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O Papa Francisco, desafios do mundo e Maria

Mesmo diante de tantos desafios e problemas do mundo de hoje, temos razões para nos alegrar na vivência de nossa fé, na prática diária de princípios cristãos. A razão mais alta está em Cristo Jesus que morreu na cruz para salvar a humanidade, mas que ressuscitou, vencendo o mal e a morte. Ele deu a sua vida para que tenhamos a vida plena: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). Muitas forças contrárias nos colocam em cheque, nos ameaçam, mas não nos podem vencer, pois o mal nunca vencerá o bem; o demônio nunca vencerá a Deus.

Os tempos atuais, embora cheio de problemas em várias partes do globo terrestre, é de se agradecer a Deus pela atuação, simplicidade e natural simpatia do Papa Francisco, que impele e anima as pessoas à luta, a suportar as vicissitudes, sem perder a alegria, a serenidade, a esperança, como fez Maria, a Mãe do Senhor.

Em sua primeira encíclica, que teve como título Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), publicada a 24 de novembro de 2013, entre os ícones da esperança e fortaleza, o Papa apresenta Maria como protótipo. Ela é anunciada como anunciadora da alegria do Evangelho, mesmo tendo que enfrentar grandes sofrimentos, “Mãe da Evangelização”.

Partindo do evangelho de João, ao mencionar os últimos momentos dramáticos da vida de Cristo, (Jo 19,25-27), Francisco a aponta como precioso dom de consolo e fortaleza que Jesus oferece aos seus discípulos. Literalmente, fala o Papa: “Na Cruz, quando Cristo suportava em sua carne o dramático encontro entre o pecado do mundo e a misericórdia divina, pôde ver a seus pés a presença consoladora da Mãe e do amigo. Naquele momento crucial, antes de declarar consumada a obra que o Pai Lhe havia confiado, Jesus disse a Maria: ‘Mulher, eis o teu filho!’ E, logo a seguir, disse ao amigo bem-amado: ‘Eis a tua mãe!’ (Jo 19, 26-27). Estas palavras de Jesus, no limiar da morte, não exprimem primariamente uma terna preocupação por sua Mãe; mas é, antes, uma fórmula de revelação que manifesta o mistério duma missão salvífica especial. Jesus deixava-nos a sua Mãe como nossa Mãe. E só depois de fazer isto é que Jesus pôde sentir que “tudo se consumara” (Jo 19, 28).

Maria é aquela que soube transformar um curral de animais na casa de Jesus, com os pobres paninhos e uma montanha de ternura” (E.G. 285).

No Motu Proprio Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia), com o qual abriu, em 2014, o Ano da Misericórdia, o Papa a venera exatamente como “Mãe da Misericórdia” e convoca outra vez a Igreja para rezar a tradicional oração da “Salve Rainha”: “Dirijamos-lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós o seu olhar misericordioso e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus” (M.V. 24).

Quando escreve a sua mais apreciada encíclica Laudato Si (Louvado Seja), em 24 de maio de 2015, Francisco confere à Mãe de Jesus o título de “Rainha de toda a Criação”. Como cuidou ela de Jesus, cuida deste mundo ferido, com tantos problemas que agridem a natureza, o meio ambiente, a água, as árvores, os pássaros, os animais, enfim, da criação que Deus oferece à humanidade como Casa Comum. Ao tratar disso, referindo-se ao capítulo doze do Apocalipse, chama à atenção para os termos eminentemente ecológicos da narrativa: “a mulher vestida de Sol, tendo a lua sob seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça”, indicando Maria como pessoa totalmente integrada na obra criadora, salvadora e santificadora do Pai.

Em muitas outras falas, Francisco se refere à Mãe do Senhor com devoção e afeição, intercessora, sobretudo para os momentos difíceis.

Ao ensejo do Ano Mariano que estamos celebrando no Brasil, o Papa se faz espiritualmente presente com mensagens, a garantia de seu apoio espiritual, e com a força da indulgência plenária que oferece a todos que visitarem igrejas onde Nossa Senhora Aparecida é venerada, para que, confiando em Deus, todos os desafios sejam superados aos auspícios da venerada Mãe.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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