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Agressões a Cristo na cidade de São Paulo

Causaram grande choque, pesar e tristeza a todos os católicos e pessoas de outras confissões religiosas cristãs, as graves agressões a Cristo acontecidas na chamada Parada Gay 2015, realizada na cidade de São Paulo, no princípio do mês de junho do corrente ano. Tais agressões vinham sendo praticadas em outras ocasiões como, por exemplo, durante a primeira visita do Papa Francisco ao Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em julho de 2013. As medidas policiais foram insuficientes, até o momento, o que tem, certamente, possibilitado novas iniciativas criminosas.

Tais atitudes desrespeitosas fazem parte das tentativas de impor à sociedade a ideologia de gênero que pretende adotar um estranho modelo comportamental, onde não seja levado em consideração o sexo das crianças no nascimento, cabendo isto a uma mera escolha posterior dos indivíduos. A perigosa ideologia de gênero está, infelizmente, incluída nos Planos Municipais de Educação a serem votados pelas Câmaras Municipais até o dia 24 de junho corrente. A ideologia de gênero, também chamada de igualdade sexual, foi derrotada no Congresso Nacional, mas vem, estrategicamente, sendo incluída nos Planos Municipais de Educação, mesclada com outros aspectos que nada têm a ver com o campo da educação sexual.

Os fatos acontecidos ultimamente em São Paulo tomaram proporções tais que não permitem esperar mais, exigindo do povo brasileiro imediata reação.

Os atos criminosos, apoiados num falso direito de liberdade de expressão e um doentio e tendencioso conceito de homofobia, se agravaram por ter sido tal Parada Gay financiada com dinheiro público, sobretudo da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás. Tais fatos desagradáveis, de intolerância religiosa e agressividade à moral familiar, afrontam não só ao povo cristão, mas a todos os brasileiros que não se compactuaram com tais desmandos, porque atitudes como estas ferem gravemente a Constituição Federal que reconhece o direito de praticar livremente a religião no país e colocam em risco o estado de direito e a democracia nacional. (cf. artigo 5º, inciso VI).

É bom recordar que todas as religiões, além de suas doutrinas estritamente espirituais, guardam um patrimônio moral que faz parte integral de sua fé, sendo, portanto, também este protegido pela Constituição Federal. Não me consta que tenha havido, até o momento, qualquer agressão aos homossexuais por parte das correntes religiosas cristãs presentes em nosso País. Por que uma classe teria o direito de achar e proceder como se o direito dela fosse maior que o dos demais?

Para auxiliar na questão, exponho, abaixo, a transcrição da Mensagem dos Cardeais, Arcebispos e Bispos de São Paulo, local onde se passaram os fatos, e que foi assumida pelo Regional Leste 2 (Estados de Minas e Espírito Santo) da CNBB como sua, por votação unânime na Assembleia realizada em Belo Horizonte, nos dias 9 a 11 do corrente mês.

Também, em comunhão com todos os meus irmãos no episcopado, na qualidade de Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, assino essa mesma nota, exercendo o nosso direito de defender incondicionalmente o respeito a Cristo, maior patrimônio de nossa fé, bem como aos que O seguem no ideal de vida, além de salvaguardar a moralidade e a sacralidade de nossas famílias.

MENSAGEM AOS CATÓLICOS E A TODOS OS CIDADÃOS

Nós, Bispos Católicos das Dioceses do Estado de São Paulo, reunidos na 78ª Assembleia do Regional Sul I da CNBB, diante dos acontecimentos da recente “parada gay 2015”, ocorrida na cidade de São Paulo, com claras manifestações de desrespeito à consciência religiosa de nosso povo e ao símbolo maior da fé cristã, Jesus crucificado, em nome da verdade que cremos, vimos através desta, como pastores do Povo de Deus: 1. Afirmar que a fé cristã e católica, e outras expressões de fé encontram defesa e guarida na Constituição Federal: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (artigo 5º, inciso VI). 2. Lembrar que todo ato de desrespeito a símbolos, orações, pessoas e liturgias das religiões constitui crime previsto no Código Penal: “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” (Art. 208 do Código Penal). 3. Apelar aos responsáveis pelo Poder Público, guardiães da Constituição e responsáveis pela ordem social e pelo estado democrático de direito, que defendam o direito agredido. 4. Expressar nosso repúdio diante dos lamentáveis atos de desrespeito ocorridos; queremos contribuir com o bem-estar da sociedade, pois somos, por força do Evangelho, construtores e promotores da liberdade e da paz. 5. Manifestar nossa estranheza ao constatar um evento, como citado seja autorizado e patrocinado pelo poder público, e utilizado para promover atos que afrontam claramente o estado de direito que a Constituição garante. 6. Lembrar a todos as atitudes firmes do Papa Francisco quanto ao respeito pelo ser humano, aos mais pobres, aos mais simples, à religiosidade popular. 7. Recordar aos católicos que a profanação de símbolos religiosos pede de nós um ato de desagravo e de satisfação religiosa, pela oração e pela penitência, pedindo ao Senhor Deus perdão pelos pecados cometidos e a conversão dos corações. 8. Reafirmar, iluminados pelo Evangelho e conduzidos pelo Espírito Santo, nosso respeito a todas as pessoas, também a quem pensa diferente de nós. E convidamos os católicos e pessoas de boa vontade a contribuírem, em tudo, para a edificação da justiça e da paz, do respeito a Deus e ao próximo. Por fim, confirmamos nosso seguimento a Jesus Cristo e damos testemunho da beleza de nossa fé católica, na certeza de que, assim, contribuímos para o bem da sociedade, anunciando o que de melhor recebemos: Jesus Cristo crucificado, “força e sabedoria de Deus” (1Cor 1,23s), fonte de toda misericórdia.

Aparecida, 11 de junho de 2015.
Memória Litúrgica do Apóstolo São Barnabé.

Dom Odilo Pedro Scherer
Presidente do Regional Sul I – CNBB
Dom Moacir Silva
Vice-Presidente do Regional Sul I – CNBB
Dom Tarcísio Scaramussa
Secretário do Regional Sul I – CNBB

Sugiro a todos que respeitam a democracia e a liberdade religiosa, que divulguem tal mensagem da forma melhor que puderem, sem espírito de revanchismo ou algo que o valha, mas com legítima disposição de proteger a moralidade e os reais valores das famílias, além de defender o direito das pessoas que praticam a fé cristã em nosso país, pois nosso Brasil tem sua história marcada pela fé em Jesus Cristo.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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