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Natal: Festa da Paz

Feliz Natal! Faça de seu coração um presépio, o espaço de Deus, singelo, terno e cheio de bondade. Não dê espaço ao ódio, à vingança, à maledicência, à inveja, à hipocrisia, pois estes sentimentos não se encontravam na gruta daquela noite santa. Dê lugar ao bem, à alegria, à harmonia, ao perdão, mesmo que seus opositores não se convertam.

Enfeite o ambiente com ternura, afabilidade, palavras boas, olhar puro, obras de misericórdia, sobretudo para quem mais necessita material ou espiritualmente.

Ilumine a casa de seu coração com a luz da oração, da escuta da Palavra de Deus e da participação viva no ato sagrado onde a Igreja se reúne para celebrar, ou seja, para tornar outra vez presente o fato amoroso de Deus que não conhece limites nem de tempo e nem espaço. Cante com a milenar liturgia: Hodie, Christus Natus és nobis! (Hoje, Cristo nasceu para nós!).

Componha seu lugar interior de bons propósitos, para que o ano vindouro seja melhor, porque você deseja colaborar de sua parte, oferecendo ainda que pouco, mas com a sensação e a certeza de quem oferta tudo o que pode para que o mundo fique mais humano, mais bonito, mais igual para todos. Ornamente o ambiente com as canções de suave encanto próprias deste tempo, com a satisfação e a candura das crianças, com a poesia do abraço e dos desejos sinceros ditos meigamente aos ouvidos, augúrios para este dia e para o ano que vai chegando.

Arme sua árvore, mas não se preocupe em gastar dinheiro com ela, apenas dê um toque da maravilha da natureza cheia de vida e verdes esperanças. Se puder, coloque nela frutos de verdade ou imagens deles como bolas brilhantes e fios prateados, como símbolos de seus esforços de fazer somente o bem no ano que vai terminando. Ela lhe dará o oxigênio para a paz de seus pulmões espirituais feitos para respirar ares puros e benfazejos.

Olhe o presépio e não se esqueça que Natal é festa de família, onde pais recebem o Filho que vem do céu e sabem que tal criatura terá a missão de ensinar o amor. Verifique neste ambiente familiar que o Menino de Belém, ao correr da vida, ensinou tanto a amar que deu a vida por todos os seres humanos, até mesmo pelos seus inimigos.

Alimente esta noite santa com os espaços que você dará a Ele, como a mãe que reserva sempre mais um lugar para o filho em seu regaço, ou o pai que é capaz de trabalhar a vida inteira só para ver seu menino vencer. Família é espaço sagrado. Não pode ser maculado com interpretações equivocadas e nem com ausência de fé.

Dê espaço a Maria e a José, pois eles estavam lá naquelas cercanias da cidade ‘casa do pão’, não por acaso, mas porque o Senhor Deus, poderoso, misericordioso, bondoso já havia tudo previsto, desde o Jardim do Gênesis e a casa real de Davi, seu servo.

Olhe para o ventre de Maria, como nova Arca da Aliança, onde não se encontram mais apenas duas tábuas de pedra com mandamentos e mais alguns objetos santos, mas que traz o próprio Filho de Deus como Salvador da humanidade.

Não tire os olhos de José, pois aprendemos que para transformar uma casa de animais em morada de Deus, é preciso ser homem justo e temente ao Senhor do Universo. Não feche seus ouvidos interiores ao canto dos anjos, pois somente os que pastoreiam com simplicidade de coração e não estão escravizados pelos bens materiais podem ouvi-lo.

Deixe a porta aberta para os Magos do Oriente que vêm com seus camelos e dromedários para adorar o recém-nascido, trazendo seus presentes de ouro, incenso e mirra, reconhecendo nele o rei dourado, o Deus de suave perfume e o homem capaz de sofrer e até morrer para que o amor não faleça nos corações humanos.

Dê, neste Natal, espaço à paz de uma noite feliz, de um Deus de amor, pobrezinho nascido em Belém!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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