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Educar com Fé

Educar é uma arte. Quem é educador de verdade é um ser humano dotado de potencialidades que faz crescer a pessoa do outro, realizando-o com gosto, competência, dedicação, simpatia e beleza. O famoso escritor russo Fiódor Dostoiévski escreveu que “a beleza salvará o mundo”. Ele afirmou isto em duas de suas obras: em Irmãos Karamazov e no romance O Idiota. Na primeira obra, expõe o conceito, descrevendo a triste cena de um jovem morrendo aos 18 anos e alguém que o assiste ternamente em silêncio. Ele vê nesta atitude de profundo significado humanitário, o ápice da beleza. Na segunda, diz literalmente a frase acima citada.

O Papa Francisco, no jubileu dos artistas acontecido em Roma no dia 15 de junho passado, reforçou esta ideia, afirmando que “Semear a beleza e a alegria é também misericórdia”. Sem dúvida esta afirmação é fundamental na arte de educar, pois somos, por natureza, segundo a filosofia grega, dotados de três princípios: o belo, o bom e o verdadeiro.

A formação das pessoas não pode ser parcial, mas há de ser integral. Somos formados de corpo, mente e espírito. Negar isto é negar o ser humano. Educar sem levar isto em consideração é o mesmo que deformar alunos.

Desde criança, temos o direito natural de ser ajudados a nos desenvolvermos física, mental e espiritualmente. A formação física nos é proporcionada com informações a respeito da saúde, dos cuidados com o corpo, com os alimentos, com a vida, afinal. A formação mental, ou intelectual nos proporciona conhecimentos nos mais variados campos científicos e possibilita a pesquisa sobre os segredos da natureza. A formação espiritual nos faz crescer como pessoa, como ser transcendental, vencendo as fronteiras da imanência e superando os limites do tempo e do espaço. Toda pessoa humana é aberta naturalmente ao infinito.

As escolas católicas são caracterizadas pela excelência na busca desta formação integral. Quando se fala em formação integral, é preciso não confundi-la com “escola de tempo integral”. São duas coisas bem diferentes. A formação integradora se preocupa com o desenvolvimento da pessoa toda, em todos os seus aspectos e níveis (corpo, mente e espírito). O tempo de permanência no ambiente escolar é relativo, pois pode ser longo e não formativo e pode ser curto e causar o desejado progresso integral da pessoa humana. Sem dúvida, as atividades escolares serão básicas, e devem ser motivadoras, para estudos em casa ou em bibliotecas ou outros lugares, mas não limitam os alunos ao prédio ou ambiente puramente escolar. A presença dos educandos na família, na vida social, quando sadia, nos ambientes eletrônicos da informática, e na comunidade de fé é, certamente, formativa e educadora. O papel da escola é possibilitar tal integralidade com métodos cada vez mais eficientes.

Formar com fé é um dever sagrado, dar ao aluno condições de crescer em seu espírito é auxiliá-lo a ter um progresso humano em todos os sentidos.

Movidos pela fé em Jesus Cristo, a Igreja Católica sempre investiu na formação integral do ser humano. Basta recordar que as universidades e colégios nasceram na Idade Média, ao lado das paróquias ou dioceses.

Na época contemporânea, as escolas católicas de vários níveis estão presentes no mundo inteiro, inclusive em lugares não cristãos, somando mais de 55 milhões de alunos em todos os países, segundo estatística da Congregação Para Educação Católica, do Vaticano. As escolas católicas prosseguem animadas e felizes com os resultados de sua ação, certas de que colaboram para a formação integral da raça humana, incentivam fortemente o progresso científico e oferecem à sociedade o melhor no campo educacional.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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