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Comunicações Sociais. Tudo será verdade?

Definitivamente, estamos na era das comunicações. O mundo está plugado. Coisas incríveis a tecnologia conseguiu, inimagináveis para um passado muito próximo. Porém, a pergunta sobre a verdade no uso destes meios tão avançados é inevitável. Os meios de Comunicações Sociais estão inteiramente a serviço da verdade?

A matéria é examinada pelo Papa Francisco em sua mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais que é celebrado sempre no Domingo da Ascensão do Senhor, neste ano, no dia 13 de maio.

Francisco escolheu como tema a palavra de Cristo: “A verdade vos tornará livres” (João 8, 32). Faz séria reflexão sobre o desastre que causam as fake news na vida das pessoas e o prejuízo moral ao próprio mundo das comunicações. A mentira só produz situações degeneradoras, a falsidade destrói a dignidade humana e agride as relações entre as pessoas.

A verdade, contudo, a todos serve e conduz à paz, ao respeito mútuo e ao crescimento humanitário.

Partindo da Bíblia, o Papa recorda que, segundo a descrição do livro do Gênesis, a primeira fake news da história teria sido a tentação sofrida por Adão e Eva, provocados pela serpente, ‘o mais astuto dos animais’ (cf Gen.3, 1-23). Usando de meia verdade e meia mentira, o tentador engana as pessoas, provoca desconfiança onde não havia, induz ao despeito, à inveja, ao orgulho. O pecado inicial introduz o ódio entre irmãos causando o primeiro fratricídio, praticado por Caim contra seu bom irmão Abel. Pelo abuso da comunicação, o maligno faz entrar na história humana a derrocada de toda sorte de mal.

Semear fake news é um dos maiores desserviços à própria obra das comunicações, pois gera desconfiança, fere a ética, provoca ofensas, agride a paz social. Diz o Papa: “nenhuma distorção é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”.

Uma das características da comunicação de hoje é a rapidez. Tudo é tão veloz que dificilmente se pode controlar a divulgação de uma notícia. A avidez de certas agências em sair à frente, a ser a primeira a dar a notícia, visando sucesso e dinheiro, resulta em grande perigo, pois muitas vezes põe em jogo a veracidade dos fatos e pode moralmente destruir pessoas para sempre, quando publicam supostos crimes, sem comprovação devida. Uma vez dito nos meios ou viralizada nas redes sociais, ninguém mais conseguirá voltar atrás e limpar o nome de quem foi injustamente prejudicado. Isso funciona como as cartas anônimas, pois partem de pessoas inescrupulosas, dotadas de mal caráter e de nenhum espírito cristão. O missivista anônimo age como hipócrita que atira a pedra e esconde a mão. O mesmo se dá com certas acusações graves que são viralizadas, na maioria dos casos, sem se conhecer sua procedência.

O Papa diz: “As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável”. E mais à frente, diz: “As próprias motivações econômicas e oportunistas da desinformação têm raízes na sede do poder, do ter e do prazer”.

Como remédio principal para vencer o problema das falsas notícias, a mensagem pontifícia propõe duas medidas. A primeira é a educação das pessoas, desde crianças, para que vençam a tentação da mentira, a fim de serem formadas na verdade como uma opção pessoal. A segunda medida prática é não passar para frente, não compartilhar, não dar nenhuma atenção às fake news, mas justamente combater esta prática.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora
Bispo referencial da Comissão para Comunicação e Cultura do Regional Leste 2 da CNBB

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