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Lexicon, Obra Científica da Igreja (parte 2)

Retornando ao tema de nosso artigo da semana passada, sobre o Lexicon, Obra Científica da Igreja, destaco a grande participação e decidida contribuição que exerceu na composição e tradução para a nossa língua materna o coordenador da edição do referido Lexicon, o Excelentíssimo Dom Karl Josef Romer, que por 30 anos foi Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, servindo posteriormente à Igreja como Secretário da Pontifícia Comissão para a Família, em Roma, voltando ao final de seu mandato, para o Rio de Janeiro onde vive hoje como Bispo Emérito, mas em plena atividade eclesial.

A apresentação da edição portuguesa é feita pelo Eminentíssimo Cardeal Geraldo Majela Agnelo que assim se expressou em seu texto introdutório: “O Lexicon apresenta argumentos das ciências biomédicas e razões filosóficas e teológicas, visando contrastar a tendência de banalizar a vida e a morte, em nome do arbítrio individual e de um bem-estar subjetivo que ignora o outro, antes, trata-o como objeto que pode ser usado ou destruído conforme as conveniências”.

Na verdade, vivemos uma época de conturbação terminológica, pois muitos vocábulos são utilizados com tal liberalidade e, desculpem-me, às vezes com leviandade, que a população é levada, muitas vezes, à insegurança e à confusão sobre onde está a verdade e que caminho, posição ou decisão deve tomar. Neste ponto, a família se torna uma instituição ameaçada por falsos conceitos e por interesses de grupos organizados movidos por ideologias falaciosas que exercem verdadeira pressão sobre a opinião pública e a ação de parlamentares. Assim, ao lançar este Lexicon, a Igreja cumpre o seu dever de auxiliar na compreensão dos termos da bioética e outros setores afins, para que não sejam vítimas de engano e de interesses relativistas.

Para o trabalho dos Pastores, mas também dos professores, e ainda dos legisladores, o Lexicon presta singular auxílio. Certamente ajudará compreender o seu valor, as palavras do Eminentíssimo Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, hoje falecido, que foi Arcebispo do Rio de Janeiro, um dos prelados mais respeitados na história do Brasil pela sua envergadura e plena fidelidade à Igreja, que assim escreveu na sua apresentação da edição brasileira: “Neste contexto pastoral, de urgente defesa dos sagrados direitos à vida, à justa participação de todos e à igual dignidade da mulher e do homem, da criança e do adulto, do douto e do ignorante, do poderoso e do inerme ainda não nascido, é de incalculável utilidade para todos nós termos em língua portuguesa...o Léxico”.

Estou plenamente de acordo com o saudoso Cardeal Sales também no que afirma logo a seguir do texto acima citado: “O maior mal que nos aflige não é a fragilidade humana em si, nem a maldade que forja seus planos para destruir o homem e a mulher em sua verdadeira dignidade. Mal maior, porque mais cínico e sedutor, é a abusiva capacidade de falsear a linguagem, a ponto de o menos advertido, mesmo o intelectual, e antes de tudo a opinião comum da grande massa, já não perceber a perversidade que é aí insinuada”.

Consola-nos, no entanto, verificar que, se assistimos esta avalanche de interesses negativos que ameaçam a família, a dignidade da vida e a pessoa humana como tal, vê-se, por outro lado, felizmente, um crescente espírito positivo por parte de muitas pessoas defensoras da genuína dignidade humana, pessoas de boa vontade que não se deixam levar ingenuamente por correntes ambíguas, mas que têm, no dizer do Papa Francisco, a leal coragem de nadar contra a corrente para salvar valores inalienáveis. Inclua-se ainda um sem número de fiéis e amorosos cristãos que pautam sua vida pela força dos santos evangelhos, maior expressão do respeito à pessoa humana, da ética e da moral. Todas estas pessoas poderão encontrar na mencionada obra do Pontifício Conselho para a Família, um real auxílio para as suas buscas e para seus esforços em favor dos irrenunciáveis valores da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus.

Não tenho dúvida de que o Lexicon poderá ser determinante para quem quiser refletir sobre as questões de gênero, com espírito desarmado e a partir de consistente base científica. Certamente, muitos que hoje defendem certas questões da agenda de gênero poderão mudar de ideia, se se aprofundarem no tema sob o aspecto antropológico, sem preconceitos contra o sentido religioso conatural aos seres humanos.

O Lexicon e tantas outras obras de caráter semelhante representam uma respeitosa resposta àqueles que, sem conhecimento de causa, julgam que religião é apenas movimento de culto ou objeto de sacristia.

O principal nesta matéria é procurar salvar a pessoa humana contra preconceitos, marginalizações, violência, discriminações, mas com inteligência e sem cair em métodos falsos de destruidores da dignidade humana.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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