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A Família vai bem?

Um dos assuntos mais discutidos hoje é a respeito da família. Fala-se sobre crise na instituição familiar, alguns querem atribuir o conceito de família a outros grupos sociais, e certo pessimismo ronda no ar dos tempos modernos sobre o assunto.

O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado (13 de março de 2013), tem se mostrado também muito preocupado com o tema. Convocou dois Sínodos de Bispos, representantes das conferências episcopais do mundo inteiro, para discutir o assunto, um em outubro de 2014 e outro em outubro de 2015, mandou fazer uma pesquisa minuciosa em todas as dioceses do orbe e nomeou comissões para aprofundar o estudo sobre a questão. Em setembro de 2015, publicou, em forma de Motu Proprio, novas medidas e orientações para processos matrimonias nos Tribunais Eclesiásticos, possibilitando a celeridade e favorecendo diminuição de custos e até mesmo gratuidade para os carentes.

Em 19 de março do corrente ano de 2016, Francisco publicou a Exortação Apostólica Pós Sinodal, ‘Amoris Laetitia’ (A Alegria do Amor) que traduz visão positiva da família, chamando à atenção para os aspectos animadores da vida em família, em vez de fixar-se em lamentos e desilusões. O texto, mesmo não desconhecendo os sérios problemas vividos hoje em relação ao tema, deseja se fixar muito mais na esperança que em derrotismo. Destaca a beleza e o prazer de se viver em família, e demonstra que no mundo de hoje há mais famílias felizes que lares derrotados. Vence os perigos de associar desafios com derrota, e problemas naturais com crise insolúvel.

Tratando da realidade e os desafios das famílias, o Papa condena explicitamente a chamada ‘ideologia de gênero’ que “esvazia a base antropológica da família” (cf AL, 56).

Reveste-se de importância o capítulo VII, que trata da educação dos filhos, lembrando que a educação da consciência, da ética da fé cabe, em primeiro lugar, à família, sobretudo dos pais. Literalmente diz: “A tarefa dos pais inclui uma educação da vontade e um desenvolvimento de hábitos bons e tendências afetivas para o bem.”

O oitavo capítulo da ‘Amoris Laetitia’ trata especificamente dos desafios, enfocando inclusive os numerosos casos atuais de segunda união conjugal. O texto provoca certa polêmica, porém não tem a pretensão de resolver juridicamente as questões de forma global, oferecendo, contudo, boas orientações pastorais para o discernimento das Igrejas locais.

Sem dúvida, o capítulo mais bonito é o nono, que trata da Espiritualidade Conjugal e Familiar, onde se leem indicações seguras sobre o lugar precípuo da fé na família, encerrando o documento com linda oração, cujo último período parecer resumir todo o espírito desta Exortação Apostólica: “Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus!”.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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