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Solidariedade na Dor

O pai ficou desesperado. Lutava contra a fúria da avalanche de lama, água, paus, pedras, carros que vinha destruindo tudo. Pôde agarrar seu filho e sua filhinha de 5 anos que, a certo momento, lhe desprendeu dos braços e desapareceu na terrível enxurrada. Quase no desespero, conseguiu visualizar o filho salvo por um amigo e ele mesmo, conseguiu se livrar, ficando, contudo prejudicado com várias fraturas. Perdeu tudo: casa, móveis, roupas, propriedade. No hospital, esperando contra toda a esperança, acreditava que ainda poderia encontrar sua filha viva. Há poucos dias, o corpinho da infante foi localizado, sem vida, pelos bombeiros. Emanuele era seu nome. Enquanto a encontravam, o pai estava na mesa de cirurgia e só depois pôde chorar a dolorosa situação. Assim como esta, dezenas de outras famílias experimentam o horrível desalento. Vinte e tantas outras pessoas estão ainda desaparecidas; lares desagregados e humilhados nas condições mais terríveis de suas existências. Quando essa gente poderá recuperar sossego? Quando poderá se livrar de pesadelos, insônia e incertezas? 

A lama horrível segue fazendo estragos em Barra Longa, em Governador Valadares, em vários outros lugares, deixando o rastro sinistro da morte, como um crepe acinzentado que a tudo cobre de ar desesperador. Escolas estão sendo fechadas, aulas suspensas, populações sacrificadas pela falta de água. Os efeitos atingem a fauna fluvial, matando peixes, e destruindo margens, assoreando rios e córregos.

Os jornais alertam para outros perigos de rompimentos em barragens semelhantes à do município marianense.

Porém, ao lado os efeitos assustadores e causadores das mais terríveis dores físicas, morais, psicológicas, e espirituais, vêm-se gestos positivos e animadores de solidariedade, de compaixão e do desejo incontido de poder fazer algo, presente no coração das pessoas bondosas. Uma campanha de roupas, material de higiene, água potável e alimentos não perecíveis gerou um volume tal que, a certo momento, os que organizavam o socorro agradeceram e pediram para não mais encaminhar tais doações, ao menos até segunda ordem.

A Arquidiocese de Mariana organizou tudo o que pôde para dar assistência à população agredida pelo desastre.

De nossa parte, o apelo que fizemos sábado à população juiz-forana e adjacente, através dos Padres de nossas paróquias, resultou em vários caminhões de doações encaminhadas à Mitra Arquidiocesana e de lá para a cidade de Mariana.

Sinto-me no dever de agradecer a presteza, a rapidez e sensibilidade do nosso querido clero e de nosso amado povo que demonstraram estar sempre afinados com os mandamentos do Senhor, resumidos no principal preceito: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei. ” (Jo. 13, 34); e ainda: “Todas as vezes que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequenos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25, 44).

A campanha continua, porém agora não mais com o material acima descrito, mas com ofertas em dinheiro, que será encaminhado à Arquidiocese de Mariana criadora de um fundo de assistência às vitimas da tragédia, a fim de que possam recompor suas vidas, reconstruir o que perderam, e recobrar a esperança e a alegria de viver. As doações podem ser levadas às Paróquias da Arquidiocese de Juiz de Fora ou encaminhadas diretamente à conta bancária de Mariana, com os seguintes dados: Titular: Arquidiocese de Mariana; CNPJ 16.855.611/0001-51; Banco 104 – Caixa Econômica Federal; Agência 1701 – Mariana; Operação 03; Conta Corrente: 01-7.

Os efeitos da solidariedade reedificam o que a tragédia destruir.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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