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Caridade: a maior das virtudes

Entre todas as virtudes que a pessoa humana pode praticar, destaca-se como principal a da Caridade. O termo vem do latim Charitas, que pode resultar em dois vocábulos: caridade ou amor. São Paulo escrevendo aos Coríntios, mostra que há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. Porém, diz o Apóstolo das Gentes, a maior delas é a caridade (Cf. I Cor 13, 13). São chamadas teologais, segundo o Catecismo da Igreja Católica, porque se relacionam diretamente a Deus. Pela fé se crê, sem duvidar, em Deus, única fonte de verdade; pela esperança, se tem a certeza da vida eterna; pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. A caridade, diz ainda São Paulo aos Colossenses, é o vínculo da perfeição (Cf. Col 3, 4). Desta virtude Cristo tira seu principal mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado (Jo 15, 12).

A caridade deve ser praticada a todos, porém se expressa de forma mais concreta com os mais vulneráveis, seja pela pobreza, seja pelo sofrimento, seja pela fraqueza ou qualquer outra situação degradante. São Mateus, traduzindo o discurso de Jesus sobre o juízo final, demonstra que o ser humano, ao fim de sua carreira terrestre, será examinado sobre a prática da caridade que se expressa concretamente nas obras de misericórdia: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era migrante e me acolhestes, estava nu e me vestistes, doente e cuidastes de mim, na prisão e fostes me visitar. ” (Mt 25,34-37).

No caminhar da história do cristianismo, encontramos constantes exemplos de pessoas e comunidades que assumiram com denodo esta prática, certos de que aquilo que se faz ao próximo no campo da caridade é a Cristo que se faz. Na verdade, Cristo afirmou: “Todas as vezes que fizestes isso a um dos meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes. ” (Mt 25, 40).

Na idade antiga, encontramos exemplos eloquentes da prática da caridade, por exemplo, na cidade de Roma, por volta do ano 250 uma obra organizada entre os cristãos atendia a mais de 500 famílias indigentes. Na idade média são inúmeras as casas, mosteiros, paróquias, organizações, associações que expressaram a excelência da caridade, salvando a vida de milhares de seres humanos. Pessoas como Santa Edwiges, Santa Gertrudes, São Francisco, Santa Clara, São Francisco de Paula, Santo Antônio de Lisboa e praticamente todos as centenas de santos e santas canonizados são expressões eloquentes da prática do amor caritativo.

Na idade moderna, erguem-se São Vicente de Paulo (1588-1660), cognominado Pai dos Pobres, Santa Luiza de Marilac (1591-1660), Frederico de Ozanan (1813-1853), entre tantos outros.

Nos tempos mais recentes, citemos a recém canonizada Madre Teresa de Calcutá (1910 – 1997) e a brasileira Irmã Lúcia dos Pobres. São apenas pouquíssimos nomes aqui mencionados, entre milhares que se tornaram modelares para os todos nós.

Em nossa Arquidiocese de Juiz de Fora, vão se tornando cada vez mais expressivos os trabalhos do Vicariato da Caridade que fundamos em 2011. Ele procura reunir e articular todas as ações sócio-caritativas de nossa Igreja Particular. Promove, todos os anos, dois eventos importantes que são a ‘Semana da Caridade’ em maio e o ‘Seminário da Caridade’ em setembro, convidando a sociedade a um grande mutirão de ações concretas em favor dos mais pobres e sofredores.

Desde o ano passado a Arquidiocese assumiu a direção do Instituto Padre João Emilio que, além de atender a mais de cem famílias carentes, vem se tornando o espaço arquidiocesano da caridade.

Você, caro leitor, é convidado a associar-se a nós neste ideal, pois sem a caridade a vida se torna desumana e com a caridade a vida ultrapassa até os limites da morte, nos introduzindo no céu, o eterno espaço do amor a Deus e ao próximo.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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