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Peregrinação dos jovens à JMJ na Polônia (Terceira Parte)

Dia 25 de julho, chegamos a Cracóvia. Os peregrinos juiz-foranos, emocionados, desceram do ônibus e beijaram o chão daquela abençoada terra, como fazia João Paulo II, todas as vezes que visitava algum novo lugar.

Já de início, vimos a cidade como que invadida, no bom sentido, por milhares de grupos de jovens, com suas bandeiras nacionais, vindos das mais variadas partes do mundo. Era como o dia de Pentecostes, narrado pelo livro dos Atos dos Apóstolos (Cf Atos 2, 1-12). Línguas, costumes, tipos físicos, culturas diferentes, mas todos se entendendo pela força da fé e a linguagem da fraternidade, do amor de Cristo. Em tudo, respirava-se Deus como Pai de todos!

A Jornada se desenvolveu como de costume, com as catequeses e as atividades próprias da programação. Quinta feira, à tarde, aconteceu o primeiro encontro com o Papa Francisco, sexta feira a Via Sacra, sábado a Vigília Eucarística e Domingo a Missa do Envio. Todas estas celebrações foram presididas pelo Sucessor de Pedro que dirigia palavras de grande importância para os jovens. Incentivava-os a ter coragem para transformar este mundo através da força do amor misericordioso e do compromisso. Que nenhum jovem fique acomodado, deitado em seu divã, foram palavras de Francisco.

O lema da jornada foi Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia (Mt 5,7). Era emocionante participar do canto desta frase, entoado por milhares de pessoas reunidas no mesmo local!

Na cerimônia de abertura, a queda do Papa no altar recordou as três quedas de Jesus que, levantando-se, salvou o mundo. Alguém escreveu: “O Papa caiu, mas continua firme à nossa frente, na estrada da evangelização da humanidade”.

A multidão de cerca de dois milhões de jovens, a presença de mais de mil e quinhentos bispos, milhares de presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, leigos e leigas, eram como que a visão da Igreja viva, confiante e alegre, que vai singrando os mares da história com sua barca invencível mesmo diante de qualquer tempestade, pois seu timoneiro é Cristo.

Essa Jornada foi diferente. Uma série de circunstâncias, lugares, fatos históricos localizados geograficamente deram um caráter especial a tudo o que aconteceu nesta semana em terras polonesas.

A visita a Wadovice, terra natal de Karol Woytyla, levou a experiências muito especiais, ao adentrar à sua casa natal, hoje um moderníssimo museu que possibilita ao visitante, como que, mergulhar no ambiente da infância do futuro Papa e percorrer toda a sua trajetória de vida. Ao lado da casa, está a Matriz de Nossa Senhora do Carmo, onde Karol, que em família era apelidado Lolek, foi batizado, fez a primeira comunhão, foi crismado e onde celebrou na alma o chamado para ser sacerdote. Associa-se a isto, a visita ao Santuário de São João Paulo II, em Cracóvia, construído depois de sua canonização. Trata-se de bela arquitetura decorada internamente com cenas da vida de Jesus e de João Paulo, em mosaicos do Padre Rupinik-SJ, artista sacro dos tempos atuais. Ali se encontram alguns objetos pertencentes ao Papa santo, mas a vitrine que mais atrai é onde está a batina ensanguentada que o Pontífice usava no dia do atentado contra sua vida acontecido em 13 de maio de 1981, na Praça São Pedro.

Ao visitar o Santuário da Divina Misericórdia, ao lado do mosteiro onde viveu e morreu Santa Faustina Kowalka, o sentimento de contemplação invade naturalmente o coração do peregrino e o predispõe a rezar contritamente, ouvindo, em língua polonesa, o canto do lema Jesus, eu confio em Ti, presente no quadro de Jesus Misericordioso, da forma ditada pela vidente Irmã Faustina.

Marcas fortes ficaram no coração de todos, quando visitamos o ex-campo de concentração e de extermínio nazista de Auschwitz. Programação especialmente preparada para esta Jornada possibilitou a visualização de prédios, de locais de fuzilamento, de câmaras de gás, crematórios, onde mais de um milhão e cem mil pessoas foram torturadas e mortas, inocentemente, vítimas do regime nazista opressor, desumano, brutal, violento, terrorista, diabólico comandando pela loucura de ideologias políticas intolerantes que causaram a segunda guerra mundial entre os anos de 1939 a 1945. Ali foi martirizado o Padre Maximiliano Kolbe, a filósofa e teóloga Edit Stein (Irmã Benedita da Cruz-OC), hoje canonizados, e tantos seres humanos, incluindo padres e freiras, prisioneiros de guerra ou gente de etnias não agradáveis a Hitler e a fanáticos de sua raça. O Sentimento de quem visita o lugar é de tristeza e a prece natural é esta: que nunca mais aconteça isto na humanidade!

Ao final da Missa, o Papa anunciou o local e a data da próxima JMJ: Panamá, em fevereiro de 2019.

Não há dúvida. A JMJ da Polônia deixou marcas indeléveis e inenarráveis no coração da juventude e disposições muito especiais nos jovens peregrinos de nossa Arquidiocese de Juiz de Fora!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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