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Assembleia da CNBB

A Igreja presente em nosso País deve muito de sua vitalidade à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que reúne todos os bispos católicos em atividade no território nacional. Ela não é um órgão de poder, mas de expressivo sentido pastoral. As decisões da CNBB não obrigam aos bispos à aplicação em suas dioceses. Vale dizer que, se algum bispo quiser deixar de acolher algum documento, pronunciamento ou decisão da CNBB, mesmo sendo votado positivamente pela maioria, tem liberdade de o fazer e não sofrerá sanção, punição ou penalização nem direta nem indiretamente. Porém, em geral, tais decisões são acolhidas no espírito de colegialidade pastoral, porquanto tratam de problemas gerais, como ajuda a cada Igreja local no desenvolvimento de sua missão.

A CNBB atua sobretudo pela Assembleia Geral anual que se realiza sempre na segunda e terceira semana do tempo pascal e tem contado com a presença maciça do episcopado do País, incluindo alguns eméritos que, mesmo não fazendo mais parte da Conferência, são acolhidos fraternalmente com direito a voz, embora não a voto.

Aspecto destacável é a alegria reinante neste encontro anual de dez dias, quando se dá verdadeira confraternização entre estes ministros de Cristo que procuram servir a Deus e à Igreja, num relacionamento marcado pela simplicidade do evangelho, na oração, nas liturgias, nos trabalhos e nas refeições em comum. Sente-se uma comunidade feliz de irmãos, mesmo entre os que têm opiniões diferentes sobre certos pontos, posições eclesiológicas ou políticas divergentes. O que é mais importante - o amor que deve reinar entre discípulos do Divino Mestre - é superior a esta diversidade, incapaz de quebrar a unidade evangelizadora do grupo. Certamente há quem fique mais feliz com alguma decisão e outros menos, e muitas vezes certas imperfeições na condução dos trabalhos por quem de direito, não isento de suas escolhas pessoais, acabam ferindo a sensibilidade fraterna e o espírito de colegialidade, porém a convicção de que todos queremos o bem e a fidelidade à missão episcopal, nos faz superar crises, impulsionando o grupo para que tais imperfeições desapareçam, prevalecendo a inteira liberdade das opiniões.

Na 54ª. Assembleia da CNBB, realizada de 6 a 15 de abril, discutiu-se, como tema central, a respeito do papel e a missão dos leigos na Igreja. Depois de muito trabalho da comissão e do plenário, chegou-se a um texto final, votado pelos presentes e autorizado à publicação como documento oficial. O segundo tema mais importante foi a Exortação Apostólica do Papa Francisco, Amoris Laetitia, publicada no dia 8 de abril, que trata da alegria de se formar uma família e de cumprir nela os planos de Deus. O amor humano, criado por Deus, tem como objetivo formar lares felizes, não faltando a graça divina para superar obstáculos e desafios. O Papa não oferece nenhuma legislação nova sobre certas situações muito próprias de nosso tempo, como casais de segunda união ou famílias incompletas, mas pede aos pastores que tratem com fidelidade e misericórdia cada caso.

Sobre a situação política do Brasil, houve bastante reflexão e foi feita uma Mensagem ao Povo Brasileiro, que, depois de muita discussão, chegou-se a uma versão final aprovada pela maioria. Também foi publicada nota sobre as próximas eleições municipais. Além disso, foi discutido um texto acadêmico com dados históricos da política e economia do País, com afirmações polêmicas que foram minoradas com correções e alterações terminológicas, contudo não chegando ao consenso sobre o inteiro conteúdo. Ficou aprovada a sua publicação, porém não como documento da CNBB, mas apenas como texto de reflexão, para se ajuntar a outros já publicados no projeto “Pensando o Brasil”.

Ponto alto da Assembleia são as celebrações da Santa Missa diária na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Associado a isto, destacou-se o dia de recolhimento, ou seja, o breve Retiro Espiritual da tarde de sábado e manhã de domingo, pregado neste ano pelo Cardeal Ravazzi, de Roma, Presidente da Comissão para a Cultura da Santa Sé. Ao redor do tema Misericórdia, ele propôs ao episcopado contínua revisão da vida e da ação pastoral, na busca de aprofundamento no amor a Deus e ao próximo.

A Assembleia tratou de vários outros temas, seja no campo da liturgia, da missão, dos aspectos canônicos e outros, lançando sobre a Igreja presente no Brasil renovadas luzes e impulsos na missão evangelizadora e santificadora.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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