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Peregrinando a Aparecida

No dia 27 de agosto, milhares de fiéis da Arquidiocese de Juiz de Fora se dirigiram ao Santuário Nacional de Aparecida, levando, devotamente, a imagenzinha da Padroeira do Brasil, que percorreu as nossas 90 paróquias, desde 2 de janeiro passado. Foram mais de cem veículos como ônibus, vans, carros e outros que transportaram o povo de Deus em peregrinação à casa de Maria. A mega romaria arquidiocesana contou com a participação efetiva de praticamente todos os padres, diáconos, seminaristas, muitos religiosos e religiosas, além de milhares de leigos e leigas, como acima referido.

Celebrada a missa ao meio-dia, na Basílica da capital espiritual do Brasil, foi emocionante receber, das mãos do Reitor do Santuário, a oferta da referida imagem peregrina que retornou à nossa Igreja Particular juiz-forana, onde ficará perpetuamente em veneração, recordando os 300 anos do encontro da estatuazinha original, que serão celebrados festivamente em outubro de 2017 e que motivaram estas movimentações religiosas entre nós, neste corrente ano de 2016.

Foi em 1717 que os fatos se deram. Três pescadores de Guaratinguetá, encarregados de pescar peixe no rio Paraíba do Sul, para um banquete a ser oferecido ao Conde de Assumar, importante autoridade do Reino de Portugal na então colônia brasileira, governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, e nada conseguindo depois de várias tentativas, acabaram por pescar uma pequena e simples imagem negra, rota, faltando-lhe a parte da cabeça. Ao lançar, desiludidos, novamente as redes, eis que, curiosamente vem à tona a parte faltante que ajustaram à estátua antes pescada. Depois de tal fato, narram os relatos da época, foi de tal maneira abundante a pesca que não puderam senão convencer-se de que se tratava de um ato miraculoso. Conservada amorosamente por um destes pescadores, os fatos extraordinários se sucederam, demonstrando a predileção de Deus para com aquela gente sofrida e pobre, sobretudo escravos injustiçados pelo regime e pelos maus tratos.

Os milagres são sempre feitos por Deus. Só Deus pode fazer tais maravilhas, pois só a Ele nada é impossível (cf. Lc 1, 37). Porém, a misericórdia de Deus pode chegar até nós por milagres pedidos pela intercessão dos santos e anjos, especialmente de Maria, a Mãe do Senhor, como aconteceu nas bodas de Caná (cf.Jo. 2, 1- 11).

A devoção a Maria ao redor daquele singelo símbolo foi crescendo de tal maneira na região, espalhando-se pouco a pouco para todo o Brasil, ao ponto de hoje tornar-se uma grande e expressiva força de genuína evangelização, piedade e mística em sua enorme e bela Basílica Nacional na cidade de Aparecida, Estado de São Paulo. Sem dúvida, o maior dos milagres de Deus em Aparecida, segundo meu entender, é o fato de uma imagem tão pequena, simples, destituída de maiores expressões da arte, quebrada e reconstituída, conseguir movimentar, depois de 300 anos, milhões de fiéis para louvar a Deus, ouvir sua palavra, vivenciar sua fé, crescer na sua espiritualidade, aumentar sua confiança na solução sobrenatural de tantos problemas que afligem o coração de cada um e, às vezes, guardados no mais profundo segredo dos corações. Isso desafia a tentação de racionalizar a fé. Deus é maior que a razão, pois Ele é seu criador.

Entre os arcos românicos da majestosa basílica, inebriados pela beleza e simbolismo bíblico da arte de Cláudio Pastro, os peregrinos arquidiocesanos, ao se prepararem para as celebrações do tricentenário ano que vem, vibraram, cantando o hino de autoria do juiz-forano, Belmiro Braga, com música de Padre Leman, ex-pároco em Juiz de Fora, ambos hoje na eternidade: Virgem Mãe Aparecida, nossa vida, nossa luz, dai-nos sempre nesta vida paz e amor no Bom Jesus!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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