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Peregrinação dos Jovens à JMJ na Polônia (Segunda Parte)

Foi maravilhosa a Jornada Mundial da Juventude na Polônia, realizada de 25 a 31 de julho passado, na cidade de Cracóvia, de onde, em outubro de 1978, saiu o Cardeal Karol Wojtyla para o segundo conclave daquele ano, sem saber que retornaria como Papa, com o nome de João Paulo II.

Semana passada, publiquei notícias sobre a primeira parte da peregrinação dos 60 jovens da Arquidiocese de Juiz de Fora, que tive oportunidade de acompanhar, como Diretor Espiritual. Prosseguindo aquele relato, passo hoje à segunda parte, que o leitor, mesmo não tendo lido a primeira, poderá segui-la sem prejuízo da compreensão.

No dia 22 de julho passado, deixamos a Alemanha para ir para a República Tcheca. Antes de chegar à cidade de Praga, capital do País, paramos à beira da estrada, ainda em território alemão, num lugar bucólico e aprazível para celebrar a terceira Missa. Era dia de Santa Maria Madalena e pudemos refletir sobre a imensa misericórdia de Deus que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva, como afirma a Sagrada Escritura (cf Ez.18,23). Foi emocionante o momento, segundo revelação de vários peregrinos. Deus falou aos corações suas palavras de Pai misericordioso.

Em Praga, foi também emocionante encontrar muitas referências a São João Nepomuceno, Padroeiro de uma de nossas cidades na Arquidiocese de Juiz de Fora. Orientados por duas excelentes guias, chegamos à Ponte Carlos IV, onde se encontra o marco do martírio daquele santo sacerdote que preferiu morrer que revelar a confissão da Rainha, pressionado pelo rei que, numa clamorosa injustiça, o condenou à morte por afogamento no volumoso rio que corta cidade ao meio. Ali recordamos a história do mencionado santo, rezamos especialmente pelo povo de nossa Paróquia São João Nepomuceno e pelos nossos sacerdotes para que, em tudo, sejam fiéis até o fim.

À noite, como vinha acontecendo desde Paris, encontramos muitos grupos de jovens de várias partes do mundo que, como nós, se dirigiam à JMJ em Cracóvia. Na Igreja de Nossa Senhora do Convento dos Carmelitas Descalços, onde se encontra a famosa imagem do Menino Jesus de Praga, celebramos a quarta Missa, esta em língua espanhola, com a presença de jovens chilenos, portugueses, filipinos e de outras proveniências.

Tendo visitado vários outros pontos religiosos e culturais na bela cidade de Praga, partimos no dia seguinte para Viena, capital da Áustria, um dos centros históricos da fé católica na Europa e importante referência para música erudita, clássica e barroca. Terra de Amadeus Mozart, dos dois Strauss, pai e filho, e de tantos outros músicos da idade moderna e contemporânea. Terra também da Imperatriz Maria Teresa, a maior das monarcas da Áustria, bisavó de nossa primeira Imperatriz do Brasil, Dona Leopoldina, esposa de Dom Pedro I, mãe de Dom Pedro II. Ali celebramos nossa quinta Missa, no bonito refeitório do Hotel Falkensteiner, onde a vibração e a piedade do canto litúrgico de nossos jovens peregrinos chamou a atenção de todos os hóspedes que se encontravam na área. Era domingo, o dia do Senhor!

Antes de avistarmos a famosa Ópera de Viena, belíssima arquitetura, construída pelo grande Imperador Francisco José I, em 1868, procurei, à memória, recordar aos nossos viajantes, nomes de outros famosos compositores como o alemão Johann Sebastian Bach, o italiano Padre Antonio Vivaldi, além de Beethoven, Mendelssohn, Tchaikovsky, Chopin, Verdi, Dvořák, e nosso inolvidável brasileiro, Villa Lobos, com suas Bachianas. Recordamos ainda como se compõe uma orquestra, como são feitos os instrumentos de madeira, metais, cordas, sopro e percussão, além das diferenças entre orquestras de câmara, sinfônica, filarmônica e outros conjuntos musicais. Tudo isto procuramos relacionar com a fé, recordando que estes gênios e estas expressões da arte musical, a rainha das artes, nos preparam para a realidade do céu, onde, segundo São Paulo, tudo é maravilhoso, de beleza incalculável, pois “o ouvido humano nunca ouviu, os olhos nunca viram, a mente humana nunca imaginou aquilo que Deus preparou para quem o ama” (1 Cor. 2,9).

No caminho, não faltaram momentos de descontração e humor, com “causos” e os “miaus” de gatos. Só quem foi sabe e, certamente, dará novas e boas risadas! Miau!

De Viena, com o coração cheio de alegria, mas também de emoção e movidos pelo espírito de oração, nos dirigimos para Cracóvia, cidade polonesa, sede da JMJ 2016. Ao descer do ônibus, nossos jovens beijaram o chão das terras polonesas, repetindo o gesto de São João Paulo II quando chegava a uma terra nova.

Semana que vem, pretendo editar a terceira e última parte.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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