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Por que ir a Aparecida?

Na peregrinação juiz-forana ao Santuário Nacional de Aparecida, no sábado passado, 27 de agosto, a liturgia celebrada, por ter sido no horário de meio dia, já foi a de Domingo, com suas lindas leituras sobre a virtude da humildade e a da gratuidade. Ao ouvir a primeira leitura, do livro do Eclesiástico (Ecl. 3,19-21.30-31), os peregrinos acolheram a Palavra de Deus como graça que robustece os pequeninos, os fracos e os pobres, exaltando a importância suprema da humildade que vence a vaidade e destrói o orgulho. 

O trecho da carta aos Hebreus (Heb. 12,18-19.22-24) recordou que há realidades que são mais elevadas que as coisas terrenas. Os que se aproximam de Cristo superam a pequenez da realidade do mundo, abrindo-se para o infinito.

Ao evangelho (Lc 14, 1.7-14), as palavras de Jesus na casa do fariseu, sobre não ocupar os primeiros lugares nos banquetes, não são apenas uma regra de boa educação, mas um verdadeiro preceito religioso, cuja base é a virtude da humildade que aprofunda o tema da primeira leitura.

As palavras do Divino Mestre se completam com a lição da caridade, a rainha de todas as virtudes. Ao oferecer banquetes, não devemos convidar só os amigos e as pessoas que julgamos importantes, mas também os pobres, os coxos, os aleijados, afinal, aqueles que não nos podem retribuir com o mesmo gesto. Assim, teremos a certeza da gratuidade que dignifica e engrandece a vida da pessoa humana e imita o agir divino.

Nada melhor que refletir sobre estes temas na casa de Maria, mestra em humildade, gratuidade e união plena com Deus. Em Maria aprendemos a seguir os passos de seu filho Jesus e a caminhar pressurosos ao santuário da eternidade, pois toda romaria é imagem desta definitiva estrada.

O Povo católico de Juiz de Fora foi à Basílica de Aparecida para levar a imagem peregrina da Padroeira do Brasil que, desde 2 de janeiro último, esteve visitando paróquias, comunidades, hospitais, presídios, lugares de pobreza e sofrimento. O povo sabe que o mais importante não é a imagem em si, mas o que ela representa: a mensagem de Deus à humanidade, enviando seu Divino Filho que nasceu de Maria, a serva humilde do Senhor, que hoje goza no céu da felicidade suprema e é venerada na terra como Rainha, Mãe da Igreja e de todos os seres humanos, mesmo dos que não creiam. Mãe é Mãe, não importa a condição do filho.

O evento, pelo seu caráter eclesial e missionário, reforçou os ideais de nosso Sínodo Arquidiocesano, celebrado há poucos anos, que escolheu como tema de nossa ação pastoral, “Arquidiocese de Juiz de Fora, uma Igreja sempre em missão”, e como lema: “Fazei discípulos Meus”. O convite do Senhor, no sentido de praticar a humildade e gratuidade, promover a caridade e a justiça social tornou-se neste momento de peregrinação um verdadeiro impulso na vivência da palavra de Maria nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser” (cf Jo. 2, 1-11).

Estes pensamentos, estas experiências de fé, esta extraordinária maneira de celebrar a condição de Igreja como Povo de Deus em Marcha, na expressão do Concilio Vaticano II, são razões importantes para sair em peregrinação tão numerosa, ao maior centro de espiritualidade cristã de nosso País, a casa da excelsa Padroeira, para agradecer pelos 300 anos do encontro da santa imagem.

Sob a inspiração do hino composto pelo paulista Conde Vicente de Azevedo, nosso coração vibrou cantando: Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!

Ao compasso de Bento Ernesto Junior, antigo poeta de Itapecerica, minha terra natal, os devotos mineiros exultaram: Eia povo devoto a caminho, sob a vista bondosa de Deus! Vamos levar nosso preito à bendita Rainha dos céus!

E por fim, pôde cantar o hino composto pelo extraordinário juiz-forano, Belmiro Braga, com música de Pe. João Batista Lemann, à época vigário em Juiz de Fora: Virgem Mãe Aparecida, estendei o vosso olhar, sobre o chão de nossa vida, sobre nós e nosso lar!

A imagem presenteada à nossa Arquidiocese, que a Romaria trouxe de volta, encontra-se exposta na Catedral de Juiz Fora. Dia 12 de outubro, numa bela carreata, pretendemos levá-la para a Paróquia N. Sra. Aparecida, no centro da cidade, onde permanecerá perpetuamente como marco do tricentenário.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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