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Comunicação e Misericórdia

“Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). À luz destas palavras de Cristo, traduzidas pelo evangelista Lucas, o Papa Francisco quis convocar o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, que durará até o mês de novembro próximo. Ao enviar a sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações que celebramos, este ano, no dia 8 de maio, 7º Domingo da Páscoa, centrou sua reflexão sobre o tema: “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”.

Chama a atenção de todos os comunicadores para a necessidade de impregnar todo tipo de comunicação com sentimentos nobres de bondade, de perdão, de compreensão, de solidariedade, pois isto transforma as relações entre os seres humanos e entre os povos. Somente este caminho pode vencer a onda de ódio, de violência, de vingança tão presentes no mundo de hoje. É transformando a pessoa humana por dentro que se conseguirá transformar a realidade social.

Todo ato comunicativo deveria ser revestido de misericórdia, mesmo diante de provocações, ou quando temos a difícil tarefa de corrigir e até mesmo de punir alguém por algum mal cometido. Afirma o Papa: “... a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunhão”.

O nobre sentimento da misericórdia nunca nos permitirá guardar rancor, desejar mal, aspirar, ainda que mentalmente, a morte física ou moral de alguém. Nas palavras semeamos o ódio ou a paz. Diz-nos o Papa ainda: “como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões , curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos socais, os povos”.

Aos Pastores, cujo ministério é eminentemente marcado pela comunicação, gostaria de destacar duas palavras do Sucessor de Pedro. A primeira se refere a madura acolhida aos que erram: “Como gostaria que nosso modo de comunicar e também nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis!” A segunda palavra indica a correção na paz, segundo o método: “Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentimento de negação e defesa”.

Atualmente, os meios, instrumentos e técnicas de comunicação atingiram um tal desenvolvimento que são capazes de resultados incríveis. As redes sociais, chat, sms, e-mail, WhatsApp, Instagram, etc., possibilitam comunicações excelentes e super-rápidas. Porém, não é a tecnologia que faz a comunicação ser boa o ruim humanamente falando. É o que está no coração e na mente de quem os utiliza, que faz a diferença. Se a obseção por estes meios pode levar a atitudes doentias, a determinação por comunicar a bondade e a misericórdia pode conduzir a um encontro profundamente fecundo.

No exercício da comunicação é também importante a atitude de escuta. Escutar nem sempre é fácil. Neste mundo de correrias e ambições, há muitos que só querem falar e são incapazes de ouvir. Para haver diálogo e repeito pela opinião alheia, é necessária a atitude humilde da escuta. O Papa chega a dizer que esta atitude é quase como o martírio, ou seja, saber perder de si, para dar espaço ao outro que fala e colocar os dotes pessoais a serviço do próximo.

Comunicar, afinal, só tem sentido se for para transformar o mundo em melhor.

Aos profissionais e agentes de comunicação, nossa mais viva e cordial saudação e bênção.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora
Referencial da CNBB Leste II para Comunicação e Cultura

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