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Quem marca os dias de Carnaval?

Todos os anos, o povo cai na folia. Há excessos, mas há também muita alegria inocente e, no fundo, o que as pessoas buscam é um tempo bom, agradável, sem pesos. São dias em que as pessoas parecem esquecer-se de tudo, para um relaxe, viver a vida sem preocupação com trabalho, com compromissos, com problemas. Se não prejudica a saúde, se não compromete a moral, se não ofende ao próximo, se não ofende a Deus, nada haveria de mal. Porém, sem moralismos, mas com muito realismo, sabemos que o contrário disso é que acontece e os resultados, em geral, não são bons nem para a pessoa, nem para o próximo, nem para o meio-ambiente. Aí é precioso cuidado e disposição de mudança. A Campanha da Fraternidade deste ano chamará à atenção sobre isso: cuidar da casa comum, onde tudo concorra para a saúde, a qualidade de vida e o bem estar de todos.

Muitas pessoas chegam a pensar que a Igreja marca a quarta feira de cinzas e a quaresma a partir do carnaval. Na verdade, é o contrário. O carnaval é que é marcado a partir do calendário da Igreja. A origem destes dias de festejos, das brincadeiras e dos luxuosos desfiles de certas cidades grandes, está no interesse das pessoas religiosas de se despedirem do uso da carne e das delícias dos alimentos, para entrarem num período de penitência, jejum e abstinência, que é o tempo preparatório para a Páscoa. É o religioso determinando o civil e o popular.

A quarta feira de cinzas é marcada 40 dias antes da Semana Santa, mais precisamente, antes da quinta feira santa. O número quarenta é simbólico na Bíblia. Quarenta anos o povo demorou para chegar à Terra Prometida, atravessando o mar vermelho e o deserto; quarenta dias Jesus jejuou, foi tentado e venceu o demônio que o queria induzir ao pecado. Para preparar a Páscoa, os cristãos entram em penitência durante período igual, fazendo exercícios espirituais contra o pecado, orando, praticando a misericórdia.

A data da Páscoa é marcada, conforme costume que vem do judaísmo, no domingo seguinte à primeira lua cheia depois do equinócio de março, que determina o início da primavera no hemisfério norte e o outono no hemisfério sul. Equinócio é o termo que se usa para designar o fenômeno natural anual em que o dia e a noite tem a mesma duração, ou seja, exatamente doze horas cada um. Após este fenômeno natural, espera-se o plenilúnio para se terminar o Domingo Pascal. Assim, não há Sexta Santa sem lua cheia, não há Páscoa sem exuberância da luz. O perfeito equilíbrio entre as luzes e as trevas, entre o dia e a noite, indicam as realidades sobrenaturais que convidam a pessoa humana a sair da escuridão do pecado, para gozar das alegrias luminosas da vida na graça divina. Para tanto, é necessária a misericórdia de Deus que, mediante a disposição das pessoas de se converterem, mudarem de vida, entrarem voluntariamente na vida que vem do alto, ele não só perdoa, mas até mesmo envia seu Filho único para dar sua vida por nós. A morte de Cristo é a noite escura da humanidade; a ressurreição é a plena luz para a salvação de cada um.

Cristo, ressuscitando dos mortos, abandonando as trevas da sepultura, aponta para nós as realidades eternas, sublimes, o céu onde não haverá tristeza, doença, sofrimento, compromissos pesados ou algo que o valha. Não se assuste se eu disser que se dará aí o carnaval do bem, onde tudo serão alegria e paz para sempre, sem quarta feiras de cinzas e nem quaresma. Será festa para sempre, a Páscoa definitiva.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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