há necessidade de inteira pureza de alma para se entrar no céu, e que pela bondade de Deus podemos purificar-nos de nossos pecados não mortais, pois “o justo peca sete vezes” (Cf. Ap. 21, 27).

Leia com proveito ainda: Efésios 2, 4; 2ª.Timóteo 4,8; 2ª.Coríntios 5,10; Mateus 16, 27; Romanos 2,5-8; 1ª.Pedro 1, 17; Apocalipse 22,12. Deus nos perdoa, mas exige de nós, para nosso próprio bem, uma pena de expiação.

Rezemos pelos nossos mortos, pois eles rezam muito mais por nós, em seu “retiro espiritual” de penitência purificadora na preparação próxima para a entrada do eterno lar que Deus preparou para todos os que o amam (cf I Cor 2,9).

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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